Governo impõe limite de R$ 500 no saque-aniversário do FGTS; veja novas regras

O trabalhador terá um valor mínimo de R$ 100 e máximo de R$ 500 para cada saque antecipado. O teto por contrato passa a ser de até R$ 2,5 mil, valor equivalente a cinco parcelas de R$ 500.
Saque-aniversário do FGTS
Foto: Marcio / Adobe Stock

Resumo da Notícia

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (CCFGTS) aprovou nesta terça-feira (7) um conjunto de mudanças que reduzem o alcance do saque-aniversário, modalidade criada em 2019 que permite ao trabalhador retirar parte do saldo da conta do FGTS todos os anos, no mês de seu aniversário.

A decisão restringe a linha de crédito utilizada para antecipar recursos, com destaque para o novo limite máximo de R$ 500 por parcela, que antes não existia.

As alterações atingem diretamente as condições de contratação de crédito junto aos bancos, alterando prazos, valores e limites de operações, e devem impactar tanto os trabalhadores quanto o sistema financeiro.

Principais mudanças aprovadas

O novo regulamento determina que a antecipação do saque-aniversário só poderá ocorrer dentro de limites fixados. O trabalhador terá um valor mínimo de R$ 100 e máximo de R$ 500 para cada saque antecipado. O teto por contrato passa a ser de até R$ 2,5 mil, valor equivalente a cinco parcelas de R$ 500.

Entre os pontos principais, destacam-se:

  • Prazo mínimo para primeira operação: o crédito só poderá ser contratado 90 dias após a adesão ao saque-aniversário, em vez da autorização imediata.
  • Quantidade de operações simultâneas: será permitido somente um contrato por ano.
  • Quantidade máxima de antecipações: até cinco parcelas de saque-aniversário nos primeiros 12 meses (período de transição); após esse prazo, o limite cairá para três parcelas.
  • Valor médio atual das operações: cerca de R$ 1,3 mil, segundo dados oficiais.

Essas novas regras entrarão em vigor assim que a Caixa Econômica Federal concluir a adaptação dos seus sistemas, o que deve ocorrer até 1º de novembro.

De acordo com o governo, as mudanças vão redirecionar recursos antes concentrados nos bancos. Estima-se que até 2030, R$ 84,6 bilhões deixarão de ser destinados às instituições financeiras e seguirão diretamente para os trabalhadores.

Entre 2020 e 2025, o volume de operações de antecipação somou R$ 236 bilhões. Atualmente, o FGTS possui 42 milhões de trabalhadores ativos, sendo que 21,5 milhões (51%) aderiram ao saque-aniversário. Desse total, cerca de 70% já realizaram operações de antecipação do saldo.

Críticas do governo à modalidade

O Ministério do Trabalho tem feito duras críticas ao saque-aniversário. O ministro Luiz Marinho afirmou que a modalidade se transformou em uma “armadilha” para o trabalhador, que muitas vezes utiliza a antecipação de forma desordenada, ficando vulnerável em caso de demissão.

Tem efeito colateral, que é o enfraquecimento do FGTS como fundo de investimento, seja na habitação, no saneamento ou na infraestrutura. E tem outro efeito colateral para o trabalhador, que é quando ele é demitido, tem sua conta defasada porque ele gastou de forma antecipada muitas vezes sem planejar”, disse o ministro.

Segundo Marinho, há relatos de pessoas que fazem pequenas antecipações, muitas vezes de apenas R$ 100, para gastar em jogos online, o que, nas palavras dele, sacrifica tanto a poupança individual quanto a função social do fundo.

Consignado ao setor privado como alternativa

Para compensar a limitação do saque-aniversário, o Conselho do FGTS autorizou a expansão de outra linha de crédito: o consignado ao setor privado. Nesse modelo, o trabalhador pode usar até 10% do saldo do FGTS como garantia, além de 100% da multa rescisória de 40% em caso de demissão sem justa causa.

Segundo o Ministério do Trabalho, mais de R$ 15,7 bilhões em contratos antigos já foram migrados para a plataforma da Carteira de Trabalho Digital, com expectativa de que R$ 40 bilhões sejam transferidos até outubro.

Em agosto, a taxa de juros média nesse tipo de crédito ficou em 3,79% ao mês, valor considerado elevado pelo governo, mas ainda competitivo em relação a outras modalidades disponíveis.

Com as novas regras, haverá uma inversão na destinação do dinheiro. Atualmente, 70% dos recursos do saque-aniversário ficam com os bancos e apenas 30% com os trabalhadores. A partir das mudanças, essa proporção será invertida: 70% irão diretamente para os trabalhadores, e apenas 30% para as instituições financeiras.

Segundo estimativas do governo, essa alteração representará R$ 86 bilhões a menos para os bancos até 2030.

Governo chegou a cogitar o fim do saque-aniversário

Desde o início da gestão, o Ministério do Trabalho demonstrava intenção de acabar com o saque-aniversário. No entanto, a proposta enfrentou resistência no Congresso Nacional, o que levou o governo a recuar.

No começo do ano, o ministro Luiz Marinho reconheceu:

O parlamento diz que não tem chance de prosperar [o fim do saque-aniversário]. Então, não vou ficar insistindo, se não tem chance de prosperar. Não vamos criar um constrangimento com o Parlamento. Quem sabe no futuro se rediscuta isso.”

Com a manutenção da modalidade, o governo optou por impor regras mais rígidas de acesso ao crédito, buscando reduzir os efeitos considerados nocivos à saúde financeira dos trabalhadores e à sustentabilidade do próprio FGTS.

Encontrou algum erro nessas informações? Escreva para o Portal N10 https://portaln10.com.br/politica-de-verificacao-de-fatos-e-correcoes/.

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.