Resumo da Notícia
A empresária Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, afirmou que o debate sobre o fim da escala 6×1 ainda “exige uma discussão muito grande”. Em entrevista ao programa IstoÉ Mulher + Fructus Entrevista, ela defendeu que a proposta precisa considerar, ao mesmo tempo, os impactos para as empresas e a necessidade de descanso dos trabalhadores.
À frente do Magazine Luiza por mais de 30 anos, Luiza avaliou que aumentar custos para as empresas “é inviável”, assim como reduzir salários “não é bom”. Para ela, a saída passa por uma negociação mais ampla, com análise dos efeitos para os dois lados.
“Teria que sentar na mesa e ver o que é para os dois lados”.
A fala ocorre em meio à intensificação do debate político e econômico sobre a redução da jornada semanal sem redução salarial. O tema ganhou força após a aprovação da reforma do Imposto de Renda que isentou o pagamento do tributo para rendas de até R$ 5 mil na média por mês.
O que Luiza Trajano disse sobre o fim da escala 6×1?
Luiza Trajano afirmou que o tema não pode ser tratado de forma simplificada. A executiva reconheceu a importância dos dias de descanso para o trabalhador, mas também ressaltou que qualquer mudança precisa levar em conta a produtividade e a capacidade das empresas de absorver novos custos.
Escolha o Portal N10 como fonte de confiança
Adicione o Portal N10 às suas Fontes Preferidas e acompanhe nosso perfil para receber mais notícias quando o assunto estiver em alta.
Ela também chamou atenção para a situação das mulheres, que enfrentam dupla jornada e, por isso, são diretamente afetadas pelo modelo atual de trabalho.
“Acho que o momento talvez não seja esse, exige uma discussão muito grande, mas a gente tem que pensar no lado daquele operário mesmo, que fica? Como faz isso aumentando a produtividade, pois a produtividade é importantíssima pra competição mundial. Então é uma equação que precisava ser bem discutida”.
A avaliação da empresária coloca a produtividade no centro da discussão. Segundo estudo da consultoria 4Intelligente, a produtividade do trabalho no Brasil está estagnada há mais de uma década em razão do baixo investimento e da complexidade tributária. O mesmo levantamento aponta que reduzir a jornada para 40 horas semanais exigiria aumento imediato de 1,4% na produtividade para não prejudicar o crescimento do PIB.
A posição de Luiza Trajano tem peso no debate porque o Magazine Luiza é uma das maiores empresas do varejo nacional. De acordo com o ranking de 2025 do Instituto Retail Think Tank Brasil (IRTT), a companhia é a maior varejista de departamento do país e a terceira maior varejista no geral.
O grupo registrou faturamento de R$ 47,277 bilhões em 2024. Também aparece como a sétima maior varejista em número de funcionários, com cerca de 37 mil empregados, dado confirmado pela empresa. Em número de lojas, ocupa a 18ª posição, com 1.245 unidades espalhadas pelo país.
| Indicador do Magazine Luiza | Dado informado |
|---|---|
| Faturamento em 2024 | R$ 47,277 bilhões |
| Posição no varejo de departamento | 1ª maior do país |
| Posição no varejo geral | 3ª maior |
| Funcionários | Cerca de 37 mil |
| Número de lojas | 1.245 |
| Posição em número de lojas | 18ª |
| Posição em número de funcionários | 7ª |
O que prevê o projeto do governo sobre a escala 6×1?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê o fim da escala de seis dias trabalhados para um de descanso, além da redução da jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais.
Segundo o texto, os repousos semanais remunerados deverão coincidir, preferencialmente, com sábado e domingo, respeitadas as peculiaridades de cada atividade ou negociação coletiva de trabalho.
A medida vale tanto para contratos em vigor quanto para contratos futuros. A proibição de redução salarial se aplica a todos os regimes, incluindo trabalho em regime integral, parcial e regimes especiais.
Quais outras propostas tratam do fim da escala 6×1?
Além do projeto de lei enviado por Lula, há duas Propostas de Emenda à Constituição em tramitação no Congresso sobre o fim da escala 6×1. As duas estão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
Uma delas é a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). A outra é a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
Ambas defendem jornadas de 36 horas semanais. A diferença está no período de adaptação previsto: a proposta de Erika Hilton aponta transição de um ano para o mercado, enquanto a de Reginaldo Lopes prevê período de 10 anos.
| Proposta | Autor | Jornada defendida | Transição prevista |
|---|---|---|---|
| PL enviado pelo governo Lula | Governo federal | Até 40 horas semanais | Não informado até aqui |
| PEC 8/2025 | Erika Hilton (PSOL-SP) | 36 horas semanais | 1 ano |
| PEC 221/2019 | Reginaldo Lopes (PT-MG) | 36 horas semanais | 10 anos |
Quais são os argumentos contra e a favor do fim da escala 6×1?
As associações representativas dos setores produtivos, em geral, apontam impactos negativos com o fim da escala 6×1. Entre as preocupações citadas estão aumento de custos, repasse ao consumidor, redução de lucro e inflação.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) calcula que cerca de 31,5 milhões de brasileiros seriam diretamente impactados pela mudança, principalmente nos setores de serviços e comércio. Nesses segmentos, o percentual de empregados com contratos superiores a 40 horas semanais chega a 90%.
Segundo o governo, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham atualmente na escala 6×1, incluindo 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas. Além disso, 26,3 milhões de celetistas não recebem horas extras, o que indica jornadas frequentemente mais longas na prática.
O argumento favorável ao fim da jornada de 44 horas semanais é que a ampliação do tempo livre pode melhorar a qualidade de vida, fortalecer a convivência familiar e reduzir impactos na saúde. Segundo a Previdência, o Brasil registrou em 2024 cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho.
As jornadas mais extensas estão concentradas entre trabalhadores de menor renda e menor escolaridade, o que faz da proposta também uma medida apresentada como forma de redução de desigualdades no mercado de trabalho.
No fim de fevereiro, a Secretaria de Comunicação (Secom) divulgou levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O estudo apontou que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas teria potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevaria em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.
