Copom deve cortar a Selic em 0,25 ponto para preservar o ciclo de queda, mas cenário ainda exige cautela

Órgão deve baixar taxa básica de juros para 14,5% na reunião desta semana, em meio ao conflito no Oriente Médio, à inflação ainda alta e ao cenário fiscal incerto.
Taxa Selic
Foto: Adobe Stock / sulit.photos

Resumo da Notícia

  • O Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião desta quarta-feira (29).
  • A decisão visa preservar a credibilidade do ciclo de cortes, não um cenário econômico confortável para aceleração.
  • Fatores como inflação acima da meta, serviços pressionados e petróleo em alta limitam cortes maiores da taxa básica.
  • Projeções de IPCA para 2026 e 2027 permanecem acima do teto da meta do Banco Central, desancorando o horizonte.
  • O conflito no Oriente Médio, elevando o preço do barril de petróleo, e a fragilidade fiscal brasileira também pesam na decisão.
  • A FecomercioSP projeta a Selic encerrando o ano em 13%, indicando que os juros permanecerão elevados por mais tempo.
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O Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião que termina nesta quarta-feira (29), mas o movimento não é lido como sinal de tranquilidade na economia.

A avaliação é de que o Banco Central fará esse ajuste muito mais para preservar a credibilidade do ciclo de cortes iniciado no encontro anterior do que por enxergar espaço confortável para acelerar a queda dos juros. O pano de fundo continua pesado: inflação acima da meta, serviços pressionados, petróleo em alta por causa do conflito no Oriente Médio e contas públicas frágeis.

Se a decisão fosse guiada apenas pelo ambiente macroeconômico, o espaço para afrouxamento seria bem menor. O país convive com inflação acumulada de 4,1% em 12 meses, acima da meta de 3%, enquanto o setor de Serviços roda em 6% ao ano.

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O mercado já trabalha com IPCA de 4,86% em 2026, acima do teto de 4,5% fixado pelo Banco Central, e também enxerga 2027 em 4%, ainda fora do centro da meta. É esse horizonte desancorado que impede uma queda mais rápida e mais profunda da taxa básica.

Por que o Copom deve optar por um corte pequeno

O corte esperado de 0,25 ponto carrega um recado de continuidade, não de alívio amplo. A sinalização é de que o Banco Central quer manter coerência com o movimento anterior e evitar ruído sobre sua estratégia, mas sem transmitir ao mercado a ideia de que o ciclo será intenso.

A leitura apresentada é simples: se o BC acelerasse agora, com inflação ainda resistente e expectativa desajustada para os próximos anos, correria o risco de comprometer ainda mais a trajetória dos preços. Em outras palavras, a autoridade monetária até pode cortar, mas não tem margem para ser agressiva.

A pressão inflacionária segue no centro da decisão. A inflação em 4,1% já seria, por si só, um dado desconfortável para um país com meta de 3%. O quadro fica mais delicado porque a alta dos preços atinge também os Serviços, setor vital da economia e que aparece com avanço de 6% ao ano.

O mercado já incorporou esse incômodo nas projeções. A estimativa de IPCA de 4,86% para 2026 coloca a inflação acima do teto da meta. Nem mesmo a projeção para 2027, em 4%, volta ao centro perseguido pelo BC. Esse tipo de expectativa pesa demais na formação da política monetária. Se o horizonte futuro já nasce pressionado, o Banco Central perde espaço para cortar juros com rapidez.

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Petróleo e guerra no Oriente Médio entram no radar do Banco Central

A equação não termina dentro de casa. Há um fator externo pesando com força: a guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Segundo a avaliação apresentada, o fechamento do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, já produz impacto sobretudo sobre o mercado internacional de petróleo. O canal concentra cerca de 20% do óleo bruto produzido no mundo, o que ajuda a explicar a alta recente do barril.

No caso do brent, referência global de petróleo de alta qualidade, o preço saiu de US$ 61,00 em janeiro de 2026 para US$ 72,00 em fevereiro, depois saltou para US$ 103,00 em março e alcançou US$ 109,92 em abril. No próprio material, a referência é de que o barril subiu para acima de US$ 110 em abril, em meio aos bloqueios do estreito pelo conflito.

Essa disparada não é detalhe. Energia cara pressiona custos, alimenta inflação e complica qualquer tentativa de o BC trabalhar com juros mais baixos.

Fragilidade fiscal mantém o Banco Central travado

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Há ainda um terceiro elemento decisivo: o quadro fiscal. As contas públicas são descritas como frágeis, sem avanço concreto em direção a um controle estrutural, ao mesmo tempo em que as despesas obrigatórias seguem em crescimento. Nesse ambiente, a Selic alta vira instrumento de compensação.

A leitura é de que o Banco Central só terá liberdade para aprofundar de fato o ciclo de cortes quando houver do governo um compromisso claro com o equilíbrio fiscal. Sem isso, a autoridade monetária tende a permanecer defensiva.

E há um agravante político: em anos eleitorais, o comportamento tradicional costuma ser o oposto do ajuste, com aumento de gastos para melhorar o ambiente eleitoral. Esse padrão reduz ainda mais a confiança para uma queda mais ousada da taxa.

FecomercioSP vê Selic alta por mais tempo e fim de ano em 13%

A FecomercioSP trabalha com a expectativa de que os juros permaneçam elevados por um período maior do que o mercado projetava. A entidade vê a Selic encerrando o ano em 13%, o que pressupõe um calendário de reuniões do Copom sem sinal de cortes mais relevantes.

Na visão da federação, os juros só vão cair de forma mais consistente se houver ajuste fiscal robusto. Sem esse movimento, o país tende a continuar preso a uma economia de juros altos, incerteza e custo elevado para empresas e consumidores.

Evolução recente da Selic

A trajetória informada para a taxa básica entre 2024 e 2026 foi a seguinte:

A sequência mostra que, depois de uma fase de queda até 10,5%, a Selic voltou a subir com força até 15%, permanecendo nesse patamar por várias reuniões antes de iniciar um recuo muito gradual.

Preço do barril de petróleo entre 2025 e 2026

Mês/AnoBrent (US$)
jan/2579,00
fev/2575,90
mar/2573,20
abr/2570,10
mai/2564,80
jun/2568,40
jul/2571,20
ago/2567,50
set/2566,10
out/2565,40
nov/2564,20
dez/2563,00
jan/2661,00
fev/2672,00
mar/26103,00
abr/26109,92

A curva deixa claro o tamanho da virada em 2026. Depois de encerrar 2025 em US$ 63,00, o barril disparou já no primeiro quadrimestre seguinte, o que ampliou o nível de incerteza para a política monetária.

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