Alta nos preços obriga brasileiros a cortar alimentos essenciais e migrar para atacadistas

Alta nos preços obriga brasileiros a cortar alimentos essenciais e migrar para atacadistas
Foto: Rafael Nicácio / Direitos Reservados / Portal N10

A alta contínua dos preços vem forçando milhões de brasileiros a repensarem seus hábitos de consumo. Um levantamento conduzido entre os dias 11 e 23 de março de 2025 pela Brazil Panels Consultoria, em parceria com a Behavior Insights, revela que 41,8% da população passou a comprar alimentos em atacadistas como forma de economizar.

A pesquisa, que ouviu 1.056 pessoas de todas as regiões do país, mostra o impacto direto da inflação sobre o orçamento das famílias e as novas estratégias adotadas diante da perda de poder de compra.

O dado mais alarmante é a percepção generalizada sobre o aumento do custo de vida: 95,1% dos entrevistados afirmaram que os preços subiram nos últimos 12 meses. Apenas 3% disseram que os valores se mantiveram estáveis, e 1,9% notaram uma queda. Quando o foco são os alimentos, 97,2% relataram uma alta acelerada nos preços, colocando a alimentação como o setor mais afetado, segundo 94,7% dos participantes.

O comportamento de compra também mudou: 33,4% ainda mantêm o local de compra habitual, mas 17,4% passaram a comprar em mercados de bairro para controlar melhor a quantidade adquirida, e 5,2% recorrem às feiras livres buscando preços menores.

Em entrevista ao Portal N10, o CEO da Brazil Panels, Claudio Vasques, comentou os resultados. “Com a alta nos preços, há uma mudança drástica nos hábitos de consumo da população brasileira. A inflação não apenas impacta o orçamento, mas força uma reestruturação nas prioridades de consumo. Pode parecer apenas um número, mas pense bem: se quase 9 em cada 10 pessoas sentem o peso da inflação justamente no prato de comida, o que isso diz sobre o futuro da segurança alimentar no país? Talvez seja hora de olhar com mais atenção não só para o que está na mesa, mas para o que está faltando nela“, afirmou.

A pesquisa detalha ainda que 50,5% deixaram de comprar azeite, 46,1% cortaram a carne bovina, e outros produtos considerados básicos também aparecem na lista: café (34,6%), ovos (20%), frutas e verduras (12,7%), leite (9%) e arroz (7,1%).

Segundo Vasques, o que está em jogo vai muito além da reorganização financeira: “Não estamos falando de luxo. Estamos falando de alimentos básicos, de rotina, de cultura, de prazer. A inflação tirou mais que o poder de compra: ela tirou itens do carrinho que antes eram considerados essenciais. Pode parecer ‘normal’ cortar supérfluos. Mas quando ovos, feijão, frutas e arroz entram na lista do que está sendo abandonado, isso passa a ser preocupante.”

As projeções para o futuro reforçam o clima de preocupação: 65,9% acreditam que o custo de vida continuará aumentando nos próximos 12 meses, enquanto 23% esperam uma elevação mais moderada. Apenas 8% apostam na estabilidade dos preços e 3,1% vislumbram uma possível redução.

Quando questionados sobre quais medidas o governo deveria tomar para conter a escalada da inflação, os entrevistados apontaram:

  • Redução de impostos sobre produtos básicos (61,6%)
  • Controle de preços de alimentos e energia (55,6%)
  • Ajuste no salário mínimo para recompor o poder de compra (35,6%)
  • Maior fiscalização contra abusos nos preços (25,4%)
  • Redução da taxa de juros (20,7%)
  • Diminuição do custo dos combustíveis (17,7%)

O que mais assusta não é o que já subiu, é o que ainda está por vir. Nove em cada dez brasileiros enxergam o futuro com novos aumentos de preços. A consequência não se limita ao amanhã – ela já está impactando o presente. A expectativa de inflação acelera a cautela e reduz o consumo“, explicou Vasques ao Portal N10.

A população e as empresas estão sob forte pressão, não apenas pelos preços, mas também pelos efeitos de juros elevados. Sem medidas que garantam equilíbrio, o impacto se tornará cada vez mais profundo, atingindo não apenas o consumo, mas também a qualidade de vida“, completou.

📊 Detalhes da pesquisa

O estudo teve margem de erro de 3 pontos percentuais e 95% de nível de confiança, com amostra representativa nacional. A distribuição por classe social foi: Classe A (6%), Classe B (29%), Classe C (48%) e Classe D/E (17%). Quanto à faixa etária: 13% tinham entre 18 e 34 anos, 24% entre 35 e 44, 31% entre 45 e 54, 22% entre 55 e 64, e 10% tinham 65 anos ou mais.

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