Custo de morar em condomínio dispara e já sobe quase 60% acima da inflação

Juros, inflação e custos operacionais, como folha e segurança, explicam pressão sobre o valor da taxa.
Taxa de condomínio sobe 59,6% acima da inflação e já consome mais da metade do salário mínimo no Brasil
Crédito: sunftaka77 / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • A taxa de condomínio no Brasil aumentou 6,8% em 2025, superando o IPCA em 59,6%.
  • O valor médio da taxa condominial atingiu R$ 828,13, representando 54,6% do salário mínimo de 2025.
  • As regiões Nordeste e Norte registraram as maiores taxas médias de condomínio em 2025.
  • A inadimplência condominial teve um leve recuo para 6,28% em 2025, mas ainda movimenta cerca de R$ 7 bilhões anualmente.
  • Condomínios com taxas mais baixas (até R$ 500) concentram a maior inadimplência, chegando a 9,96% em dezembro de 2025.
  • A inadimplência compromete o caixa dos condomínios, afetando manutenção, folha de funcionários e segurança.
  • Soluções como o Inadimplência Zero (IZ) do Grupo Superlógica buscam garantir a arrecadação e estabilidade financeira dos condomínios.
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O custo de morar em condomínio no Brasil passou a ocupar um espaço cada vez maior no orçamento doméstico. Um levantamento baseado na maior base de dados condominiais do país mostra que a taxa de condomínio encerrou 2025 com aumento significativamente acima da inflação oficial. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, fechou o ano em 4,26%, a taxa condominial avançou 6,8% no mesmo período — um crescimento 59,6% superior ao índice inflacionário.

Na prática, o impacto dessa alta aparece diretamente na renda das famílias. O valor médio da taxa de condomínio no país chegou a R$ 828,13, montante equivalente a 54,6% do salário mínimo de 2025, que era de R$ 1.518. Mesmo considerando o mínimo atual de R$ 1.621, o peso continua elevado: a taxa média ainda representa 51,1% da renda mínima nacional.

Os dados fazem parte do levantamento do Índice Superlógica, indicador construído com base em aproximadamente 130 mil condomínios espalhados por todas as regiões do país, abrangendo mais de 6,3 milhões de unidades residenciais, entre casas e apartamentos. A base cobre os 27 estados brasileiros e mais de mil cidades, analisando valores de taxas, datas de pagamento e boletos em atraso superiores a 90 dias.

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Segundo especialistas do setor condominial, a elevação acima da inflação não é resultado de um único fator, mas de uma combinação de pressões econômicas e operacionais.

A alta da taxa de condomínio acima da inflação reflete uma combinação de fatores: juros elevados, que encarecem contratos e serviços, inflação ainda pressionando itens do dia a dia e custos operacionais que pesam no orçamento, especialmente folha de pagamento e investimento em tecnologia e segurança. Esse conjunto empurra o valor da taxa para cima”, afirma João Baroni, Diretor de Crédito do Grupo Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para os mercados condominial e imobiliário.

O executivo também chama atenção para o impacto social dessa escalada.

Apesar da pequena queda na inadimplência condominial, os valores das taxas de condomínio trazem preocupação, já que comprometem a renda e o poder de compra dos brasileiros.”

Nordeste e Norte registram as maiores taxas de condomínio do país

A análise regional revela um cenário curioso: justamente em regiões com renda média menor, os valores de condomínio aparecem entre os mais altos do país.

Em 2025, o Nordeste registrou a taxa média mais elevada, com R$ 885,08, seguido pelo Norte (R$ 868,79) e pelo Sudeste (R$ 848,47). Todas essas regiões ficaram acima da média nacional.

Os números representam um avanço relevante em relação ao ano anterior. Em 2024, os valores médios eram menores:

  • Nordeste: R$ 826,51
  • Norte: R$ 802,82
  • Sudeste: R$ 793,54

Na sequência aparecem o Centro-Oeste, com taxa média de R$ 735,64 (ante R$ 676,11 em 2024), e o Sul, com R$ 661,26 (contra R$ 627,49 no ano anterior).

Quando comparadas ao salário mínimo atual de R$ 1.621, as taxas regionais representam:

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  • 54% da renda mínima no Nordeste e no Norte
  • 52% no Sudeste
  • 45% no Centro-Oeste
  • 41% no Sul

Inadimplência segue elevada e movimenta bilhões no país

Apesar do aumento expressivo das taxas, a inadimplência apresentou leve recuo em 2025. A média anual fechou em 6,28%, queda de 0,02 ponto percentual em relação ao ano anterior.

O pico ocorreu em junho, quando a inadimplência atingiu 7,19%, enquanto o menor índice foi registrado em dezembro, com 5,87%.

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Regionalmente, o Norte lidera o ranking de inadimplência, com média de 7,86%, seguido pelo Nordeste (6,09%) e pelo Sudeste (5,93%). O Centro-Oeste registrou 5,70%, enquanto o Sul apresentou o menor índice do país, com 4,74%.

O maior nível regional de inadimplência ocorreu novamente no Norte, que chegou a 9,63% em setembro.

Segundo estimativas do setor, o não pagamento das cotas condominiais provoca um impacto econômico expressivo: cerca de R$ 7 bilhões deixam de entrar anualmente no caixa dos condomínios brasileiros.

Condomínios mais baratos concentram maior inadimplência

O levantamento também segmentou os condomínios por faixa de valor da taxa. A divisão considerou três categorias:

  • até R$ 500 (taxa baixa)
  • entre R$ 500 e R$ 1.000 (taxa média)
  • acima de R$ 1.000 (taxa alta)

O resultado mostra um comportamento claro: quanto menor o valor da taxa, maior tende a ser a inadimplência.

No fechamento do último trimestre de 2025, dezembro registrou:

  • 9,96% de inadimplência em condomínios de até R$ 500, alta de 0,16 ponto percentual em relação a novembro
  • 6,03% em condomínios entre R$ 500 e R$ 1.000, queda de 0,10 ponto percentual
  • 4,53% em condomínios acima de R$ 1.000, mesmo nível do mês anterior

O maior pico do ano ocorreu em setembro de 2025, quando a inadimplência nos condomínios mais baratos chegou a 11,46%.

Consequências para moradores e para a gestão condominial

A inadimplência condominial traz impactos diretos tanto para os moradores quanto para a administração do condomínio. Para o proprietário, a dívida pode ter consequências severas.

Caso a cobrança seja judicializada, o imóvel pode inclusive ser levado a leilão para pagamento da dívida, dependendo da evolução do processo.

Para o condomínio, o problema é coletivo: quando muitos moradores deixam de pagar a taxa, o caixa fica comprometido e despesas essenciais passam a ser ameaçadas, como:

  • manutenção predial
  • folha de funcionários
  • segurança
  • obras de melhoria

Sem fluxo financeiro previsível, muitas administrações acabam adiando reformas ou cancelando investimentos necessários.

Mercado aposta em soluções para garantir arrecadação

Diante desse cenário, surgem alternativas de gestão financeira voltadas para garantir estabilidade no caixa condominial.

Uma das soluções oferecidas pelo mercado é o Inadimplência Zero (IZ), produto do Grupo Superlógica que garante ao condomínio o recebimento da taxa mesmo quando o morador está inadimplente.

Embora muitos condomínios possuam fundos de reserva para lidar com a inadimplência, é fundamental buscar uma solução mais eficaz. Com o Inadimplência Zero, garantimos ao condomínio uma arrecadação previsível e sem imprevistos, além de disponibilizarmos outras ferramentas para que o morador consiga quitar seu débito”, explica Baroni.

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