Resumo da Notícia
A conta de energia elétrica pode sofrer um novo salto em 2026, com reajustes que chegam a 12% em relação a 2025, segundo projeções de bancos e consultorias especializadas. O cenário, que já havia pesado no orçamento das famílias no ano passado, volta ao centro do debate econômico e inflacionário, sobretudo pelo conjunto de fatores estruturais que pressionam o setor elétrico brasileiro.
Nos últimos 15 anos, a energia elétrica tem se consolidado como um dos itens mais sensíveis do custo de vida no país. Nesse intervalo, o preço da conta de luz acumulou alta de 177%, enquanto a inflação oficial avançou 122%, conforme dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL). A diferença evidencia que o problema não é pontual, mas recorrente.
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As projeções mais elevadas consideram um conjunto de riscos já conhecidos do setor. A consultoria PSR aponta que somente o acionamento das usinas termelétricas e o risco hidrológico podem gerar um impacto de até 7,95% nas tarifas no próximo ano. Esse cálculo ainda incorpora reajustes anuais das distribuidoras, além de impostos e encargos regulatórios.
A própria PSR ressalta que temperaturas mais altas e aumento da demanda por energia tendem a agravar o cenário, especialmente nos períodos de maior consumo. Embora haja possibilidade de reduções pontuais em algumas regiões, o efeito geral segue sendo de pressão sobre a tarifa média nacional.
Uma leitura semelhante é feita pelo economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano. Ele estima um reajuste de 5,1%, o que representa 1,15 ponto percentual acima da inflação projetada. O alerta, no entanto, está no fator climático. Segundo Serrano, a eventual atuação do fenômeno El Niño pode piorar significativamente o quadro.
Clima e bandeira vermelha podem empurrar reajuste para o teto
Com o El Niño, cresce a probabilidade de seca nas regiões Norte e Nordeste, afetando diretamente os níveis dos reservatórios e aumentando a dependência das termelétricas, que possuem custo de geração mais elevado. Nesse cenário, a bandeira tarifária vermelha patamar 2 poderia ser acionada ao fim do ano, elevando a conta de luz acumulada em até 12%, conforme a projeção do economista.
Além do clima, outro elemento estrutural pesa sobre o consumidor: os subsídios do setor elétrico. Para 2026, a previsão é de que esses subsídios alcancem R$ 47,8 bilhões, um crescimento de 17,7% em relação a 2025. Esse valor é custeado majoritariamente pelos próprios usuários do sistema, o que amplia o impacto nas tarifas residenciais.
Apesar das projeções preocupantes, os dados mais recentes do Sistema Interligado Nacional mostram uma situação, por ora, equilibrada. Na última semana analisada, os níveis de armazenamento estavam em 64,8% no Nordeste, 63,8% no Norte, 54,8% no Sudeste/Centro-Oeste e 45% no Sul. Os números são classificados como satisfatórios do ponto de vista operacional.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, o acompanhamento é feito de forma contínua pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico, com atenção especial à bacia do Rio Paraná e à Região Sul, áreas mais sensíveis às variações climáticas.
Possíveis alívios dependem de clima e decisões regulatórias
Há, no entanto, fatores que podem suavizar o impacto. Chuvas acima da média ao longo do ano tendem a reduzir a necessidade de acionamento das termelétricas, o que poderia resultar em tarifas menos pressionadas. O avanço da geração de energia renovável também surge como elemento de contenção de custos.
Outro ponto citado é a renovação antecipada de concessões, cuja arrecadação poderia ser utilizada para reduzir parte dos subsídios que hoje bancam contas de famílias de baixa renda, moradores de áreas rurais e unidades consumidoras usadas exclusivamente para irrigação. Ainda assim, especialistas tratam essa possibilidade como complementar, não suficiente para neutralizar todos os riscos projetados.
