Resumo da Notícia
A terceira temporada de Jujutsu Kaisen já deixou claro, desde os primeiros episódios, que o arco do Jogo do Abate não seria tratado de forma protocolar. O estúdio MAPPA vem apostando em direção mais cinematográfica, com enquadramentos precisos, ritmo calculado e referências que dialogam diretamente com o imaginário do cinema ocidental. No episódio 5, intitulado Paixão, essa estratégia ganha forma em uma homenagem direta e impossível de ignorar a um clássico absoluto dos anos 1990.
Antes mesmo de qualquer confronto, a narrativa desacelera para apresentar o cenário onde Yuji Itadori e Megumi Fushiguro tentam localizar Kinji Hakari. O veterano feiticeiro passou a comandar um clube de lutas clandestino, frequentado por feiticeiros e por não-feiticeiros que atuam apenas como público. A entrada no local não se dá com golpes ou feitiços, mas com palavras — e elas carregam um peso simbólico enorme.
Ao se aproximarem da arena, Yuji e Megumi são barrados por seguranças que estabelecem as regras do espaço. A mais importante delas ecoa imediatamente na memória de qualquer cinéfilo: “A primeira regra do Clube da Luta é: você não fala sobre o Clube da Luta.” A frase, dita de forma seca e sem ênfase exagerada, funciona como gatilho narrativo e cultural ao mesmo tempo.
O diálogo remete de maneira direta ao filme Clube da Luta, dirigido por David Fincher e lançado em 1999. No longa, a regra é repetida como um mantra por Tyler Durden — personagem interpretado por Brad Pitt — e se tornou uma das falas mais icônicas da história do cinema moderno. Em Jujutsu Kaisen, a frase já existia no mangá de Gege Akutami, mas a adaptação animada reorganiza o tempo da cena, ajusta o silêncio e o enquadramento para que a referência seja absorvida de forma imediata pelo espectador.
Adicione o Portal N10 às suas Fontes Preferidas e acompanhe nosso perfil para receber mais notícias quando o assunto estiver em alta.
Kill Bill last week and Fight Club this week. I love how Gege & Mappa are being obvious with these, embracing them in a way where it’s obvious to us. But it’s still done tastefully enough that the references don’t unnaturally take me out of the scene. 👌🏽#JujutsuKaisen #JJK pic.twitter.com/PnBR6h7nhM
— Shadz (@ShadzMangaOnly) January 29, 2026
Essa não é uma escolha isolada. A temporada vem construindo um padrão claro de diálogo com o cinema de ação e a cultura pop, algo que o próprio estúdio MAPPA já havia explorado em Chainsaw Man. A diferença aqui está no peso simbólico: Clube da Luta não é apenas um filme sobre violência, mas sobre regras, subversão e identidade — temas que conversam diretamente com o conflito interno dos personagens inseridos no Jogo do Abate.
A homenagem ganha ainda mais força por surgir em um arco marcado por disputas de poder, contratos informais e códigos próprios. O clube de Hakari não é apenas um espaço físico, mas um microcosmo onde regras não escritas definem quem entra, quem luta e quem observa. Ao reutilizar uma das frases mais famosas do cinema, o anime cria uma ponte imediata entre universos distintos, sem parecer gratuito ou forçado.
Para quem chega agora à obra, vale lembrar que Jujutsu Kaisen acompanha a trajetória de Yuji Itadori, um estudante que engole um objeto amaldiçoado para salvar amigos e acaba se tornando o hospedeiro de Ryomen Sukuna, o Rei das Maldições. A partir disso, ele passa a treinar na Escola de Feitiçaria de Tóquio, enquanto enfrenta ameaças sobrenaturais que colocam o mundo em risco.
A terceira temporada está em exibição oficial no Brasil pela plataforma Crunchyroll. Recentemente, o anime também chamou atenção ao dialogar com outro ícone da cultura pop japonesa, quando fez uma homenagem direta a Dragon Ball Z.
Mais do que uma simples piscadela para fãs de cinema, a cena do episódio Paixão reforça a maturidade narrativa do anime. Ao reorganizar referências conhecidas dentro de um contexto próprio, Jujutsu Kaisen prova que entende o peso cultural do que cita — e usa isso para enriquecer sua história, não para distraí-la.
