Midway Mall é vendido por R$ 1,6 bilhão e encerra era da família Rocha no controle

A compra será paga de forma parcelada, com parte do valor ingressando no caixa da companhia de imediato e o restante sendo liberado ao longo dos próximos anos.
Midway Mall é vendido por R$ 1,6 bilhão e encerra era da família Rocha no controle
Midway Mall / Natal

Resumo da Notícia

A Guararapes, controladora das lojas Riachuelo, confirmou a venda do Midway Mall, maior shopping de Natal e um dos principais centros comerciais do Nordeste, por R$ 1,6 bilhão. O negócio, considerado histórico, marca um movimento de realocação de capital aguardado há anos pelos investidores da companhia.

A operação ainda depende da conclusão de diligências e da assinatura do contrato definitivo entre as partes, mas já representa um marco para o grupo. O valor da transação corresponde a quase 30% do valor de mercado da Guararapes, que encerrou a sexta-feira (7) avaliada em R$ 5,5 bilhões na B3. As ações da empresa subiram quase 3% no pregão após o anúncio.

O acordo foi formalizado por meio de um memorando de entendimento entre a Guararapes e um consórcio de investidores liderado pela Capitânia, que inclui gestoras de fundos imobiliários, um player do setor com presença na região e uma tradicional família nordestina. O processo foi conduzido pelo BTG Pactual, contratado pela Guararapes há cerca de seis meses para estruturar a negociação.

A compra será paga de forma parcelada, com parte do valor ingressando no caixa da companhia de imediato e o restante sendo liberado ao longo dos próximos anos. Fontes ligadas à operação afirmam que a rapidez na conclusão do negócio reflete a maturidade e o interesse mútuo das partes envolvidas.

O ativo mais simbólico da Guararapes

Fachada do Shopping Midway Mall (Foto: Divulgação)

Inaugurado em 2005, o Midway Mall foi idealizado por Nevaldo Rocha, fundador da Guararapes e um dos nomes mais influentes da história do varejo nacional. O shopping consolidou-se como o maior centro comercial do Rio Grande do Norte, com forte apelo regional e mais de 230 lojas.

A venda do ativo era uma demanda antiga de acionistas minoritários, que viam na operação uma forma de liberar valor ao mercado. No entanto, a decisão só se tornou possível após o falecimento de Nevaldo Rocha, em 2020. O empresário era conhecido pelo vínculo afetivo com o empreendimento e pela resistência em adotar medidas que considerava impopulares, como a cobrança de estacionamento — decisão mantida durante toda sua vida.

Com a conclusão da venda, analistas apontam que a Guararapes deve distribuir parte relevante dos recursos aos acionistas. A companhia opera atualmente com alavancagem reduzida, de apenas 0,5 vez o EBITDA dos últimos 12 meses, e sem grandes planos de expansão.

A medida também se mostra estratégica diante da tributação de dividendos prevista para 2026, o que tem levado várias empresas a antecipar repasses ainda em 2025. Dessa forma, o negócio reforça o caixa da Guararapes e atende ao interesse do mercado por maior retorno de capital.

Assessoria financeira e jurídica

A Guararapes contou com assessoria financeira do BTG Pactual e assessoria jurídica do Cescon Barrieu Advogados. Já os compradores foram assessorados pela XP Investimentos, com suporte do BMA Advogados.

O desfecho consolida uma das maiores transações do setor imobiliário nordestino nos últimos anos e encerra um capítulo simbólico na história do grupo fundado por Nevaldo Rocha — o mesmo empreendedor que transformou a Riachuelo em uma das maiores redes de varejo do país.

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