Resumo da Notícia
O dólar voltou a superar a marca de R$ 5,00 nesta quarta-feira (29 de abril de 2026), em uma sessão marcada por cautela antes das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Depois de abrir em leve queda, a moeda americana ganhou força ao longo da manhã: por volta das 10h33, o dólar futuro (DOLFUT) subia 0,52%, negociado a R$ 5,002. No câmbio comercial, a cotação avançava para a faixa de R$ 5,01.
O movimento é visto como um ajuste técnico após a valorização recente do real em abril. A moeda brasileira havia saído de patamares entre R$ 5,20 e R$ 5,30 para mínimas abaixo de R$ 5,00, abrindo espaço para investidores realizarem lucros e reorganizarem posições.
Na abertura do mercado, por volta das 9h, o câmbio ainda operava em queda de 0,05%, a R$ 4,9800. A virada veio no decorrer da manhã, com maior cautela diante da chamada “Super Quarta”, quando investidores acompanham decisões de política monetária nos dois países.
O que o mercado espera do Fed e do Copom
Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Federal Reserve (Fed) mantenha os juros inalterados pela terceira vez seguida. Além da decisão, o mercado acompanha as declarações do presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell.
Escolha o Portal N10 como fonte de confiança
Adicione o Portal N10 às suas Fontes Preferidas e acompanhe nosso perfil para receber mais notícias quando o assunto estiver em alta.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) define a Selic. A maioria das instituições financeiras projeta um novo corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa de 14,75% para 14,50% ao ano. A mediana das projeções para o fim de 2026 avançou para 13%.
Apesar da pressão pontual sobre o real, o Brasil ainda conta com um fator de sustentação: o diferencial elevado de juros em termos reais, que tende a atrair capital estrangeiro e aumentar a demanda por ativos locais.
Tensão entre EUA, China e Irã pesa sobre os mercados
O cenário externo também influencia a busca por proteção. Investidores acompanham o impasse nas negociações para encerrar a guerra entre norte-americanos, Israel e Irã, além dos efeitos das novas sanções anunciadas pelos Estados Unidos.
Na terça-feira (28), os EUA ampliaram sanções contra a rede financeira paralela do Irã, com o objetivo de dificultar o acesso do país a dinheiro internacional. O governo norte-americano também alertou bancos sobre riscos de negócios com refinarias independentes chinesas que estariam comprando petróleo iraniano.
As medidas restringem o fluxo global do petróleo do Irã e elevam a tensão entre EUA, China e Irã. A alta contínua da commodity mantém preocupações com inflação e política monetária, justamente no dia em que o mercado aguarda a decisão do Fed.
Outro ponto acompanhado nesta quarta-feira é a votação, no Comitê Bancário do Senado, da indicação de Kevin Warsh para o banco central norte-americano.
Warsh chega ao debate sob pressão de Donald Trump para redução das taxas de juros. Em audiência com senadores na semana passada, ele afirmou que seu julgamento sobre o tema seria livre de considerações políticas.
