Resumo da Notícia
O setor de bares e restaurantes do Rio Grande do Norte iniciou 2026 sob pressão financeira. Pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) indica que mais de 40% dos estabelecimentos estavam endividados em janeiro, refletindo dificuldades que atingem uma parte significativa do setor de alimentação fora do lar no estado.
O levantamento também mostra que um em cada quatro bares e restaurantes registrou prejuízo no primeiro mês do ano, evidenciando um cenário de forte pressão sobre o caixa dos empresários. A pesquisa foi realizada entre os dias 23 de fevereiro e 3 de março com empresários do segmento.
De acordo com os dados coletados, 25% dos estabelecimentos tiveram resultado negativo em janeiro, enquanto 50% relataram lucro no período. Outros 24% disseram que o faturamento ficou estável, sem crescimento nem perda relevante.
Endividamento atinge quase metade dos negócios
O estudo da entidade revela que 44% dos bares e restaurantes entrevistados possuem pagamentos em atraso, situação que caracteriza endividamento no setor.
Entre as principais obrigações financeiras citadas pelos empresários, os débitos tributários aparecem com maior peso:
- 83% mencionaram dívidas relacionadas a impostos federais
- 53% relataram atrasos em impostos estaduais
- 43% apontaram empréstimos bancários como fonte de endividamento
O cenário revela a dificuldade de muitos estabelecimentos em equilibrar receitas e despesas, especialmente em períodos de menor movimento.
Janeiro costuma ser mais difícil para o setor
O desempenho financeiro mais fraco no início do ano não surpreende representantes do setor. Segundo a Abrasel, o período costuma apresentar redução no fluxo de clientes e maior pressão no orçamento das famílias, o que afeta diretamente o consumo em bares e restaurantes.
Para o presidente da entidade no Rio Grande do Norte, Thiago Machado, fatores sazonais ajudam a explicar o resultado.
“O início do ano é sempre mais desafiador, com muita gente viajando para as praias e, logo na sequência, o Carnaval. Além disso, há uma concentração de despesas típicas desse período, como IPTU, IPVA e gastos com a volta às aulas, o que acaba reduzindo o consumo.”
Esse conjunto de despesas domésticas tende a reduzir o orçamento disponível para lazer e alimentação fora de casa, impactando diretamente o faturamento do setor.
Receita caiu em parte dos estabelecimentos
A pesquisa também avaliou a variação de faturamento em relação ao mês anterior. Para 45% dos empresários, a receita de janeiro foi menor do que a registrada em dezembro, mês tradicionalmente mais forte para o setor.
Por outro lado, 40% relataram aumento no faturamento, enquanto 13% afirmaram que a receita permaneceu praticamente estável no período analisado.
Dificuldade para repassar custos
Outro ponto relevante apontado pela pesquisa envolve o reajuste de preços. Muitos empresários relataram dificuldade em transferir o aumento dos custos operacionais para o consumidor final.
Segundo os dados levantados:
- 37% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar preços nos últimos 12 meses
- 54% fizeram reajustes iguais ou abaixo da inflação
- 9% afirmaram ter aplicado aumentos acima da inflação
Para a Abrasel, esse comportamento indica que uma parcela relevante do setor está absorvendo parte dos custos, o que pode comprometer a saúde financeira dos negócios no médio prazo.
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