Nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes apostou em rituais para intensificar romance e obsessão

Margot Robbie, intérprete de Catherine Earnshaw, revelou que a diretora montou altares personalizados nos camarins, com fotos, velas e objetos simbólicos, como forma de estimular uma conexão psicológica constante entre os atores durante as filmagens.
Emerald Fennell levou obsessão ao set para reinventar O Morro dos Ventos Uivantes
Emerald Fennell levou obsessão ao set para reinventar O Morro dos Ventos Uivantes

Resumo da Notícia

A nova adaptação de “O Morro dos Ventos Uivantes”, que chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (12), não nasceu apenas de decisões técnicas ou escolhas estéticas convencionais.

Sob o comando da diretora Emerald Fennell, vencedora do Oscar de Melhor Roteiro Original por Bela Vingança (2020), o longa foi construído a partir de um método pouco comum: a criação deliberada de um ambiente emocional intenso e simbólico para os atores, capaz de sustentar a carga de obsessão, paixão e conflito que define o clássico da literatura inglesa.

Estrelado por Margot Robbie, que interpreta Catherine Earnshaw, e Jacob Elordi, no papel de Heathcliff, o filme exigiu uma entrega que fosse além da leitura de roteiro ou da repetição de cenas. A diretora, conhecida por processos criativos não convencionais, decidiu apostar em rituais para moldar o clima psicológico do set desde o início das filmagens.

Altares, símbolos e imersão emocional no set

Em entrevista ao portal Today, Margot Robbie revelou que Emerald Fennell transformou os camarins em verdadeiros espaços simbólicos. A diretora montou altares personalizados para cada ator, utilizando objetos que reforçavam a ligação intensa entre os personagens.

No estúdio, nós dois tínhamos nossos camarins. Emerald entrou e fez um altar para cada um de nós. Foi tão louco e engraçado. Ela colocou mechas de cabelo, fotos nossas, velas e fez um altar completo. O meu era um altar para o Jacob e o dele era para a Margot. Foi muito engraçado.”

Segundo a atriz, a ideia não era apenas curiosa ou performática. O ritual estabeleceu um padrão emocional que passou a guiar toda a atuação de Robbie e Elordi, criando um estado constante de tensão, entrega e envolvimento — exatamente o que define a relação entre Catherine e Heathcliff na obra original.

Um gesto romântico que virou parte da narrativa

Essa imersão acabou extrapolando o planejamento inicial. Em entrevista à revista Vogue, Margot Robbie contou que Jacob Elordi incorporou o espírito do personagem até fora das câmeras durante as gravações realizadas no Dia dos Namorados.

Nós estávamos filmando no Dia dos Namorados e eu me lembro de ganhar o dia, porque Heathcliff encheu meu quarto de rosas e foi tão fofo. Eu lembro de pensar: ‘Ele deve ser um namorado muito bom, porque há muita consideração nisso’. Não foi apenas o gesto das rosas; foi o que Heathcliff escreveu e aquela pena lápide. Eu pensei: ‘Ah! Quinquilharias!’. Eu amei. Foi criativo, artesanal, significativo e dramático”.

O gesto, descrito como artesanal, simbólico e carregado de drama, reforçou a lógica proposta por Fennell: tudo no set deveria servir para alimentar o estado emocional dos personagens, mesmo fora das cenas gravadas.

A trama acompanha Catherine Earnshaw e Heathcliff, um garoto órfão acolhido pelo pai da protagonista. Unidos desde a infância por uma ligação profunda, os dois acabam separados por pressões sociais, escolhas impostas e convenções da época. Quando Catherine decide se casar com outro homem, Heathcliff reage com dor e ressentimento, abandona a região e retorna anos depois rico, influente e consumido pelo desejo de vingança.

Essa nova versão dialoga com um legado extenso de adaptações. A mais lembrada segue sendo a de William Wyler, lançada em 1939. Entre as produções recentes, destacam-se a minissérie de 2009, com Tom Hardy como Heathcliff e Charlotte Riley como Catherine, além do filme de 2012 estrelado por James Howson e Kaya Scodelario.

Além de Margot Robbie e Jacob Elordi, o elenco reúne nomes conhecidos do público, como Alison Oliver, que ganhou destaque em Conversa Entre Amigos, Shazad Latif, visto em Magpie, e Hong Chau, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por A Baleia. A presença desses atores amplia o alcance dramático da obra e sustenta a ambição de oferecer uma leitura mais intensa e emocionalmente crua do romance.

Para entender melhor outras escolhas criativas da diretora, vale conferir a análise sobre por que Emerald Fennell decidiu colocar aspas na nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes, que ajuda a contextualizar o projeto dentro da visão autoral da cineasta.

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.