Custo médio de vida do potiguar é de R$ 2.550 por mês, revela Serasa

Supermercado, contas recorrentes e moradia concentram quase 60% do orçamento mensal de quem mora no Rio Grande do Norte.
Viver no Rio Grande do Norte custa menos que a média nacional, mas ainda pesa no bolso
Viver no Rio Grande do Norte custa menos que a média nacional, mas ainda pesa no bolso - Foto: Serasa

Resumo da Notícia

Manter as contas em dia tem exigido cada vez mais disciplina financeira dos brasileiros, especialmente diante da alta contínua das despesas fixas.

Um levantamento recente da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, revela que o custo médio mensal de vida no Brasil chegou a R$ 3.520, considerando gastos essenciais e cotidianos. No Rio Grande do Norte, porém, esse valor é um pouco menor: R$ 2.550 por mês, ainda assim acima da capacidade financeira de grande parte da população.

A pesquisa “Custo de Vida no Brasil” leva em conta despesas com moradia, contas recorrentes, supermercado, transporte, saúde, educação, lazer, alimentação, compras em geral e cuidados pessoais. Mesmo com diferenças regionais relevantes, o dado central aponta para um cenário comum: o orçamento das famílias está cada vez mais pressionado, exigindo planejamento constante e atenção redobrada.

Pressão financeira cresce com avanço das despesas fixas

O estudo mostra que apenas 19% dos brasileiros consideram fácil administrar pagamentos e despesas do dia a dia, um número que escancara a dificuldade prática de equilibrar renda e gastos. Supermercado, moradia e contas recorrentes — como água, energia, internet e serviços digitais — avançam mês a mês, reduzindo a margem para imprevistos e aumentando o risco de endividamento.

Esse cenário se torna ainda mais delicado quando se observa que a média de gastos mensais no país supera o salário-mínimo projetado, o que obriga muitas famílias a recorrerem a crédito, parcelamentos ou renegociações para fechar o mês no azul.

Despesas essenciais concentram mais da metade do orçamento

Despesas essenciais lideram o peso no orçamento
Despesas essenciais lideram o peso no orçamento

Ao destrinchar o orçamento médio, a pesquisa aponta que compras de supermercado, contas recorrentes e moradia concentram 57% de todo o gasto mensal dos brasileiros. São despesas consideradas prioritárias e, ao mesmo tempo, as mais difíceis de manter em dia, justamente por não permitirem adiamentos.

Segundo Nathália Fernandes, especialista da Serasa em educação financeira, quando as despesas essenciais ocupam uma fatia tão grande do orçamento, sobra menos espaço para ajustes e imprevistos. Isso torna o planejamento financeiro ainda mais necessário, já que essas contas não podem ser adiadas e gastos emergenciais podem levar ao endividamento.

Rio Grande do Norte tem custos abaixo da média nacional, mas ainda elevados

No recorte específico do Rio Grande do Norte, os valores médios mensais das principais despesas reforçam o peso do custo de vida no estado. Os potiguares gastam, em média:

  • R$ 870 com supermercado
  • R$ 370 com contas recorrentes
  • R$ 790 com moradia

Embora esses números sejam inferiores às médias registradas em regiões como Sul e Sudeste, eles ainda representam uma parcela significativa da renda disponível, especialmente para famílias que vivem com um ou dois salários mínimos.

Em nível nacional, o gasto médio mensal com supermercado é de R$ 930, chegando a R$ 1.110 no Sul e caindo para R$ 780 no Nordeste. Já as contas recorrentes têm média de R$ 520 no Brasil, com pico de R$ 590 no Centro-Oeste e mínima de R$ 420 no Nordeste.

Moradia segue como um dos maiores vilões do orçamento

A despesa com moradia — que inclui aluguel, condomínio ou financiamento — continua sendo um dos principais fatores de pressão financeira. No Brasil, o custo médio mensal é de R$ 1.100, com destaque para o Sul, onde o valor chega a R$ 1.310, enquanto o Nordeste registra a menor média, de R$ 800.

No Rio Grande do Norte, o gasto médio com moradia é de R$ 790, valor que, somado às demais despesas fixas, reduz consideravelmente a capacidade de poupança e investimento das famílias.

Sobre essas diferenças, Nathália Fernandes explica que as variações regionais mostram que o custo de vida está diretamente ligado ao contexto econômico local. Em regiões onde os preços são mais elevados, as despesas essenciais passam a consumir uma parcela ainda maior da renda disponível.

Transporte, saúde, lazer e educação revelam contrastes regionais

Os gastos com transporte e mobilidade também variam bastante. A média nacional é de R$ 350 por mês, alcançando R$ 410 no Sul e recuando para R$ 270 no Nordeste. No Rio Grande do Norte, o desembolso médio nessa categoria é de R$ 290.

Já as despesas com saúde e atividade física somam R$ 540 por mês no Brasil, com maiores valores no Sul e Sudeste. Entre os potiguares, esse gasto médio é de R$ 420, ainda assim considerado elevado diante da renda local.

No lazer, a média brasileira é de R$ 340, enquanto o Nordeste registra R$ 270. No Rio Grande do Norte, o valor médio mensal é de R$ 290. Em compras em geral, como calçados, cosméticos e gastos com pets, a média estadual é de R$ 240, abaixo da média nacional de R$ 390.

Para a especialista da Serasa, o detalhamento das despesas mostra que o impacto do custo de vida varia de forma significativa entre as regiões do país. As diferenças refletem fatores como preços locais, estrutura de serviços, hábitos de consumo e características econômicas regionais.

Mudar de cidade não é visto como saída pela maioria

Apesar do peso crescente do custo de vida, apenas 1 em cada 10 brasileiros considera mudar de cidade em 2026 para reduzir despesas. A pesquisa indica que a maioria entende que o desafio está mais ligado à reorganização do orçamento pessoal do que à mobilidade geográfica.

Nathália Fernandes reforça essa percepção ao afirmar que os dados mostram o quanto é preciso se planejar financeiramente, anotar os gastos e cuidar do orçamento para que seja possível fechar as contas sem cair em dívidas.

Diante desse cenário, a Serasa destaca que disponibiliza cursos, artigos e conteúdos gratuitos voltados à educação financeira, com foco em ajudar os brasileiros a organizarem melhor suas finanças. O acesso pode ser feito pela plataforma de educação financeira da Serasa, que reúne materiais sobre orçamento, controle de gastos e planejamento.

A pesquisa completa sobre o custo de vida no Brasil também está disponível para consulta pública.

Metodologia da pesquisa

O levantamento foi realizado pelo Instituto Opinion Box, com coleta entre 22 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026, ouvindo 6.063 brasileiros. A margem de erro geral é de 1,2 ponto percentual. Para o cálculo dos valores médios mensais, foram considerados apenas os entrevistados que declararam possuir cada tipo de despesa em seu orçamento atual.

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