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Ensino Superior

UFRN terá graduação em Arquivologia no campus de Natal

Bacharelado será presencial, funcionará no turno vespertino no CCSA e terá formação voltada à gestão, preservação, acesso e difusão de documentos e informações.

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Resumo da Notícia

  • A UFRN aprovou nesta terça-feira (8) a criação do bacharelado em Arquivologia, que funcionará no Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), no campus de Natal.
  • A graduação terá 40 vagas anuais, ingresso principalmente pelo Sisu e oferta presencial no turno vespertino.
  • O curso terá 2.670 horas, duração média de oito semestres — quatro anos — e prazo máximo de 12 semestres para conclusão.
  • A formação será direcionada à gestão, preservação, organização, acesso e difusão de documentos e informações, incluindo demandas relacionadas a arquivos e ambientes digitais.
  • A proposta vinha sendo construída pelo Departamento de Ciência da Informação e já havia passado pelo Conselho do CCSA em agosto, após anos de pesquisas e discussões sobre a necessidade de formação de arquivistas no Rio Grande do Norte.

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) aprovou nesta terça-feira (8) a criação de um curso superior de Arquivologia em Natal, ampliando a oferta de graduações na área de Ciência da Informação. O bacharelado terá 40 vagas por ano, será presencial e funcionará no turno vespertino no Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA).

A aprovação divulgada oficialmente pela UFRN estabelece carga horária total de 2.670 horas e duração média de oito semestres, equivalentes a quatro anos. O prazo máximo para que o estudante conclua a graduação será de 12 semestres.

O ingresso ocorrerá principalmente pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A distribuição das 40 vagas entre ampla concorrência e modalidades previstas na política de reserva dependerá do processo seletivo em que o curso for efetivamente ofertado.

A criação de Arquivologia ocorreu na mesma reunião em que a universidade aprovou outro novo bacharelado. O Portal N10 mostrou que a UFRN também criou Terapia Ocupacional na Facisa, em Santa Cruz, com 40 vagas anuais. Apesar de aprovados no mesmo momento, os dois cursos possuem estruturas, campi e projetos pedagógicos próprios.

Formação vai de documentos físicos a ambientes digitais

O projeto de Arquivologia foi construído por professores do Departamento de Ciência da Informação (Decin) e amplia uma área em que a UFRN já mantém graduação em Biblioteconomia e pós-graduação em Ciência da Informação.

A formação pretende preparar profissionais para atuar na gestão, organização, preservação, acesso e difusão de documentos e informações em diferentes suportes. O campo não se restringe à guarda de papéis antigos ou à manutenção de arquivos históricos.

A expansão acelerada dos documentos digitais acrescentou novas demandas à profissão. Instituições públicas e privadas precisam estabelecer critérios para produção, classificação, armazenamento, preservação, recuperação e descarte de grandes volumes de informações, além de lidar com questões relacionadas a acesso, transparência, segurança e memória institucional.

A proposta construída no CCSA foi associada justamente a essas transformações. Quando aprovou o projeto em sua etapa interna, em agosto, o Centro destacou a expansão da documentação digital e a necessidade crescente de organização e preservação das informações como elementos que justificavam a nova formação.

O próprio Departamento de Ciência da Informação já desenvolve atividades acadêmicas relacionadas a gestão documental, preservação da informação, arquivos, memória, acesso à informação e organização do conhecimento. Em 2026, por exemplo, aparecem entre suas ações projetos e eventos sobre conservação preventiva de documentos, gestão documental e a Reunião de Arquivologia do Rio Grande do Norte.

Projeto vinha sendo discutido antes da aprovação final

A criação do bacharelado não começou com a reunião desta terça-feira. Há registros de um processo anterior de pesquisa e articulação acadêmica sobre a implantação da formação no estado.

Entre os projetos vinculados ao Departamento de Ciência da Informação aparece, desde 2023, o estudo “Diagnóstico da necessidade de profissionais arquivistas no estado do Rio Grande do Norte: contribuições para a criação de um curso de Arquivologia na UFRN”.

A discussão também chegou a encontros realizados pela universidade com profissionais da área. Em 2025, durante a 2ª Reunião de Arquivologia do Rio Grande do Norte, a programação registrada pelo Arquivo Nacional apontava que a edição anterior do evento havia debatido justamente a necessidade de criação da graduação na UFRN, então ainda em processo de implantação.

A proposta avançou institucionalmente em agosto deste ano. No dia 19, o Conselho do Centro de Ciências Sociais Aplicadas aprovou por unanimidade a criação do curso, encaminhando o processo às demais instâncias da universidade.

Na ocasião, a vice-diretora do CCSA, Pamela de Medeiros Brandão, que presidiu a reunião do Conselho de Centro, destacou o processo de construção da proposta:

“Esta aprovação representa um passo muito importante para o CCSA e é resultado de um trabalho construído com responsabilidade, planejamento e compromisso institucional.”

Naquela etapa, a criação ainda dependia da análise das instâncias superiores. A deliberação desta terça-feira representa o avanço desse processo dentro da estrutura acadêmica da UFRN.

O que faz um arquivista

A profissão de arquivista é regulamentada no Brasil pela Lei nº 6.546, de 4 de julho de 1978. A legislação estabelece atribuições que incluem planejamento, organização e direção de serviços de arquivo, acompanhamento de processos documentais, classificação e descrição de documentos e definição de medidas de preservação.

O profissional também pode atuar no planejamento de centros de documentação e informação, na seleção e avaliação de documentos, na conservação de acervos e no assessoramento de pesquisas científicas e técnico-administrativas.

A legislação federal que regulamenta a profissão de arquivista prevê o diploma em curso superior de Arquivologia reconhecido na forma da lei como uma das formas de habilitação profissional.

Na prática, o campo de trabalho alcança órgãos públicos, universidades, tribunais, hospitais, empresas, arquivos históricos, centros de documentação e instituições responsáveis por grandes conjuntos de registros físicos ou digitais.

A transformação tecnológica tornou a gestão desses documentos ainda mais ampla. Sistemas eletrônicos de processos, digitalização de acervos, bancos de dados, documentos originalmente digitais e políticas de preservação de longo prazo passaram a fazer parte da rotina de instituições que precisam garantir autenticidade, recuperação e acesso à informação.

O projeto pedagógico da UFRN também relaciona a formação a temas como transparência, cidadania e preservação da memória social, considerando demandas de instituições públicas e privadas do Rio Grande do Norte e do Nordeste.

Curso ficará dentro de estrutura que já forma profissionais da informação

O bacharelado será vinculado ao Centro de Ciências Sociais Aplicadas, no campus central da UFRN, em Natal, e ficará academicamente relacionado ao Departamento de Ciência da Informação.

O Decin surgiu em 1990, inicialmente com o nome de Departamento de Biblioteconomia. A estrutura foi criada para desenvolver a formação nessa área e passou a adotar a atual denominação de Departamento de Ciência da Informação em 2012, em meio à ampliação do campo acadêmico.

Atualmente, a unidade reúne atividades de graduação, pesquisa, extensão e pós-graduação. Além de Biblioteconomia, o CCSA conta com o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, formando uma estrutura acadêmica que poderá compartilhar debates e projetos com o novo bacharelado.

A criação de Arquivologia expande essa atuação para uma formação profissional específica prevista na legislação brasileira e que vinha sendo discutida dentro da universidade há vários anos. Com a aprovação do curso, a próxima fase envolve os procedimentos acadêmicos e administrativos necessários para que as 40 vagas anuais sejam incorporadas à oferta de graduação da UFRN.

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Brunna Mendes
Sobre o autor

Brunna Mendes

Redatora

Sou formada em Gestão Hospitalar pela Escola de Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) - ano de 2025. Apaixonada por comunicação e temas ligados à saúde pública, trago uma abordagem…

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