INSS suspende programa de redução de fila por falta de verba

O Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB) é uma ferramenta frequentemente utilizada pelo INSS para reduzir a fila de atendimentos. A medida estava em vigor desde 15 de abril de 2025.
INSS suspende programa de redução de fila por falta de verba
Foto: Daniel Estevão/ AscomAGU

Resumo da Notícia

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu temporariamente o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), criado para acelerar a análise de benefícios previdenciários e assistenciais e diminuir a longa fila de atendimento do órgão.

A decisão foi determinada pelo presidente do INSS, Gilberto Waller Jr., e comunicada oficialmente ao Ministério da Previdência. O motivo é a falta de recursos orçamentários para manter a iniciativa, que previa o pagamento de um bônus a servidores responsáveis por examinar mais requerimentos do que a meta diária estipulada.

No documento enviado à pasta, o presidente solicitou uma suplementação orçamentária de R$ 89,1 milhões, valor considerado necessário para garantir a continuidade do programa, que vinha sendo executado desde 15 de abril de 2025.

Programa ajudava a reduzir tempo de análise de benefícios

O PGB era uma ferramenta de estímulo que, nos últimos meses, havia contribuído diretamente para reduzir o tempo de resposta a milhares de segurados. O sistema funcionava com base em um bônus de produtividade, pago aos servidores que ultrapassavam a meta mínima de análises diárias, permitindo que mais pedidos fossem finalizados e liberados.

Com a suspensão, o INSS orientou que nenhuma nova tarefa seja concluída por meio da chamada “análise extraordinária”, método vinculado ao programa. Todas as demandas que estavam em andamento nessa modalidade deverão retornar à fila comum de processamento, o que tende a impactar diretamente a velocidade das concessões.

A decisão ocorre em um momento em que o país ainda enfrenta um grande acúmulo de pedidos. Em dezembro do ano passado, a fila ultrapassou a marca de 2 milhões de segurados aguardando concessão. Já em março de 2025, o número chegou a 2,7 milhões, o pico mais alto registrado no período recente.

Segundo o dado mais atualizado, referente a agosto, mais de 2,6 milhões de brasileiros continuam esperando por uma resposta. O levantamento aparece no Portal da Transparência, confirmando que a fila segue acima dos níveis observados antes da implementação do programa.

Apesar do cenário, a presidência do INSS destacou, no ofício encaminhado ao Ministério, o papel essencial do PGB e o empenho dos servidores envolvidos. O texto afirma que a iniciativa “tem sido fundamental para reduzir o tempo médio de análise dos benefícios e melhorar a qualidade do atendimento prestado à população”.

O órgão afirmou que está atuando junto aos ministérios competentes para garantir os recursos necessários à retomada do programa o mais rápido possível. O pedido de reforço financeiro de R$ 89,1 milhões visa recompor o orçamento destinado ao pagamento do bônus e à manutenção da estrutura técnica responsável pela análise acelerada.

Durante o período de suspensão, o processamento de benefícios ficará limitado ao modelo tradicional, com a fila voltando a ser processada sem o incentivo adicional aos servidores. A expectativa é de que a suplementação seja aprovada nas próximas semanas para evitar impactos mais severos na espera de novos aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Fraudes no INSS: bloqueio de R$ 390 milhões em bens do Sindnapi

Paralelamente à paralisação do PGB, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 390 milhões em bens, valores e imóveis do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) e de seus dirigentes.

O bloqueio faz parte da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), que apura descontos indevidos em aposentadorias e benefícios do INSS. O valor congelado corresponde ao total de cobranças feitas pela entidade entre 2021 e janeiro de 2025.

Na decisão, o ministro destacou a existência de “fundadas suspeitas de relevante participação dos representados nos ilícitos apurados e a atuação de um grupo criminoso organizado para lesar aposentados e pensionistas mediante descontos indevidos e posterior lavagem dos vultosos recursos ilícitos obtidos.

Mendonça também autorizou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do sindicato e de diversos dirigentes, abrangendo o período de 2020 até o presente.

Em nota, o Sindnapi e seus advogados afirmaram não ter tido acesso ao inquérito nem aos fundamentos da decisão judicial, mas repudiaram as acusações. O texto diz que a entidade “reitera seu absoluto repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em sua administração ou que foram realizados descontos indevidos de seus associados”.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a investigação da PF identificou movimentações financeiras atípicas, incluindo repasses do sindicato a empresas de fachada e pessoas ligadas à diretoria. O material aponta transferências que somam milhões de reais e indicam lavagem de dinheiro por meio de contratos simulados e empresas sem funcionários registrados.

Entre os exemplos descritos, está a New Flex Construtora (Viterbo Construções), criada em janeiro de 2022, que teria recebido R$ 363.284,30 da Santmax Engenharia e Serviços Ltda., empresa já identificada como destinatária de mais de R$ 1,1 milhão de valores provenientes do Sindnapi.

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