Pagamentos em dinheiro vivo estão cada vez mais raros hoje em dia. Há 6 anos atrás, mais de 70% dos pagamentos eram efetuados em dinheiro vivo. Em 2023, este percentual caiu para 40,5%. A queda brusca é, em grande medida, atribuída à criação do Pix e sua imensa popularidade, mas esta não é a única explicação. O mercado nacional também está testemunhando uma alta histórica na utilização de carteiras digitais, ou e-wallets. Saiba mais.
Digitalização de Pagamentos
Por aqui, 84% dos consumidores afirmam terem usado esta forma de pagamento no ano passado. Muitos utilizam as e-wallets regularmente no pagamento de contas (47%) e para fazer compras online (27%) e até pouco tempo atrás, para jogar este jogo clássico. Segundo uma pesquisa recente da Pymnts, este percentual supera países como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França.
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Curiosamente, a tendência é encabeçada não pelos mais jovens, mas sim por baby boomers e idosos: 51% deles usam essa forma de pagamento para quitar suas contas. A taxa é bem menor, porém crescente, entre a Geração X (36%), Millennials e Geração Z (25%). A pesquisa da Pymnts ainda revelou que a taxa de satisfação com este serviço é altíssima entre os brasileiros, chegando a 83%.
Fora os pagamentos, os usuários também contam com as e-wallets para verificação de identidade e acesso a serviços. Não é à toa que os consumidores brasileiros abraçaram a ideia. Com o crescimento do comércio online, esta opção vem se mostrando mais prática e segura do que métodos mais tradicionais, como cartões de crédito e débito.
Além disso, o fator praticidade conta bastante: a imensa maioria das e-wallets possuem apps que rodam tanto em smartphones Android quanto iOS e basta ter acesso à internet para efetuar pagamentos de qualquer lugar. Com a média de smartphones superando um aparelho por habitante e internet chegando a mais de 92% dos lares, o Brasil se tornou um campo fértil para as carteiras digitais.
Outro fator que vem atraindo mais usuários é o elevado nível de segurança. A maioria das carteiras digitais possuem características como encriptação de dados, proteção contra roubo e furtos, login por biometria e identificação de dois fatores (2FA) para transações. As opções mais competitivas oferecem ainda cupons de desconto, programas de fidelidade e integração com outros serviços.
Riscos e Desvantagens
Nem tudo são vantagens no mundo das famosas e-wallets. A necessidade de conexão com a internet pode ser um problema em áreas onde há pouca cobertura. Ainda que elas estejam em alta entre os consumidores, boa parte dos estabelecimentos ainda não aceita esta forma de pagamento.
Pior ainda, problemas técnicos e interrupções de serviço tendem a ser mais frequentes, o que pode dar uma baita dor de cabeça aos usuários. Apesar do elevado nível de segurança, essas carteiras não são imunes a ataques cibernéticos como phishing e roubo de senhas.
Jogando Dinheiro

As e-wallets também são muito populares entre a comunidade gamer que, no Brasil, está cada vez maior. Elas são a principal forma de pagamento para 24% dos gamers na América Latina. Os dados não surpreendem, já que 77% dos gamers brasileiros preferem jogar pelo celular, que é também o principal meio de utilização destas carteiras.
Neste contexto, elas são usadas para a compra e venda de itens in-game, como skins, armas, etc. Algumas carteiras permitem ao usuários operar com diferentes moedas ao mesmo tempo; uma vantagem enorme para quem joga em plataformas estrangeiras. Além disso, as taxas de transferência costumam ser bem menores do que os métodos mais tradicionais.
Até o ano passado, as carteiras digitais também eram utilizadas para realizar pagamentos em plataformas de apostas online. No entanto, para estes jogadores, a situação mudou. Com a Lei das Bets em pleno vigor, cartões de crédito e carteiras digitais como PayPal não podem mais ser utilizados para este fim; apenas pagamentos via Pix, cartões de débito, cartões pré-pagos e transferências bancárias. Ainda assim, carteiras digitais que oferecem Pix ainda podem ser utilizadas.
Futuro das Carteiras Digitais
As carteiras digitais surgiram como uma opção às transações bancárias tradicionais. Porém, cada vez mais bancos estão de olho nesta inovação e correm para criar as suas próprias. Plataformas como Apple, Google e Samsung oferecem soluções NFC para seus usuários. Com elas, é possível fazer pagamentos por aproximação sem nenhum cartão físico, usando apenas o celular.
Ao integrar a tecnologia NFC, os bancos podem competir diretamente com estas plataformas, mantendo este tipo de pagamento em seus ecossistemas. Cada operação dessa gera dados importantes sobre os usuários, que podem ser utilizados na criação de novos produtos e campanhas publicitárias. Dessa forma, os bancos pretendem estreitar a relação com seus clientes.
Nem todas as carteiras digitais suportam pagamentos via Pix, mas esta situação está mudando. Dada a enorme popularidade destes pagamentos, mais carteiras devem incorporar essa funcionalidade. A adoção de biometria também vem crescendo, o que significa mais segurança para os usuários. Os números indicam uma clara tendência de crescimento para os próximos anos: 44% dos usuários entrevistados pela Pymnts afirmaram que pretendem utilizar essa opção no futuro.
