Resumo da Notícia
O dólar abriu esta quarta-feira (8) em queda, recuando 1,39% pouco depois do início dos negócios, a R$ 5,0831, em um movimento puxado pela redução temporária das tensões entre Estados Unidos e Irã.
O mercado reagiu ao anúncio de um cessar-fogo de duas semanas, com impacto imediato sobre o petróleo e alívio no ambiente internacional. No Brasil, além do cenário externo, os investidores também acompanham a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na CPI do Crime Organizado.
A leitura predominante no início do dia foi de descompressão. Com a sinalização de trégua e a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, um dos pontos mais sensíveis do comércio global de petróleo, os preços da commodity despencaram e ajudaram a reduzir a aversão ao risco nos mercados.
Queda do petróleo ajuda a explicar recuo do dólar
A reação mais visível ao acordo temporário entre Washington e Teerã apareceu no mercado de energia. Pouco antes das 9h, o barril do Brent, referência internacional, caía 15,31%, a US$ 92,54. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, recuava 17,26%, para US$ 93,43.
Esse movimento ajudou a aliviar a tensão dos investidores logo no começo do pregão. Em momentos de crise geopolítica, a pressão sobre o petróleo costuma contaminar moedas, bolsas e ativos de países emergentes. Com a trégua temporária entrando no radar, o efeito foi o inverso: o mercado passou a reduzir parte do prêmio de risco embutido nos preços.
O acordo temporário foi anunciado em meio à atuação do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que aparece como mediador das conversas. As negociações entre os dois países estão previstas para ocorrer em Islamabad, capital paquistanesa.
Segundo o noticiário citado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira (7) uma trégua temporária e decidiu adiar por duas semanas um ultimato que previa novos ataques. A medida abriu espaço para negociação e incluiu a reabertura do Estreito de Ormuz.
Trump afirmou que os objetivos militares dos EUA no Irã já teriam sido alcançados e disse que as tratativas para um acordo definitivo estariam avançando. Ainda de acordo com as informações divulgadas, Washington teria recebido de Teerã uma proposta com 10 pontos, considerada uma base possível para negociação.
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, confirmou que um acordo foi fechado. Ele afirmou que o Irã vai suspender ações defensivas, desde que os ataques contra o país também sejam interrompidos. Também declarou que, durante a trégua, a navegação pelo Estreito de Ormuz será considerada segura, embora com condições.
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Bolsas sobem no exterior e investidores aguardam Fed
O alívio geopolítico também deu impulso às bolsas internacionais. Nos Estados Unidos, antes mesmo da abertura do pregão, os contratos futuros já apontavam avanço: S&P 500 em alta de 2,7%, Dow Jones com ganho de 2,6% e Nasdaq subindo 3,4%.
Na Europa, o movimento também era forte. Por volta das 9h30, o índice STOXX 600 avançava 4,05%, aos 614,52 pontos. Entre as principais bolsas da região, o CAC 40, da França, subia 4,5%; o DAX, da Alemanha, avançava quase 5%; e o FTSE 100, do Reino Unido, registrava alta de 2,9%.
Na Ásia, o fechamento já havia sido positivo. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 3,1%, o Shanghai Composite avançou 2,7%, o Nikkei 225, do Japão, saltou 5,4%, e o Kospi, da Coreia do Sul, teve alta de 6,9%.
Além da trégua no Oriente Médio, os investidores aguardam a ata da última reunião do Federal Reserve, documento que detalha as discussões que levaram à decisão de manter os juros nos Estados Unidos.
Como ficam dólar e Ibovespa no acumulado
No caso do dólar, os números acumulados informados até agora são:
- Semana: -0,09%
- Mês: -0,46%
- Ano: -6,08%
Já o Ibovespa, que abre às 10h, chega ao dia com os seguintes acumulados:
- Semana: +0,11%
- Mês: +0,42%
- Ano: +16,84%
O dado mostra que, apesar da volatilidade internacional, o mercado brasileiro vinha operando com desempenho positivo no índice da bolsa e com perda acumulada da moeda americana ao longo de 2026. Em dezembro de 2025, o dólar chegou a custar R$ 5,70.