Petrobras anuncia redução de 4,9% no preço da gasolina para distribuidoras

A queda, que equivale a R$ 0,14 por litro, foi motivada pela redução dos preços internacionais do petróleo
Petrobras anuncia redução de 4,9% no preço da gasolina para distribuidoras
Foto: iStock.com

Resumo da Notícia

A decisão da Petrobras de reduzir o preço da gasolina em 4,9% marca um novo capítulo no debate sobre combustíveis no país. A queda, que equivale a R$ 0,14 por litro, passou a valer a desde terça-feira (21) e faz com que o preço médio cobrado nas refinarias seja de R$ 2,71. A dúvida agora é quanto dessa redução chegará de fato ao bolso do consumidor nos postos.

A estatal explicou que o corte foi motivado pela queda dos preços internacionais do petróleo e pela atual política de preços, que desde maio de 2023 não segue mais o modelo de paridade de importação. Hoje, os reajustes são feitos de forma mais espaçada, com o objetivo de dar estabilidade ao mercado interno, ainda considerando o cenário global como referência.

Petrobras anuncia redução de 4,9% no preço da gasolina para distribuidoras
Foto: Reprodução

Para especialistas, o impacto final dependerá do comportamento das distribuidoras e revendedoras. Paulo Tavares, presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes no Distrito Federal, explicou que o repasse pode ocorrer de forma integral, parcial ou até ser adiado, dependendo dos estoques e margens de lucro. Segundo estimativas da Warren Investimentos, se a redução for integralmente repassada, o corte na bomba poderá ficar próximo de R$ 0,10 por litro.

Hoje, a gasolina no país custa em média R$ 6,20, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Desse valor, apenas 32,2% correspondem à parcela da Petrobras. O restante inclui impostos estaduais (23,4%), distribuição e revenda (16,9%), custo do etanol anidro (13,2%) e tributos federais (11,2%). Por isso, reduções na refinaria nem sempre se refletem diretamente no preço final.

Petrobras anuncia redução de 4,9% no preço da gasolina para distribuidoras
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) calcula que a redução potencial nas bombas pode variar entre R$ 0,09 e R$ 0,10, mas alerta que em regiões abastecidas por refinarias privadas ou gasolina importada o preço pode permanecer inalterado. Além disso, a mudança ocorre num momento em que a gasolina está mais cara que o produto no exterior, abrindo espaço para importações.

Essa é a segunda redução no preço da gasolina em 2025, somando queda acumulada de mais de 10%. A primeira foi em junho, quando a estatal cortou 5,6%, ou R$ 0,31 por litro. Analistas avaliam o movimento atual como conservador, mantendo os preços ainda cerca de R$ 0,19 acima da paridade internacional, segundo cálculos da StoneX.

O corte também tem efeito direto sobre a concorrência com o etanol hidratado, pressionando as usinas num momento em que os preços do açúcar estão em baixa. Especialistas lembram que, caso as distribuidoras não repassem a queda de forma proporcional, podem ampliar margens de lucro — algo que já ocorreu em outras ocasiões, segundo órgãos de fiscalização.

Para o economista Eric Gil Dantas, do Observatório Social do Petróleo, a medida reflete um ambiente externo mais favorável, com queda no preço do barril e maior oferta global, inclusive da Opep+. Ele avalia que o efeito nas bombas dependerá mais das práticas comerciais internas do que da decisão da Petrobras.

Por fim, mesmo com a redução da gasolina, a estatal manteve os preços do diesel estáveis após três cortes ao longo do ano. O objetivo declarado é equilibrar competitividade, estabilidade e previsibilidade, num mercado cada vez mais sensível a oscilações internacionais e disputas comerciais.

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