Tema da redação do Enem 2025 destaca envelhecimento e propõe reflexão sobre o etarismo no Brasil

Professora Tanay Gonçalves, da Plataforma Professor Ferretto, comenta sobre o tema dessa edição da prova.
Tema da redação do Enem 2025 destaca envelhecimento e propõe reflexão sobre o etarismo no Brasil
Enem 2025: Redação aborda "Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira"

Resumo da Notícia

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 começou neste domingo (9) com a esperada divulgação do tema da redação: Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira. A informação foi confirmada pelo ministro da Educação, Camilo Santana, logo após o início da aplicação das provas. O assunto, considerado de grande relevância social, reacende discussões sobre a valorização da população idosa e o enfrentamento do etarismo no país.

Com cerca de 4,8 milhões de inscritos, o Enem deste ano registrou aumento de 11,8% em relação a 2024, reforçando o interesse dos estudantes em ingressar no ensino superior. A prova começou às 13h30 e, como de costume, a redação voltou a trazer uma pauta de impacto social, voltada à reflexão sobre grupos historicamente invisibilizados. Desta vez, o foco é o processo de envelhecer e as barreiras culturais que ainda cercam o idoso brasileiro.

A professora Tanay Gonçalves, especialista em produção textual e docente da Plataforma Professor Ferretto, elogiou a escolha do tema e explicou sua relevância. Segundo ela, a proposta exige do candidato um olhar crítico e sensível:

Para escrever bem sobre perspectivas acerca do envelhecimento, é importante trazer uma denúncia, um olhar atento sobre as falhas sociais. O envelhecer no Brasil ainda é marcado pela invisibilidade e por uma série de preconceitos que precisam ser superados.”

Tanay ressalta que o tema não se trata de uma polêmica, mas de uma necessidade de reflexão: “A discussão sobre os idosos vem ganhando força nos últimos anos, principalmente a partir do Censo e dos debates sobre idadismo e etarismo. Os textos de apoio, inclusive, destacam o papel do idoso ativo, valorizando sua representatividade.”

Entre os materiais de apoio da prova, um exemplo citado pela professora chamou a atenção: uma proposta recente do Senado que altera o símbolo das placas de trânsito para pessoas com mais de 60 anos. A nova sinalização substitui a tradicional figura curvada com bengala por uma imagem de corpo ereto com o indicativo “60+”. Para Tanay, “essa mudança tem um valor simbólico profundo, pois redefine a forma como a sociedade enxerga o envelhecimento e combate estereótipos visuais enraizados.”

Outro ponto destacado foi a complexidade linguística do tema. A inclusão da palavra “perspectivas” no comando da proposta exigiu dos candidatos maior capacidade interpretativa. “Essa escolha amplia as possibilidades de abordagem. As perspectivas podem ser históricas, educacionais, midiáticas ou geográficas, o que torna o texto mais rico e interdisciplinar”, explicou.

A docente observou ainda que o tema estava entre os mais discutidos nas aulas preparatórias e simulados da Plataforma Ferretto. “É uma proposta excelente, pois já vinha sendo trabalhada em repertórios que tratam de cidadania, inclusão e envelhecimento ativo”, avaliou.

Além da redação, a professora comentou sobre a prova de Linguagens, que manteve um nível mediano de dificuldade, com questões que envolveram análise de diferentes gêneros — músicas, propagandas, crônicas e imagens — exigindo atenção redobrada à interpretação textual. A novidade foi o uso de um texto integral como base para cinco questões, um formato diferente do habitual, que prioriza leituras mais longas e reflexivas.

Tanay concluiu que o Enem 2025 reafirma a proposta de abordar temas de relevância social e educativa, sem recorrer a polêmicas superficiais. “O exame não busca dividir opiniões, mas provocar reflexão e ampliar a visibilidade de grupos que merecem atenção. É um tema que exige sensibilidade, repertório sociocultural e uma visão crítica sobre o modo como tratamos o envelhecimento”, afirmou.

Para ela, os candidatos que souberam articular referências socioculturais e midiáticas saíram na frente. Filmes recentes como O Último Azul e A Substância foram citados por estudantes como repertórios possíveis, por tratarem de forma simbólica o corpo, a passagem do tempo e a percepção social sobre o envelhecer.

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