Resumo da Notícia
A disputa bilionária que envolve Warner Bros. Discovery, Netflix e Paramount Skydance entrou em uma fase decisiva. A Paramount tem apenas seis dias para apresentar uma proposta capaz de convencer a Warner Bros a abandonar o acordo já encaminhado com a Netflix, em um cenário que pode redefinir o futuro de estúdios históricos de Hollywood, do streaming global e de uma das maiores bibliotecas de conteúdo audiovisual do mundo.
O prazo final foi estabelecido pela própria Warner Bros, que deixou claro: a Paramount precisa entregar sua “melhor e última oferta” até 23 de fevereiro, superando os valores já colocados à mesa e, principalmente, demonstrando que sua proposta tem chances reais de gerar um negócio superior ao acordo firmado com a Netflix, atualmente avaliado em US$ 108,4 bilhões.
Não perca nada!
Faça parte da nossa comunidade:
Conselho da Warner Bros mantém preferência pela Netflix
Apesar de reabrir a janela de negociação, o tom da Warner Bros segue cauteloso — e, em muitos trechos, claramente desfavorável à Paramount.
Em carta enviada ao conselho da Paramount, o presidente da Warner Bros, Samuel DiPiazza Jr., e o CEO David Zaslav foram diretos ao afirmar que a proposta rival não atende aos critérios necessários para substituir a fusão com a Netflix.
“Nósso Conselho não determinou que sua proposta tem probabilidade razoável de resultar em uma transação superior à fusão com a Netflix”, escreveram os executivos. Em outro trecho da mesma carta, reforçaram: “Continuamos a recomendar e permanecemos totalmente comprometidos com nossa transação com a Netflix.”
Mesmo com a Paramount indicando, de maneira informal, que poderia elevar sua oferta de US$ 30 para US$ 31 por ação, a Warner Bros sinalizou que o movimento não foi suficiente para alterar o posicionamento atual do conselho.
Paramount acusa falta de diálogo ao longo das negociações
Do lado da Paramount, o discurso é de frustração. A empresa afirma que o conselho da Warner Bros “nunca se envolveu significativamente” nas negociações, mesmo após seis ofertas diferentes apresentadas ao longo de 12 semanas, período que antecedeu o anúncio oficial do acordo entre Warner Bros e Netflix, feito em 5 de dezembro.
Uma das tentativas mais robustas ocorreu no início de janeiro, quando a Paramount apresentou uma proposta revisada que incluía uma garantia pessoal de US$ 40 bilhões em patrimônio de Larry Ellison, fundador da Oracle e pai de David Ellison, CEO da Paramount Skydance. Ainda assim, a oferta foi recusada.
Netflix tem direito de igualar qualquer nova proposta
Um dos fatores que tornam a missão da Paramount ainda mais complexa é uma cláusula decisiva do acordo atual. A Netflix possui o direito contratual de igualar qualquer oferta superior apresentada por um concorrente, o que significa que, mesmo que a Paramount aumente significativamente os valores, a plataforma de streaming pode simplesmente cobrir a proposta e manter o controle da negociação.
Atualmente, a oferta da Netflix gira em torno de US$ 27,75 por ação, valor inferior ao que a Paramount sinalizou estar disposta a pagar. Ainda assim, o conselho da Warner Bros avalia que o acordo com a Netflix oferece maior previsibilidade, sinergia operacional e segurança regulatória, fatores considerados críticos em um mercado de mídia em rápida transformação.
Uma disputa que vai muito além de números
A batalha entre Netflix e Paramount pelo controle da Warner Bros não se resume a valores por ação. O que está em jogo é o domínio sobre estúdios de cinema e televisão históricos, marcas globais e uma biblioteca de conteúdo estratégica, capaz de influenciar o futuro do entretenimento mundial nas próximas décadas.
Com a reestruturação prevista, a Warner Bros planeja desmembrar suas operações de cabo, formando a Discovery Global, que reunirá ativos como CNN, TLC, Food Network e HGTV, operando como uma empresa separada e de capital aberto. Segundo estimativas da própria Warner Bros, as ações da Discovery Global podem variar entre US$ 1,33 e US$ 6,86, dependendo das condições de mercado e da configuração final do negócio.
Votação decisiva se aproxima
Mesmo com a pressão da Paramount, a Warner Bros segue avançando com os trâmites da fusão com a Netflix. Os acionistas estão convocados para votar o acordo em 20 de março, etapa considerada fundamental para a consolidação da operação.
Caso a Paramount não consiga apresentar uma proposta suficientemente convincente dentro do prazo de sete dias — ou se a Netflix optar por igualar qualquer novo valor —, a tendência é que o acordo com a gigante do streaming seja sacramentado, encerrando uma das disputas corporativas mais relevantes já vistas no setor de entretenimento.

