Ilustração de My Hero Academia ignora personagens femininas e gera polêmica entre fãs

A série possui uma ampla gama de personagens complexos, femininos e masculinos, mas o voto popular acabou refletindo as bolhas mais barulhentas da internet — não necessariamente a percepção geral da audiência global.
Fãs de My Hero Academia criticam ranking global que exclui Ochaco, Toga e All Might
Fãs de My Hero Academia criticam ranking global que exclui Ochaco, Toga e All Might

Resumo da Notícia

  • Ausência feminina no ranking global: A ilustração do “WORLD BEST HERO” gerou críticas ao retratar apenas personagens masculinos, reacendendo debates sobre a sub-representação de personagens femininas em My Hero Academia e a influência do público fujoshi.
  • Contradição dos fãs e popularidade: Mesmo exaltando o elenco feminino, os próprios fãs deixaram de votar em nomes como Ochaco e Toga, revelando uma contradição entre o discurso de valorização e as preferências nas votações.
  • Exclusão de All Might e Mirio: A ausência de dois dos personagens mais simbólicos da série, especialmente All Might, reforçou o sentimento de que o ranking não reflete o mérito narrativo nem o impacto histórico da obra.
  • Presença polêmica de Endeavor: A inclusão de Endeavor, marcada por críticas ao passado abusivo do personagem, causou incômodo entre os fãs, principalmente por sua posição ao lado dos filhos Shoto e Dabi na ilustração oficial.
  • Retrato fiel do fandom atual: O resultado final reflete as tendências e contradições do público global de My Hero Academia, revelando o peso da cultura de “ships” e a ausência de reconhecimento para personagens femininas bem escritas.

A divulgação da ilustração especial do “WORLD BEST HERO”, o ranking global de popularidade de My Hero Academia, reacendeu uma polêmica que há tempos ronda a franquia: o apagamento das personagens femininas e de figuras centrais da história.

Após dez meses de espera, o criador Kohei Horikoshi revelou o desenho prometido com os dez personagens mais votados — e a ausência de nomes como Ochaco, Mirko, Toga e All Might gerou uma onda de críticas entre os fãs.

O perfil oficial da série no X (antigo Twitter) divulgou a arte assinada por Horikoshi. A ilustração, que será publicada como brinde na edição de outono da Jump GIGA, traz Katsuki Bakugo, Izuku Midoriya, Shoto Todoroki, Shōta Aizawa, Eijiro Kirishima, Enji Todoroki (Endeavor), Keigo Takami (Hawks), Dabi, Tomura Shigaraki e Neito Monoma.

Apesar da qualidade técnica da arte e da boa recepção inicial, o público rapidamente percebeu que nenhuma personagem feminina havia sido incluída. O fato, somado à ausência de ícones como All Might e Mirio Togata, levantou questionamentos sobre o reflexo que esse resultado traz da própria comunidade de fãs da obra.

Enquanto muitos elogiam as personagens femininas bem escritas do universo de My Hero Academia, o resultado mostra que elas não são valorizadas na hora da votação”, apontam discussões que se multiplicaram nas redes.

O significado dos resultados

A votação havia sido encerrada ainda em dezembro de 2024, mas só agora o impacto dos resultados ficou evidente. Para parte da base de fãs, o problema não está apenas na exclusão das mulheres, mas na falta de diversidade entre os escolhidos.

Todos os nomes presentes pertencem ao núcleo masculino mais popular da trama — reforçando a percepção de que o público tende a priorizar rivalidades e relacionamentos entre personagens homens.

A ausência de figuras como Ochaco Uraraka e Himiko Toga, duas das personagens femininas mais lembradas, causou surpresa adicional. Mesmo em meio à cultura de “ships” que domina parte dos debates online, essas personagens sempre mantiveram espaço de destaque em relação a outras séries shonen. Ainda assim, ficaram de fora do top 10.

A influência da cultura “fujoshi”

My Hero Academia tem um bom elenco feminino
My Hero Academia tem um bom elenco feminino

Boa parte do fandom de My Hero Academia é formada por fujoshis, termo usado no Japão para designar fãs — geralmente mulheres — que preferem produções com relações afetivas entre personagens masculinos. Essa parcela do público tende a impulsionar duplas como Bakugo e Midoriya, o que explicaria a dominância masculina no ranking.

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Era natural que uma parte do público priorizasse seus personagens preferidos dentro dessa dinâmica, mesmo que isso significasse deixar de lado as personagens femininas.

A leitura é de que a votação global acabou revelando o perfil do público mais ativo online, aquele que realmente se mobiliza para votar, em vez de refletir toda a base mundial de fãs da obra.

A polêmica, porém, não se limita às mulheres. O resultado também deixou de fora personagens centrais para o desenvolvimento da história, como o lendário mentor All Might e o carismático Mirio Togata.
Enquanto a ausência de Mirio foi compreendida como natural pelo tempo menor de destaque, a exclusão de All Might foi vista como um sinal de desvalorização do legado clássico da série.

Essa combinação de escolhas levantou um questionamento recorrente nas discussões: “Os fãs realmente merecem os melhores personagens da obra?”

Fãs questionam o próprio reflexo do fandom

Após a divulgação da ilustração, diversos fóruns e perfis dedicados à franquia criticaram o resultado, chamando atenção para a incoerência entre o discurso e a prática. Durante anos, fãs defenderam que My Hero Academia tinha um elenco feminino mais desenvolvido do que outras produções do gênero, mas, ao votar, deixaram de reconhecer isso na prática.

A ausência de Ochaco, Toga, All Might e Mirio é um reflexo direto das escolhas do público”, pontuaram usuários em debates recentes.

Não há como reclamar do que está ali — afinal, foram os próprios fãs que votaram.”

Mesmo assim, parte da comunidade defende que a falta de mulheres na ilustração não anula o valor das personagens, mas revela a diferença entre popularidade e qualidade de escrita.

A rejeição a Endeavor

Fãs de My Hero Academia odiaram a inclusão de Endeavor no Top 10
Fãs de My Hero Academia odiaram a inclusão de Endeavor no Top 10

Entre os dez escolhidos, apenas um nome gerou consenso negativo: Endeavor. Apesar de sua complexidade narrativa, o personagem continua marcado pelo passado abusivo em relação à família, algo que muitos consideram imperdoável. O público se mostrou especialmente desconfortável com o fato de ele ter sido desenhado ao lado dos filhos Shoto e Dabi (Toya) — personagens que carregam diretamente o trauma causado por suas ações.

Mesmo com o incômodo, os próprios fãs reconhecem que foram eles que o colocaram ali.
A presença de Endeavor entre os dez mais votados é o retrato exato do que a votação expressou: contradições, preferências afetivas e escolhas movidas mais por popularidade do que por mérito narrativo.

O paradoxo da popularidade

No fim, o que My Hero Academia mostra com esse resultado é o distanciamento entre o discurso e o comportamento dos fãs.

A série possui uma ampla gama de personagens complexos, femininos e masculinos, mas o voto popular acabou refletindo as bolhas mais barulhentas da internet — não necessariamente a percepção geral da audiência global.

Ainda que os dez escolhidos sejam nomes importantes e queridos, há consenso de que figuras de peso ficaram de fora. A arte de Horikoshi, portanto, reacende o debate sobre representatividade, reconhecimento e o valor simbólico das personagens dentro do universo da obra.

A chance de um novo ranking global é “mínima ou nula”, o que torna essa lista um retrato definitivo da atual fase do fandom — apaixonado, engajado, mas, ao mesmo tempo, incoerente com o próprio discurso.

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