O comércio brasileiro registrou um crescimento de 0,5% nas vendas em fevereiro, em comparação com janeiro, estabelecendo um novo recorde histórico desde o início da série de pesquisas em janeiro de 2000, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recorde anterior havia sido estabelecido em outubro de 2024.
Este aumento, apurado pela Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, reflete um desempenho robusto do setor, superando o patamar pré-pandemia da Covid-19 em 9,1%. A média móvel trimestral, que indica a tendência do comércio, apresentou um crescimento de 0,2%. Este crescimento ocorre em um momento em que o Governo Lula avalia antecipar 13º do INSS para 35 milhões de beneficiários em 2025, o que pode impactar ainda mais o setor.
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Na série sem ajuste sazonal, as vendas de fevereiro apresentaram um aumento de 1,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O acumulado dos últimos 12 meses demonstra uma expansão de 3,6% no setor.
Desempenho por Atividade
Entre as oito atividades pesquisadas, quatro apresentaram crescimento:
- Hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: 1,1%
- Móveis e eletrodomésticos: 0,9%
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 0,3%
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 0,1%
Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, destacou a retomada do protagonismo do setor de hiper e supermercados, após um período de seis meses de estabilidade. A desaceleração da inflação de alimentos, de 1,06% em janeiro para 0,76% em fevereiro, contribuiu para esse desempenho. O setor de supermercados tem se mostrado promissor, apesar de alguns desafios como a rejeição de vagas por candidatos, como apontado em Supermercados têm milhares de vagas abertas, mas candidatos rejeitam ofertas – entenda por quê.
Em contrapartida, as atividades que registraram recuo foram:
- Livros, jornais, revistas e papelaria: -7,8%
- Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: -3,2%
- Tecidos, vestuário e calçados: -0,1%
- Combustíveis e lubrificantes: -0,1%
O gerente da pesquisa explicou que a queda no segmento de livros, jornais e papelarias reflete a migração do consumo para plataformas digitais e o fechamento de lojas físicas, colocando o setor 80,2% abaixo do pico atingido em janeiro de 2013.
Varejo Ampliado
No varejo ampliado, que inclui veículos, motos, peças e materiais de construção, houve um recuo de 0,4% no volume de vendas de janeiro para fevereiro, considerando o ajuste sazonal. No acumulado de 12 meses, a expansão foi de 2,9%, sem ajuste sazonal. É importante notar que, embora o cenário econômico brasileiro apresente otimismo, como visto em Real se fortalece: dólar recua a R$ 5,72 com otimismo no cenário econômico brasileiro, nem todos os setores acompanham essa tendência de forma uniforme.
Revisão dos Dados de 2024
O IBGE também informou que uma correção de dados por uma grande empresa do setor farmacêutico impactou os resultados de 2024. A expansão do setor, inicialmente calculada em 14,2%, foi revisada para 7,4%. Essa mudança resultou em um crescimento geral do comércio de 4,1% em 2024, inferior aos 4,7% divulgados anteriormente. Apesar da revisão, o crescimento de 2024 ainda é o maior desde 2013.
