Resumo da Notícia
A energia eólica offshore, gerada por turbinas instaladas no mar ou em grandes mananciais de água, consolidou nas últimas décadas um ritmo de expansão que vem redesenhando cadeias produtivas e exigindo qualificação em larga escala. Segundo o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), a indústria alcançou 83,2 GW de capacidade instalada no mundo em 2024, com crescimento médio anual de 10% na última década, impulsionada por avanços na China e em países europeus como o Reino Unido.
Em paralelo, o crescimento de curto prazo se mantém concentrado nos mercados já consolidados, enquanto a atividade começa a se expandir para novas regiões, incluindo Ásia-Pacífico, Sudeste Asiático e América Latina — com o Brasil em destaque nesse movimento de transição.
Nesse contexto, o SENAI do Rio Grande do Norte acelera a preparação de profissionais para a entrada do país no mercado offshore. A avaliação do diretor regional do SENAI-RN, Rodrigo Mello, parte de um diagnóstico direto sobre a janela de oportunidade: “O offshore é a próxima fronteira brasileira para a geração de energia. Temos aí um novo horizonte, um novo mercado, uma oportunidade para o país com as melhores condições de vento do mundo, e as pessoas precisam estar preparadas para o que irá surgir”.
A perspectiva de demanda por mão de obra é robusta. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), serão necessários milhares de trabalhadores nos próximos anos para suportar construção, operação e manutenção das usinas. A sinalização de investimentos no Brasil abrange Nordeste, Sul e Sudeste, e já mobiliza instituições formadoras.
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É por isso que a FAETI (Faculdade de Energias Renováveis e Tecnologias Industriais do SENAI-RN) abrirá, em 2026, um programa de pós-graduação pioneiro no país, com 40 vagas, 14 meses de duração e inscrições já disponíveis no site da própria FAETI.
Segundo Rodrigo Mello, a especialização é desenhada para entregar competências práticas nas principais frentes de um parque offshore: “Essa é uma especialização voltada à formação de pessoas para dimensionamento de parques, operação, manutenção e outras atividades fundamentais em etapas como desenvolvimento, implantação e funcionamento dos novos complexos”, analisa, estimando a entrada dos primeiros parques comerciais brasileiros na virada da década.
Para ele, a prioridade é antecipar tecnologia e formação: “Isso quer dizer que o país tem de correr. Tecnologia e formação de pessoas precisam andar na frente da demanda. Essas indústrias, esses parques que estão previstos, precisarão de tecnologia madura e de pessoas qualificadas para a sua implantação no país”.
Do ponto de vista regulatório, o setor avança com o registro de projetos junto ao Ibama, indicando áreas e intenções de investimento para licenciamento. O marco legal citado por Mello é a Lei nº 15.097, de 10 de janeiro de 2025, que disciplina o aproveitamento do potencial energético offshore no país. A partir dessa base, o diretor reforça a necessidade de aprimoramentos:
“Nós evoluímos com a Lei nº 15.097, que disciplina o aproveitamento de potencial energético offshore no país, e agora o momento não é de compasso de espera, mas de necessidade de ajuste fino na legislação, de necessidade de o ambiente infralegal continuar a evoluir, com a regulamentação que ainda está pendente. Eu analiso que o setor e as suas instituições têm trabalhado nisso”.
O Rio Grande do Norte já protagoniza um passo concreto: dados do Ibama apontam 104 complexos eólicos offshore com processos de licenciamento abertos, e a primeira licença prévia foi emitida este ano para o estado, ligada a uma planta-piloto/sítio de testes concebida pelo SENAI-RN, via Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER).
A estratégia se conecta ao posicionamento do SENAI como parceiro direto da indústria: “Nós já temos atuado firmemente na formação de pessoas, no desenvolvimento de tecnologias e na prestação de serviços para as indústrias de energia, ouvindo as empresas, construindo com elas as soluções que nascem aqui”, destaca Mello.
Ele reforça ainda que a criação da FAETI e o lançamento da especialização não foram uma guinada oportunista, mas a evolução de um histórico de duas décadas de atuação em renováveis: “A criação da FAETI, a especialização em eólica offshore e as outras formações que temos agora ou nos planos não foram, portanto, uma decisão de virada de chave. Não foram uma mera oportunidade de mercado. Mas, sim, a busca por atender a mais uma demanda industrial, aproveitando a competência que desenvolvemos ao longo dos últimos 20 anos de trabalhos que têm envolvido as energias renováveis nos nossos centros e a infraestrutura de ponta que construímos para esse fim”, frisa.
“O SENAI tem grande proximidade com a indústria e entendeu, a partir de provocações que recebeu dessa indústria, que estava faltando uma pitada na instituição, que era a pitada de ensino superior voltada ao setor”.
Especialização: como será?
Com início previsto para janeiro, a pós-graduação em energia eólica offshore da FAETI será ofertada presencialmente em Natal (Av. Capitão-Mor Gouveia, 2770 – Lagoa Nova), com aulas quinzenais às sextas, sábados e domingos. As inscrições estão abertas na aba “Pós-graduação” do site. O investimento é de R$ 1.030,00 por mês (14 parcelas), com descontos de 20% para trabalhadores da indústria, sindicatos vinculados ao Sistema Indústria e engenheiros(as) registrados no CREA. Há ainda 10% de redução para concluintes do ensino superior de instituições públicas e para pagamento à vista no cartão. A especialização é aberta a graduados em qualquer área.
Segundo a gerente acadêmica da FAETI, Patrícia Mello, o curso atende um público amplo: “o curso atenderá a um público diversificado, incluindo profissionais de empresas de energia, consultorias, órgãos governamentais, acadêmicos, pesquisadores e gestores de políticas públicas”.
Ela também ressalta o impacto econômico e o gargalo de qualificação: “A energia eólica offshore pode gerar centenas de milhares de empregos e movimentar a economia de forma significativa. Mas a falta de formação especializada é uma barreira ao desenvolvimento, segundo relatório do Banco Mundial, já que o setor exige profissionais preparados tanto para lidar quanto para liderar essa nova demanda”.
A resposta proposta pela FAETI é direta: “O curso de pós-graduação em energia eólica offshore nasce para preencher essa lacuna, formando especialistas capazes de atuar de forma técnica e responsável nesse mercado emergente”.
A grade cobre panorama global da eólica offshore; meteorologia energética; integração à rede (aspectos técnicos e econômicos); legislação; fundações offshore; projetos de componentes mecânicos e elétricos; nacelle e rotor; otimização de parques offshore; planejamento espacial marinho; política e regulação; licenciamento ambiental; além de impactos ambientais e sociais. O corpo docente reúne mestres, doutores e especialistas de organizações como GWEC, ABEEólica, ISI-ER e órgãos reguladores, o que, na visão do SENAI, constitui um diferencial: “O curso é uma soma de competências e reúne especialistas que há muito tempo respiram esse setor”, afirma Mello.
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