Greve dos bancários começa no RN e afeta serviços nas agências
Paralisação por tempo indeterminado começou nesta terça-feira (8) após categoria potiguar rejeitar proposta de reposição do INPC mais 0,6% de ganho real.
Resumo da Notícia
- Os bancários do Rio Grande do Norte iniciaram nesta terça-feira (8) uma greve por tempo indeterminado, após a categoria rejeitar em assembleia a proposta apresentada pela Fenaban para a Campanha Salarial 2026.
- A proposta nacional prevê reposição integral do INPC mais 0,6% de aumento real, tanto em 2026 quanto em 2027. O percentual de 0,6% é o ganho acima da inflação e não deve ser apresentado como reajuste salarial total.
- A paralisação pode afetar o atendimento presencial e atividades como a venda de seguros e empréstimos, enquanto aplicativos, internet banking e outros serviços digitalizados continuam funcionando. O impacto varia conforme a adesão em cada banco e agência.
- O Sindicato dos Bancários do RN também cobra melhores condições de trabalho, combate a metas abusivas e assédio moral, manutenção de agências e contratação de funcionários. Como a greve é por tempo indeterminado, ainda não existe uma data definida para o retorno integral das atividades.
Os bancários do Rio Grande do Norte iniciaram nesta terça-feira (8) uma greve por tempo indeterminado. A paralisação havia sido aprovada em assembleia no início do mês, depois de a categoria potiguar rejeitar a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho.
A proposta da Fenaban prevê reposição integral da inflação medida pelo INPC mais 0,6% de aumento real em 2026, com repetição da fórmula em 2027. O reajuste alcançaria salários e verbas como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
O percentual definitivo do reajuste de 2026 ainda depende da divulgação do INPC referente à data-base da categoria. Portanto, os 0,6% não representam o reajuste salarial total, mas o ganho real proposto acima da inflação.
O Portal N10 já havia mostrado em 2 de setembro que os bancários do RN aprovaram a greve para começar no dia 8. Nesta terça, a paralisação saiu do campo da deliberação e passou efetivamente a atingir a atividade bancária no estado.
O que muda com a greve dos bancários no RN
A adesão pode variar entre bancos, agências e trabalhadores. Por isso, o início da greve não significa necessariamente o fechamento de todas as agências bancárias do Rio Grande do Norte.
Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários do RN, Alexandre Cândido, atividades relacionadas à comercialização de produtos bancários, como seguros e empréstimos, estão entre os serviços atingidos pelo movimento.
Ao explicar o foco da paralisação, Cândido afirmou:
“É a parte que mexe no fluxo de dinheiro e que dá lucro ao banco. Os demais serviços continuam de forma digitalizada, como já ocorre”.
Aplicativos bancários, internet banking e outros canais digitais continuam disponíveis, assim como operações que já são realizadas eletronicamente. O impacto sobre o atendimento presencial dependerá da adesão em cada unidade.
Para quem precisar de atendimento em agência, a recomendação prática é verificar previamente a situação da unidade e, quando possível, utilizar os canais digitais para operações que não dependam da presença de um funcionário.
Sindicato rejeita INPC mais 0,6%
O Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte afirma que a proposta da Fenaban não atende à pauta defendida pela entidade.
Além da recomposição salarial, o sindicato reivindica melhores condições de trabalho, cumprimento da NR-1, combate a metas consideradas abusivas e ao assédio moral, medidas contra o adoecimento psíquico, manutenção das agências e contratação de funcionários.
A entidade potiguar também defende uma recomposição salarial superior à proposta negociada nacionalmente. Segundo o sindicato, sua pauta inclui recuperação de perdas salariais acumuladas e aumento real baseado no crescimento dos ativos dos maiores bancos.
Alexandre Cândido afirmou:
“A Fenaban, a Contraf-CUT e o governo Lula querem impor mais arrocho para os bancários. É um absurdo. Nossa resposta é a greve”.
A declaração representa a posição política e sindical do SEEB-RN sobre a negociação.
Proposta da Fenaban vale por dois anos
A oferta apresentada no fim de agosto prevê a renovação da convenção por dois anos, abrangendo 2026 e 2027.
Para os dois períodos, a fórmula proposta é a mesma: 100% do INPC acumulado na data-base mais 0,6% de aumento real. A regra seria aplicada não apenas aos salários, mas também às principais verbas econômicas previstas na convenção.
Entidades bancárias de outras bases consideraram que a proposta preserva direitos e assegura ganho acima da inflação. Já o sindicato potiguar adotou posição contrária e decidiu manter a mobilização.
Essa diferença ajuda a explicar por que a situação no Rio Grande do Norte pode não ser idêntica à de todos os estados. A paralisação foi definida pela categoria local depois da rejeição da proposta em assembleia.
Greve não tem data definida para terminar
A decisão aprovada pelos trabalhadores no RN estabelece greve por tempo indeterminado. Isso significa que não existe uma data previamente marcada para o encerramento da paralisação.
O movimento busca pressionar por nova negociação e avanço nas reivindicações apresentadas pelo sindicato. A duração dependerá do andamento das conversas, da adesão dos trabalhadores e das futuras deliberações da categoria.
Até esta terça-feira, não havia sido anunciada uma nova proposta capaz de encerrar a paralisação no Rio Grande do Norte.


