Resumo da Notícia
A escalada recente no preço dos combustíveis no Rio Grande do Norte entrou oficialmente no radar do governo federal. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), encaminhou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando análise detalhada sobre reajustes registrados no estado potiguar, além de ocorrências semelhantes observadas em outros três estados e no Distrito Federal.
A medida foi adotada após declarações públicas de representantes de entidades do setor de combustíveis, que informaram ter havido elevação nos preços de venda praticados por distribuidoras para os postos. Entre as entidades que se manifestaram estão o Sindipostos-RN, o Sindicombustíveis-DF, o Sindicombustíveis Bahia, o Minaspetro (MG) e o Sulpetro (RS).
Segundo essas entidades, o aumento estaria relacionado à valorização internacional do petróleo, movimento atribuído ao conflito iniciado em 28 de fevereiro de 2026 no Oriente Médio, que elevou a cotação do barril no mercado global.
Apesar da pressão internacional sobre o mercado de energia, a Petrobras ainda não anunciou qualquer reajuste nos preços praticados em suas refinarias, fato que ampliou a atenção das autoridades para possíveis distorções na cadeia de distribuição.
Governo quer apurar possível prática anticoncorrencial
No documento encaminhado ao Cade, a Senacon solicitou que o órgão avalie se existem indícios de práticas capazes de prejudicar a livre concorrência no mercado de combustíveis. Entre as hipóteses levantadas está a possibilidade de tentativa de influência para adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre concorrentes, o que poderia caracterizar infração à ordem econômica.
De acordo com a Secretaria, a iniciativa faz parte de um monitoramento permanente do mercado, realizado para identificar movimentos que possam impactar de forma indevida o consumidor brasileiro.
A Senacon informou que o objetivo da medida é garantir transparência nas práticas comerciais e evitar que reajustes ocorram sem justificativa econômica clara, protegendo motoristas e consumidores finais de possíveis abusos.
Pesquisa do Procon mostra alta nos preços em Natal
Enquanto o debate ocorre em nível nacional, consumidores já sentem o impacto no bolso em Natal. Levantamento recente realizado pelo Procon da capital potiguar identificou aumento nos combustíveis comercializados na cidade.
Em alguns postos da capital, a gasolina chegou a R$ 7,19, enquanto etanol e diesel também registraram altas expressivas.
Os dados do levantamento indicam que grande parte dos estabelecimentos já pratica preços acima da média do mercado:
- 77% dos postos vendem etanol acima da média
- 87% comercializam gasolina comum com valores superiores
- 82% praticam preços elevados para o diesel comum
Esses números refletem diretamente no custo de vida da população e impactam especialmente motoristas e trabalhadores que dependem do transporte diário e transportadores da Região Metropolitana de Natal.
Setor alerta para impacto do cenário internacional
Em publicação nas redes sociais, o Sindipostos-RN afirmou que o cenário global exige atenção redobrada do mercado nacional. Segundo a entidade, o conflito no Oriente Médio “acende um sinal de atenção para o setor de combustíveis no Brasil”, diante da possibilidade de pressões sobre os custos de importação e produção.
Especialistas do setor energético também alertam que, caso o conflito internacional continue pressionando o preço do petróleo, novos reajustes podem ocorrer nos próximos meses, ampliando o impacto sobre o transporte e a economia regional.
Cade agora avalia abertura de investigação
Com o ofício enviado pela Senacon, caberá agora ao Cade analisar as informações apresentadas e verificar se há elementos que justifiquem a abertura de uma investigação formal.
O foco da análise será identificar se houve aumento indevido de preços por parte das distribuidoras ou qualquer comportamento que comprometa a livre concorrência no setor.
Enquanto isso, o mercado de combustíveis no Rio Grande do Norte permanece sob observação, com atenção redobrada tanto por parte das autoridades quanto dos consumidores.
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