Dólar rompe R$ 5 antes de decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos

O mercado acompanha decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. A expectativa é de manutenção das taxas pelo Fed e corte de 0,25 ponto percentual na Selic pelo Copom, levando a taxa brasileira a 14,50% ao ano.
Brasil tem segunda maior saída de dólares da história em 2025
Crédito: © Valter Campanato/Agência Brasil

Resumo da Notícia

  • O dólar ultrapassou a marca de R$ 5,00 em 29 de abril de 2026, impulsionado pela cautela do mercado.
  • O movimento é visto como um ajuste técnico após a valorização recente do real em abril.
  • Investidores aguardam as decisões de juros do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos e do Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil.
  • A expectativa é que o Fed mantenha os juros, enquanto o Copom deve cortar a Selic em 0,25 ponto percentual.
  • A tensão geopolítica entre EUA, China e Irã, com novas sanções americanas, também contribui para a busca por proteção no mercado.
  • A alta contínua do petróleo, influenciada pelas restrições ao Irã, mantém preocupações com a inflação global.
  • A votação da indicação de Kevin Warsh para o banco central norte-americano também é acompanhada de perto.
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O dólar voltou a superar a marca de R$ 5,00 nesta quarta-feira (29 de abril de 2026), em uma sessão marcada por cautela antes das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Depois de abrir em leve queda, a moeda americana ganhou força ao longo da manhã: por volta das 10h33, o dólar futuro (DOLFUT) subia 0,52%, negociado a R$ 5,002. No câmbio comercial, a cotação avançava para a faixa de R$ 5,01.

O movimento é visto como um ajuste técnico após a valorização recente do real em abril. A moeda brasileira havia saído de patamares entre R$ 5,20 e R$ 5,30 para mínimas abaixo de R$ 5,00, abrindo espaço para investidores realizarem lucros e reorganizarem posições.

Na abertura do mercado, por volta das 9h, o câmbio ainda operava em queda de 0,05%, a R$ 4,9800. A virada veio no decorrer da manhã, com maior cautela diante da chamada “Super Quarta”, quando investidores acompanham decisões de política monetária nos dois países.

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O que o mercado espera do Fed e do Copom

Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Federal Reserve (Fed) mantenha os juros inalterados pela terceira vez seguida. Além da decisão, o mercado acompanha as declarações do presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) define a Selic. A maioria das instituições financeiras projeta um novo corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa de 14,75% para 14,50% ao ano. A mediana das projeções para o fim de 2026 avançou para 13%.

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Apesar da pressão pontual sobre o real, o Brasil ainda conta com um fator de sustentação: o diferencial elevado de juros em termos reais, que tende a atrair capital estrangeiro e aumentar a demanda por ativos locais.

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Tensão entre EUA, China e Irã pesa sobre os mercados

O cenário externo também influencia a busca por proteção. Investidores acompanham o impasse nas negociações para encerrar a guerra entre norte-americanos, Israel e Irã, além dos efeitos das novas sanções anunciadas pelos Estados Unidos.

Na terça-feira (28), os EUA ampliaram sanções contra a rede financeira paralela do Irã, com o objetivo de dificultar o acesso do país a dinheiro internacional. O governo norte-americano também alertou bancos sobre riscos de negócios com refinarias independentes chinesas que estariam comprando petróleo iraniano.

As medidas restringem o fluxo global do petróleo do Irã e elevam a tensão entre EUA, China e Irã. A alta contínua da commodity mantém preocupações com inflação e política monetária, justamente no dia em que o mercado aguarda a decisão do Fed.

Outro ponto acompanhado nesta quarta-feira é a votação, no Comitê Bancário do Senado, da indicação de Kevin Warsh para o banco central norte-americano.

Warsh chega ao debate sob pressão de Donald Trump para redução das taxas de juros. Em audiência com senadores na semana passada, ele afirmou que seu julgamento sobre o tema seria livre de considerações políticas.

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