Conselho da Petrobras discute política de preços sob pressão de investidores

Petrobras aprova pagamento de R$ 20 bilhões aos acionistas
© Fernando Frazão/Agência Brasil
Continua após o anúncio

A primeira reunião do Conselho de Administração da Petrobras em 2025, realizada nesta quarta-feira (29), foi marcada por intensos debates sobre a política de preços de combustíveis da estatal. Investidores privados pressionam por um reajuste que aproxime os valores praticados pela companhia aos preços de importação.

Segundo fontes próximas ao assunto, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião recente, que um possível reajuste se limitaria ao diesel, sem afetar a gasolina. A diretoria da empresa, entretanto, não indica a intenção de alterar os preços imediatamente, o que gera divergências entre os representantes dos acionistas minoritários e do governo federal no Conselho.

Os conselheiros já receberam um relatório da diretoria informando que os preços atuais estão em conformidade com a política vigente, implementada em maio de 2023. No entanto, essa avaliação não é unânime. Parte do Conselho defende um reajuste no preço do diesel, que permanece inalterado há mais de um ano.

Continua após o anúncio

Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam uma defasagem de 16% no preço do diesel em relação ao mercado internacional, enquanto a gasolina apresenta uma defasagem de 8%. A Petrobras não altera o preço do diesel há 399 dias, e a Abicom aponta para 91 dias de janela fechada para importação do combustível.

Leia tambémBoletim Focus traz nova alta do IPCA esperado e acende alerta para combustíveis e alimentos

A recente queda do dólar, cotado a R$ 5,89 na terça-feira (28), e do petróleo, negociado a US$ 75,98 o barril nesta quarta-feira (29), contribuíram para a redução da defasagem. A Abicom calcula que, para atingir a paridade internacional, a Petrobras poderia elevar o preço do diesel em R$ 0,55 por litro e o da gasolina em R$ 0,24 por litro.

Representantes de investidores privados argumentam que a política de preços não está sendo cumprida e necessita de correção. Há um apelo para que a Petrobras informe ao mercado o impacto da atual condução dos preços em seu faturamento. Outra fonte próxima às discussões no Conselho concorda sobre a necessidade do reajuste, afirmando que a política foi respeitada apenas até dezembro de 2024.

Continua após o anúncio

Por outro lado, a diretoria da estatal sustenta que a política de preços garante margem de lucro positiva, posição aceita pela maioria dos representantes do governo no Conselho.

Em entrevista recente, Magda Chambriard afirmou que os preços do diesel e da gasolina não estão congelados e que a estratégia da empresa tem sido bem-sucedida. “Não estamos congelando nada. Estamos absolutamente dentro da nossa estratégia, a qual não posso contar. Se dissesse, estaria lesando o meu acionista”, disse Magda. “A gente acompanha o mercado e evita a volatilidade de olho em market share”, completou.

Chambriard destacou a menor demanda por diesel em janeiro e fevereiro, com expectativa de recuperação em março. O Brasil importa entre 20% e 30% do diesel consumido, e a Petrobras assume essa importação na ausência de agentes privados quando a demanda aumenta.

Leia tambémEquipe econômica avalia liberar até 20% do FGTS para trabalhadores com menor renda

Apesar das divergências, o Conselho de Administração possui poder apenas para recomendar e discutir a política de preços, sem autoridade para alterá-los diretamente. Essa responsabilidade recai sobre a presidente Magda Chambriard e os diretores financeiro, Fernando Melgarejo, e de distribuição e logística, Carlos Schlosser. Ambos os diretores estão de férias e retornam na próxima semana, o que torna um reajuste imediato improvável.

Fontes internas à Petrobras consideram um reajuste improvável nos próximos dias, devido à concorrência com o diesel russo e ao reajuste do ICMS previsto para fevereiro. Um possível espaço para mudanças seria a partir de março, coincidindo com a projeção de aumento da demanda por diesel.

 

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.