Após oito recusas, Paramount judicializa disputa com Warner Bros. por negócio com a Netflix

O conselho de administração da Warner Bros. Discovery declarou apoio unânime ao acordo com a Netflix, classificando-o como uma “proposta superior”, com maior valor e níveis mais altos de segurança, em comparação com a oferta apresentada pela Paramount.
Após oito recusas, Paramount judicializa disputa com Warner Bros. por negócio com a Netflix
Paramount vai à Justiça contra Warner Bros. e cobra transparência em acordo com a Netflix

Resumo da Notícia

A Paramount Global decidiu elevar o tom da disputa corporativa contra a Warner Bros. Discovery e entrou com uma ação judicial para forçar a divulgação de informações financeiras detalhadas sobre o acordo firmado entre a companhia e a Netflix.

A medida ocorre após rejeições sucessivas da proposta de aquisição apresentada pela Paramount e reforça um embate que já se desenha como um dos mais tensos do setor de mídia e streaming nos Estados Unidos.

No centro da ofensiva está David Ellison, presidente e diretor-executivo da Paramount. Ele acionou a Corte de Chancelaria de Delaware, pedindo que a Warner Bros. Discovery seja obrigada a revelar como avaliou financeiramente a operação com a Netflix, estimada em US$ 83 bilhões, além de explicar os critérios adotados para rejeitar a oferta rival da Paramount.

O que a Paramount quer saber sobre o acordo com a Netflix

Segundo a ação judicial, a Paramount sustenta que os acionistas da Warner Bros. Discovery não receberam informações suficientes para avaliar corretamente a proposta em curso. Em uma carta aberta enviada aos acionistas da WBD, David Ellison foi direto ao ponto ao criticar a falta de transparência:

A WBD deixou de incluir qualquer divulgação sobre como avaliou a participação residual de capital da Global Networks, como avaliou a transação geral com a Netflix, como funciona a redução do preço de compra relacionada à dívida na transação com a Netflix, ou mesmo qual é a base do seu ‘ajuste de risco’ em relação à nossa oferta integral em dinheiro de US$ 30 por ação.

Para a Paramount, esses dados são essenciais para que os acionistas possam tomar uma decisão informada. No processo, a empresa pede que a Justiça “simplesmente determine que a WBD forneça essas informações, para que os acionistas da WBD tenham o que precisam para decidir, de forma consciente, se devem ou não entregar suas ações à nossa oferta”.

A investida da Paramount não é nova. A companhia apresentou uma proposta avaliada em US$ 108,4 bilhões, com pagamento de US$ 30 por ação, valor que, segundo a própria Paramount, representa um prêmio significativo aos acionistas da Warner Bros. Discovery. Ainda assim, o conselho da WBD rejeitou a oferta oito vezes, optando por seguir com o acordo já firmado com a Netflix.

O argumento central da Warner Bros. Discovery é que a proposta da Paramount não atende aos melhores interesses dos acionistas, principalmente por envolver um nível elevado de endividamento e incertezas quanto à origem dos recursos para concluir a operação. Para o conselho, o acordo com a Netflix se enquadra como uma “proposta superior”, oferecendo mais segurança e previsibilidade.

Conselho da Warner Bros. defende unanimemente a Netflix

O posicionamento do conselho foi reforçado publicamente por Samuel Di Piazza Jr., presidente do conselho de administração da Warner Bros. Discovery. Em declaração oficial, ele afirmou que a decisão foi unânime: Veja também a análise de streaming.

A oferta da Paramount continua a oferecer valor insuficiente, incluindo termos como um nível extraordinário de financiamento por dívida que cria riscos para a conclusão da transação e carece de proteções para nossos acionistas caso o negócio não seja finalizado. Nosso acordo vinculante com a Netflix oferecerá valor superior, com níveis mais elevados de certeza, sem os riscos e custos significativos que a oferta da Paramount imporia aos nossos acionistas.

A fala deixa claro que, do ponto de vista da governança da WBD, não há espaço para reavaliar a proposta da Paramount neste momento.

A disputa também ganhou contornos regulatórios. Poucos dias antes do processo judicial, o diretor jurídico da Paramount, Makan Delrahim, enviou uma carta ao subcomitê antitruste do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. No documento, ele alertou que a fusão entre Warner Bros. Discovery e Netflix pode conceder à plataforma de streaming domínio no mercado de vídeo sob demanda por streaming.

Até o momento, nem a Warner Bros. Discovery nem a Netflix comentaram oficialmente a ação movida por David Ellison. Nos bastidores, porém, o recado parece claro: as empresas seguem firmes na parceria e não demonstram interesse em abrir negociação com a Paramount.

Um impasse que tende a se prolongar

A Paramount afirma que continuará buscando alternativas, inclusive no Judiciário, para ter acesso aos números da transação. Resta saber se a Co Leia a cobertura completa de streaming.rte de Delaware obrigará a Warner Bros. Discovery a divulgar informações sensíveis ou se o processo servirá apenas para aumentar a pressão política e regulatória sobre o acordo com a Netflix.

Por ora, o cenário indica que a Warner Bros. Discovery não pretende recuar, e a tentativa de aquisição pela Paramount enfrenta um bloqueio que vai além do valor financeiro: envolve estratégia, governança, risco regulatório e, sobretudo, o futuro do poder no mercado global de streaming.

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