Resumo da Notícia
Lançado no início de setembro, Invocação do Mal 4: O Último Ritual chegou aos cinemas como o suposto encerramento da narrativa central da franquia que, ao longo de mais de uma década, transformou os casos investigados por Ed e Lorraine Warren em um dos maiores fenômenos do terror moderno.
No entanto, apesar de bons momentos de tensão e ambientação, a produção dirigida por Michael Chaves deixou escapar uma oportunidade narrativa que vinha sendo construída desde o primeiro filme, em 2013.
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Patrick Wilson e Vera Farmiga voltam a interpretar o casal de investigadores paranormais, desta vez em um enredo inspirado no caso real da família Smurl, ocorrido em West Pittston, Pensilvânia, entre 1974 e 1986. A trama mistura elementos documentados pelos Warrens e pelos próprios moradores da casa com adições ficcionais, sendo a mais relevante delas a criação de um novo antagonista: o chamado “demônio do espelho”.
O caso Smurl e a presença do demônio do espelho
No longa, três espíritos atuam sob o controle de uma entidade demoníaca principal. Essa força maligna ganha forma no demônio do espelho, responsável pelos eventos mais intensos da história. A criatura é introduzida logo no início, em uma cena de flashback que remete ao nascimento da filha dos Warrens, Judy. O filme sugere que o parto prematuro e traumático da criança foi consequência direta da interferência dessa entidade.
O público chega a ver rapidamente o demônio fora do espelho, descrito como um humanoide pálido, de dedos longos e olhos pequenos e brilhantes, observando a cena no canto da sala de parto. Lorraine, com orações, consegue salvar a filha e aparentemente afastar a ameaça. Essa sequência estabelece o vilão como uma presença de longo alcance, já que também se insinua que as visões aterrorizantes da infância de Judy foram obra dessa mesma entidade.
A partir daí, a ideia central é clara: trata-se de um inimigo que assombra a família Warren há mais de 20 anos e que, finalmente, será confrontado de forma definitiva. Essa construção o coloca como um verdadeiro “chefão final” da franquia — algo que, no papel, seria ideal para um suposto encerramento.
Expectativa alta, entrega frustrante
Durante cerca de 80 minutos, o longa mantém um ritmo sólido, explorando a infestação demoníaca na casa dos Smurl e criando expectativas para um confronto memorável. No entanto, o desfecho não corresponde à preparação.
O “embate final” coloca Ed e Lorraine frente a um espelho de corpo inteiro assombrado — literalmente —, com o demônio possuindo brevemente o corpo de Judy antes de se manifestar como seu reflexo distorcido. Apesar do peso histórico que a narrativa dá à entidade, o clímax se resume a uma batalha conceitual, sem a materialização física e aterrorizante que muitos fãs esperavam.
Essa escolha contrasta com os momentos mais marcantes dos dois primeiros filmes da franquia. Em Invocação do Mal (2013), o clímax trouxe a aparição da bruxa Bathsheba Sherman, responsável por uma das cenas de possessão mais lembradas do gênero na última década. Já em Invocação do Mal 2 (2016), o público testemunhou a revelação de Valak, o demônio na forma de freira que perseguiu Lorraine e quase concretizou suas visões sobre a morte de Ed.
Em O Último Ritual, a resolução chega de forma anticlimática: Judy e Lorraine unem forças psíquicas para simplesmente “rejeitar” a existência do demônio, enfraquecendo-o até expulsá-lo. A mensagem implícita é que, se não se acreditar em fantasmas e demônios, eles não têm poder. Para muitos, isso soa como uma contradição direta ao que toda a franquia construiu ao longo de 12 anos.
Comparativo de desempenho e recepção
Apesar da boa bilheteria inicial, o filme não alcançou os números dos longas anteriores. Com orçamento estimado em US$ 55 milhões, arrecadou cerca de US$ 194 milhões mundialmente, ficando abaixo dos três capítulos anteriores — especialmente de Invocação do Mal 1 e 2, que ultrapassaram US$ 320 milhões cada.
No agregador Rotten Tomatoes, a aprovação do público foi de 79%, enquanto a crítica especializada ficou em 57%. Isso o coloca levemente à frente de Invocação do Mal 3: A Ordem do demônio (56% de aprovação crítica), mas ainda distante do patamar das duas primeiras produções.
| Filme | Ano | Orçamento | Bilheteria | Tomatometer | Público |
|---|---|---|---|---|---|
| Invocação do Mal | 2013 | US$ 20 mi | US$ 319,4 mi | 86% | 83% |
| Invocação do Mal 2 | 2016 | US$ 40 mi | US$ 321,8 mi | 80% | 82% |
| Invocação do Mal 3: A Ordem do demônio | 2021 | US$ 39 mi | US$ 206,4 mi | 56% | 83% |
| Invocação do Mal 4: O Último Ritual | 2025 | US$ 55 mi | US$ 194 mi | 57% | 79% |
O legado e o que vem pela frente
Mesmo com um final divisivo, O Último Ritual não fecha todas as portas da franquia. Elementos deixados em aberto indicam que o universo de Invocação do Mal deve continuar, ainda que com novos protagonistas ou tramas derivadas.
O envolvimento de produtores como James Wan e Peter Safran sugere que a Warner Bros. planeja expandir ainda mais o chamado “Universo Invocação do Mal”, possivelmente com derivados focados em outras entidades apresentadas ao longo dos filmes.
Para os fãs de longa data, no entanto, a sensação é de que a trajetória principal de Ed e Lorraine merecia um encerramento mais impactante, capaz de igualar — ou superar — os momentos mais icônicos da saga.


