Luiza Trajano diz que fim da escala 6×1 exige debate e alerta para custo das empresas

A empresária disse que subir custos das empresas “é inviável” e que reduzir salários “não é bom”, defendendo que a negociação sobre a jornada seja feita com análise dos efeitos para os dois lados.
Fim da escala 6×1 precisa considerar trabalhadores e empresas, afirma Luiza Trajano
A empresária Luiza Trajano, presidente do conselho de administração da Magalu - Crédito: Instagram/@magazineluiza

Resumo da Notícia

  • Luiza Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza, defende um amplo debate sobre o fim da escala 6x1, considerando impactos para empresas e a necessidade de descanso dos trabalhadores.
  • Ela alerta que aumentar custos para empresas é inviável e reduzir salários não é bom, sugerindo negociação para encontrar uma solução equilibrada.
  • A empresária enfatiza a importância da produtividade para a competição mundial e a situação das mulheres, que enfrentam dupla jornada.
  • O governo Lula enviou um projeto de lei ao Congresso para acabar com a escala 6x1 e reduzir a jornada para no máximo 40 horas semanais.
  • Há também duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) na Câmara (Erika Hilton e Reginaldo Lopes) propondo jornadas de 36 horas, com diferentes períodos de transição.
  • Setores produtivos alertam para aumento de custos, repasse ao consumidor e inflação, enquanto defensores apontam melhoria da qualidade de vida, redução de doenças psicossociais e potencial geração de empregos.
  • Um estudo da Unicamp sugere que a redução da jornada para 36 horas poderia gerar até 4,5 milhões de empregos no Brasil e elevar a produtividade em cerca de 4%.
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A empresária Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, afirmou que o debate sobre o fim da escala 6×1 ainda “exige uma discussão muito grande”. Em entrevista ao programa IstoÉ Mulher + Fructus Entrevista, ela defendeu que a proposta precisa considerar, ao mesmo tempo, os impactos para as empresas e a necessidade de descanso dos trabalhadores.

À frente do Magazine Luiza por mais de 30 anos, Luiza avaliou que aumentar custos para as empresas “é inviável”, assim como reduzir salários “não é bom”. Para ela, a saída passa por uma negociação mais ampla, com análise dos efeitos para os dois lados.

Teria que sentar na mesa e ver o que é para os dois lados”.

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A fala ocorre em meio à intensificação do debate político e econômico sobre a redução da jornada semanal sem redução salarial. O tema ganhou força após a aprovação da reforma do Imposto de Renda que isentou o pagamento do tributo para rendas de até R$ 5 mil na média por mês.

O que Luiza Trajano disse sobre o fim da escala 6×1?

Luiza Trajano afirmou que o tema não pode ser tratado de forma simplificada. A executiva reconheceu a importância dos dias de descanso para o trabalhador, mas também ressaltou que qualquer mudança precisa levar em conta a produtividade e a capacidade das empresas de absorver novos custos.

Ela também chamou atenção para a situação das mulheres, que enfrentam dupla jornada e, por isso, são diretamente afetadas pelo modelo atual de trabalho.

Acho que o momento talvez não seja esse, exige uma discussão muito grande, mas a gente tem que pensar no lado daquele operário mesmo, que fica? Como faz isso aumentando a produtividade, pois a produtividade é importantíssima pra competição mundial. Então é uma equação que precisava ser bem discutida”.

A avaliação da empresária coloca a produtividade no centro da discussão. Segundo estudo da consultoria 4Intelligente, a produtividade do trabalho no Brasil está estagnada há mais de uma década em razão do baixo investimento e da complexidade tributária. O mesmo levantamento aponta que reduzir a jornada para 40 horas semanais exigiria aumento imediato de 1,4% na produtividade para não prejudicar o crescimento do PIB.

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A posição de Luiza Trajano tem peso no debate porque o Magazine Luiza é uma das maiores empresas do varejo nacional. De acordo com o ranking de 2025 do Instituto Retail Think Tank Brasil (IRTT), a companhia é a maior varejista de departamento do país e a terceira maior varejista no geral.

O grupo registrou faturamento de R$ 47,277 bilhões em 2024. Também aparece como a sétima maior varejista em número de funcionários, com cerca de 37 mil empregados, dado confirmado pela empresa. Em número de lojas, ocupa a 18ª posição, com 1.245 unidades espalhadas pelo país.

Indicador do Magazine LuizaDado informado
Faturamento em 2024R$ 47,277 bilhões
Posição no varejo de departamento1ª maior do país
Posição no varejo geral3ª maior
FuncionáriosCerca de 37 mil
Número de lojas1.245
Posição em número de lojas18ª
Posição em número de funcionários
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O que prevê o projeto do governo sobre a escala 6×1?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê o fim da escala de seis dias trabalhados para um de descanso, além da redução da jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais.

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Segundo o texto, os repousos semanais remunerados deverão coincidir, preferencialmente, com sábado e domingo, respeitadas as peculiaridades de cada atividade ou negociação coletiva de trabalho.

A medida vale tanto para contratos em vigor quanto para contratos futuros. A proibição de redução salarial se aplica a todos os regimes, incluindo trabalho em regime integral, parcial e regimes especiais.

Quais outras propostas tratam do fim da escala 6×1?

Além do projeto de lei enviado por Lula, há duas Propostas de Emenda à Constituição em tramitação no Congresso sobre o fim da escala 6×1. As duas estão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

Uma delas é a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). A outra é a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Ambas defendem jornadas de 36 horas semanais. A diferença está no período de adaptação previsto: a proposta de Erika Hilton aponta transição de um ano para o mercado, enquanto a de Reginaldo Lopes prevê período de 10 anos.

PropostaAutorJornada defendidaTransição prevista
PL enviado pelo governo LulaGoverno federalAté 40 horas semanaisNão informado até aqui
PEC 8/2025Erika Hilton (PSOL-SP)36 horas semanais1 ano
PEC 221/2019Reginaldo Lopes (PT-MG)36 horas semanais10 anos

Quais são os argumentos contra e a favor do fim da escala 6×1?

As associações representativas dos setores produtivos, em geral, apontam impactos negativos com o fim da escala 6×1. Entre as preocupações citadas estão aumento de custos, repasse ao consumidor, redução de lucro e inflação.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) calcula que cerca de 31,5 milhões de brasileiros seriam diretamente impactados pela mudança, principalmente nos setores de serviços e comércio. Nesses segmentos, o percentual de empregados com contratos superiores a 40 horas semanais chega a 90%.

Segundo o governo, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham atualmente na escala 6×1, incluindo 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas. Além disso, 26,3 milhões de celetistas não recebem horas extras, o que indica jornadas frequentemente mais longas na prática.

O argumento favorável ao fim da jornada de 44 horas semanais é que a ampliação do tempo livre pode melhorar a qualidade de vida, fortalecer a convivência familiar e reduzir impactos na saúde. Segundo a Previdência, o Brasil registrou em 2024 cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho.

As jornadas mais extensas estão concentradas entre trabalhadores de menor renda e menor escolaridade, o que faz da proposta também uma medida apresentada como forma de redução de desigualdades no mercado de trabalho.

No fim de fevereiro, a Secretaria de Comunicação (Secom) divulgou levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O estudo apontou que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas teria potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevaria em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.

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