Resumo da Notícia
Augusto Cury (Avante) defendeu uma reformulação do ensino brasileiro durante o primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band neste domingo (23). Ao cobrar explicações de Lula pela situação da aprendizagem, o candidato relacionou o baixo desempenho em matemática ao ensino mecânico, à formação insuficiente de professores e ao uso excessivo de telas por crianças e adolescentes.
A fala combinou diagnóstico eleitoral e propostas ainda apresentadas em linhas gerais. Cury disse que a escola precisa desenvolver raciocínio lógico, autonomia, criatividade e habilidades socioemocionais, além de preparar melhor os docentes para trabalhar com estudantes neurodivergentes.
O que Augusto Cury propôs para a educação
Ao descrever o modelo atual, Cury afirmou que “os professores são cozinheiros do conhecimento”, mas encontram alunos sem apetite para aprender. A metáfora foi usada para defender aulas menos baseadas na reprodução de conteúdo e mais voltadas à elaboração de ideias, à solução de problemas e à participação ativa dos estudantes.
O candidato também propôs treinamento docente em escala nacional e maior capacidade de inclusão nas escolas. Segundo ele, professores deveriam receber apoio para reconhecer diferentes formas de aprendizagem e acolher estudantes com autismo, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade e outras condições do neurodesenvolvimento.
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Na apresentação feita no debate, porém, Cury não detalhou custo, cronograma, fonte de recursos nem a divisão de responsabilidades entre União, estados e municípios. Esses pontos são essenciais para avaliar a viabilidade de uma política educacional, porque a educação básica é administrada por redes distintas e depende de coordenação federativa.
Dado oficial se aproxima dos 95% citados no debate
Cury afirmou que 95% dos jovens não aprendem matemática após o ensino médio. A formulação é mais abrangente do que o indicador oficial mede, mas a proporção se aproxima de um dado usado pelo Ministério da Educação: no Saeb de 2023, apenas 5,2% dos estudantes da 3ª série do ensino médio alcançaram o nível considerado adequado na disciplina.
Isso significa que 94,8% ficaram abaixo do patamar adequado, não que todos tenham saído da escola sem qualquer conhecimento matemático. O diagnóstico do programa Toda Matemática também mostra desigualdades por etapa, rede de ensino e perfil socioeconômico, o que impede atribuir o resultado a uma única causa.
O resultado mais recente indica alguma recuperação, mas ainda não resolve o problema estrutural. Segundo o Inep, responsável pelo Saeb, a proficiência média em matemática da 3ª série do ensino médio na rede pública subiu de 263,9 pontos em 2023 para 268 pontos em 2025.
Telas já são alvo de restrição nas escolas
Ao falar em “intoxicação digital”, Cury apresentou uma interpretação sobre os efeitos do uso intenso de dispositivos na atenção. O vídeo não oferece evidência para atribuir diretamente às telas o resultado de matemática, e a aprendizagem depende também de fatores como currículo, formação docente, condições das escolas e trajetória socioeconômica dos alunos.
O país já adotou uma resposta regulatória para o ambiente escolar. A Lei nº 15.100, de 2025 restringe celulares durante aulas, recreios e intervalos na educação básica, mas permite o uso para fins pedagógicos, acessibilidade, saúde e garantia de direitos.
A legislação determina ainda estratégias de orientação sobre sofrimento psíquico e os efeitos do uso imoderado de telas, além de formação para profissionais da educação. O Portal N10 detalhou as orientações do MEC e as exceções que as escolas precisam observar na aplicação da norma.
Cobrança a Lula ocorreu em debate com ausências
Cury direcionou parte da cobrança ao presidente Lula, que não compareceu ao encontro. Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) também ficaram fora, enquanto Cury, Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) participaram do debate.
Com os púlpitos vazios mantidos no estúdio, os presentes usaram as ausências para questionar os adversários que lideram ou aparecem à frente nas pesquisas. No bloco sobre educação, Cury procurou diferenciar sua candidatura ao associar indicadores de aprendizagem a uma proposta de mudança pedagógica, cuja execução ainda dependeria de detalhamento em programa de governo.
