Pesquisa mostra que maioria dos brasileiros apoia o fim da escala 6×1 sem corte de salário

Um dos dados mais expressivos do estudo aponta que 84% dos entrevistados defendem que o trabalhador tenha, no mínimo, dois dias de folga por semana.
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Agência Brasil

Resumo da Notícia

A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos e descansa apenas um — ganhou força com novos dados de opinião pública. Uma pesquisa nacional revela que 73% dos brasileiros apoiam o encerramento desse formato, desde que não haja redução salarial, reforçando um sentimento majoritário de que a jornada atual é desgastante e pouco compatível com a realidade econômica do país.

O levantamento foi realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro, em todas as 27 unidades da federação. Ao todo, 2.021 pessoas com mais de 16 anos foram entrevistadas, o que confere amplitude nacional e diversidade social aos resultados.

Um dos dados mais expressivos do estudo aponta que 84% dos entrevistados defendem que o trabalhador tenha, no mínimo, dois dias de folga por semana. O número evidencia que, independentemente do modelo exato de jornada, existe um consenso social crescente de que um único dia de descanso não é suficiente para a recuperação física, mental e social do trabalhador brasileiro.

Essa percepção ajuda a explicar por que o debate sobre a escala 6×1 deixou de ser apenas uma pauta sindical e passou a ocupar espaço no Congresso Nacional e no governo federal, tornando-se tema recorrente em discussões sobre produtividade, saúde ocupacional e qualidade de vida.

Maioria conhece o debate, mas informação ainda é desigual

Segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, 62% dos brasileiros sabem que existe uma proposta em discussão para acabar com a escala 6×1, enquanto 35% nunca ouviram falar do assunto. Entre os que têm algum conhecimento, apenas 12% afirmam conhecer bem a proposta, e 50% dizem ter informações superficiais.

A gente tem de cara 35%, ou seja, uma de cada três pessoas que nunca nem ouviu falar desse negócio. E dos 62% que já ouviram falar, 12% conhecem bem e 50% conhecem mais ou menos”, explicou Tokarski em entrevista à Agência Brasil.

O dado revela que, apesar do apoio expressivo, a discussão ainda não chegou de forma clara a toda a população, o que tende a influenciar posicionamentos mais firmes à medida que o tema avança no Legislativo.

Salário é o ponto central da resistência

Quando a pesquisa aprofunda o debate e associa a redução da jornada a uma eventual diminuição de salário, o cenário muda de forma significativa. De maneira genérica, 63% se dizem favoráveis ao fim da escala 6×1, mas esse apoio cai drasticamente se houver impacto direto na renda mensal.

Entre os entrevistados, 30% afirmam apoiar o fim da escala apenas se o salário for mantido. Já entre os 22% que se colocam contra o fim da jornada, há uma divisão curiosa: 11% continuam contrários em qualquer cenário, enquanto 10% dizem que aceitariam o fim da escala se não houver redução salarial.

Com a hipótese de salário menor, apenas 28% permanecem favoráveis, tornando-se minoria. Outros 40% só aceitam mudanças se o bolso não for afetado, e 5% dizem apoiar o fim da jornada, mas ainda não têm posição definida sobre a questão salarial.

Debate no Congresso tende a se concentrar na remuneração

Para Marcelo Tokarski, o grande embate político nos próximos meses não será exatamente sobre a redução da jornada, mas sobre quem arca com o custo dessa mudança. “Não dá para trabalhar seis dias e folgar um só”, afirmou. Segundo ele, as empresas defendem que qualquer redução venha acompanhada de corte salarial, enquanto os trabalhadores rejeitam fortemente essa possibilidade.

Essa é a grande questão, porque as empresas defendem que a jornada não seja reduzida mas, se houver redução, é com diminuição do salário. E os trabalhadores, de maneira geral, não topam uma redução de jornada com redução de salário”, explicou.

Renda baixa limita escolhas do trabalhador

Tokarski avalia que o contexto econômico brasileiro pesa diretamente na opinião popular. Em um país de renda média baixa e com alto grau de precarização do trabalho, a maioria das pessoas não pode abrir mão de parte do salário, mesmo reconhecendo a importância de mais tempo de descanso.

Acho que é um pouco essa leitura que a pesquisa nos traz e que joga luz sobre essa discussão”, afirmou. Para ele, o desejo por mais folgas é quase universal, mas esbarra na realidade das contas do mês. “Quem não quer ter folga a mais? Todo mundo quer. Agora, quando a gente coloca que você vai trabalhar um dia menos, mas vai ganhar menos, o cara não quer porque tem conta para pagar. Acho que é um pouco isso que o dado evidencia ali para a gente”.

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