Desaceleração do PIB no 4º trimestre de 2024 prenuncia crescimento econômico mais fraco em 2025

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Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentou um crescimento tímido de 0,2% no quarto trimestre de 2024, confirmando a expectativa de um arrefecimento da atividade econômica e indicando um cenário de expansão mais moderada para 2025.

A Capital Economics revisou sua projeção de crescimento para o ano, de 2,3% para 1,8%, refletindo a preocupação com a desaceleração observada.

Fatores que contribuíram para a desaceleração:

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  • Consumo das famílias: Houve uma contração de 1% no consumo das famílias no último trimestre de 2024, contrastando com o crescimento superior a 1% nos trimestres anteriores.
  • Investimentos: O crescimento do investimento também perdeu ritmo significativamente.
  • Balança comercial: Uma forte queda nas exportações superou a retração das importações, impactando negativamente o desempenho econômico.
  • Setor de serviços: Retração de 0,1% nos chamados outros serviços, que incluem bares e restaurantes, cabeleireiros e manicures, entre outros.
  • Agropecuária: Desaceleração importante da pecuária e queda na produção de algumas culturas agrícolas importantes.

O economista da Rio Bravo, José Alfaix, destaca que a retração mais agressiva na demanda, influenciada pela política monetária, fortalece a convicção de que o Banco Central não precisará elevar os juros para além dos 15% já previstos. Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, ressaltou surpresas baixistas disseminadas no quarto trimestre.

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Perspectivas para 2025

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Apesar do cenário de desaceleração, alguns fatores podem impulsionar a atividade econômica em 2025:

Ainda assim, economistas como Igor Cadilhac, do PicPay, alertam que a combinação de inflação persistente, juros elevados e aperto das condições financeiras deve pesar sobre a atividade econômica, tornando a desaceleração inevitável. O PicPay projeta um crescimento de 1,6% para o PIB em 2025, com risco de estagnação ou recessão técnica. O IPCA-15 de fevereiro atingiu 1,23%, abaixo das expectativas do mercado, mas ainda exige cautela.

Leonardo Costa, economista do ASA, observou fraqueza em diversas atividades no quarto trimestre, com destaque para a queda da agropecuária e o crescimento tímido dos serviços. Ele projeta um crescimento de 1,5% para o PIB em 2025, com desaceleração mais forte na segunda metade do ano.

O Bradesco, em relatório, apontou que o ano de 2024 marcou uma aceleração dos investimentos em resposta ao forte aumento do consumo. Para 2025, o banco espera um crescimento de 1,9%, impulsionado pela safra agrícola e pelo aumento do salário-mínimo.

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Claudia Moreno, economista do C6 Bank, destaca que o mercado de trabalho forte ajudou a impulsionar o PIB de 2024. Para 2025, o banco projeta uma desaceleração gradual do PIB. Vale ressaltar que a criação de vagas formais superou expectativas em janeiro, mas o Ibovespa reagiu negativamente, o que pode impactar o desempenho futuro.

Apesar da força demonstrada em 2024, com um crescimento de 3,4%, a economia brasileira enfrenta desafios que podem limitar seu desempenho em 2025. A atenção do mercado se volta agora para as medidas que o governo poderá implementar para estimular a atividade econômica e garantir um crescimento sustentável. 

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