Enamed: Nova Exigência para Médicos no Brasil
O caminho para exercer a medicina no Brasil terá uma nova etapa para os futuros estudantes da área. O Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Saúde anunciaram nesta sexta-feira (19) uma medida provisória que torna o Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) requisito obrigatório para a obtenção do registro profissional nos Conselhos de Medicina.
A mudança não atinge quem já está matriculado. A exigência valerá apenas para estudantes que ingressarem nos cursos de medicina depois que a medida estiver em vigor. Para esse grupo, não bastará concluir a graduação: será necessário alcançar desempenho considerado proficiente no exame, com nota acima de 60 pontos.
Hoje, a apresentação do diploma é suficiente para solicitar o CRM. Com a nova regra, o Enamed passa a funcionar como uma espécie de filtro nacional para avaliar se o recém-formado reúne as condições mínimas para começar a atuar profissionalmente.
Segundo o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço, a medida busca aumentar a segurança da população e reforçar o controle sobre a qualidade da formação médica no país.
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“O que muda é que agora passa a ter uma prova que avalia se o estudante pode exercer a medicina ou não. Isso traz mais qualidade para a pessoa que está sendo atendida por esse profissional, porque ela quer saber se esse profissional teve um desempenho satisfatório para exercer a medicina”, disse.
O governo trata a mudança como parte de uma política de acompanhamento da formação médica. A avaliação deixa de servir apenas como instrumento de análise dos cursos e passa a ter impacto direto no acesso ao exercício profissional para os novos ingressantes.
Quem reprovar poderá tentar novamente
A reprovação no Enamed não impedirá o estudante de fazer uma nova tentativa. De acordo com o MEC, quem não atingir o nível mínimo de proficiência poderá refazer o exame nas edições seguintes.
A prova passará a ser aplicada duas vezes por ano. A nota mínima será de 60 pontos, em uma escala de 0 a 100.
O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) informou que serão usadas metodologias estatísticas para garantir que a pontuação tenha o mesmo significado em diferentes edições do exame. A ideia é evitar distorções entre provas aplicadas em datas diferentes.
Resultado de 2025 acendeu alerta
A primeira edição do Enamed, realizada em 2025, mostrou um dado que pesa na decisão do governo. Apenas 60% dos concluintes da formação médica alcançaram o mínimo de 60 pontos.
Na prática, o resultado indica que cerca de 1 em cada 3 estudantes não teria desempenho suficiente para ser considerado apto ao exercício da profissão pelo novo critério.
Esse dado ajuda a explicar por que o governo pretende transformar o exame em uma política permanente de Estado. Além de avaliar estudantes, o Enamed continuará sendo usado para monitorar a qualidade dos cursos de medicina e subsidiar processos de supervisão de instituições de ensino.
Revalida também terá mudança
A medida também mexe com a avaliação de médicos formados no exterior. A prova teórica do Revalida passará a ser substituída pelo Enamed.
A primeira edição sob as novas regras está prevista para 13 de setembro de 2026. Os resultados devem ser divulgados em 4 de dezembro.
A expectativa do MEC é ultrapassar 100 mil participantes, incluindo estudantes do quarto e do sexto ano de medicina.
