Mercado
Dólar R$ 5,1082 BCB Euro R$ 5,8454 Frankfurter Bitcoin R$ 320.110,00 -2,49% Ethereum R$ 9.104,25 -2,37% Solana R$ 388,68 -2,03% Selic 14,25% a.a. BCB IPCA 0,16% mensal Dólar R$ 5,1082 BCB Euro R$ 5,8454 Frankfurter Bitcoin R$ 320.110,00 -2,49% Ethereum R$ 9.104,25 -2,37% Solana R$ 388,68 -2,03% Selic 14,25% a.a. BCB IPCA 0,16% mensal

Carne bovina do Nordeste ganha mercado e exportações sobem 51%

Região embarcou 9,4 mil toneladas entre janeiro e março e cresceu acima da média nacional, puxada por Pernambuco, Bahia, Maranhão e Ceará.
Nordeste amplia exportação de carne bovina em 51% no primeiro trimestre
Nordeste amplia exportação de carne bovina em 51% no primeiro trimestre - Crédito: Etene / BNB

Exportações de Carne Bovina do Nordeste Disparam em 2026

  • O Nordeste registrou um crescimento de 51,38% nas exportações de carne bovina no primeiro trimestre de 2026, totalizando 9,4 mil toneladas.
  • O desempenho regional superou a média nacional, que foi de 17% no mesmo período.
  • Estados como Pernambuco (124%), Bahia (65%), Ceará (42%) e Maranhão (30%) impulsionaram o crescimento.
  • A alta no abate de bovinos na região, de 2,96%, é atribuída à modernização dos sistemas de produção.
  • O Banco do Nordeste (BNB) financiou quase R$ 26 bilhões para a bovinocultura de corte na região entre 2020 e março de 2026.

O Nordeste fechou o primeiro trimestre de 2026 com avanço forte nas exportações de carne bovina. Entre janeiro e março, a região embarcou 9,4 mil toneladas, crescimento de 51,38% em relação ao mesmo período do ano passado.

O ritmo ficou acima do desempenho nacional, que foi de 17%. No mesmo intervalo, as exportações estimadas do país superaram 4,28 milhões de toneladas, volume equivalente a 34,6% da produção nacional.

Os dados foram analisados pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), vinculado ao Banco do Nordeste (BNB). O levantamento aponta que o avanço regional ocorreu tanto em volume quanto em faturamento, com ampliação dos destinos de venda e participação mais forte de alguns estados.

IndicadorResultado
Exportações do Nordeste no 1º trimestre9,4 mil toneladas
Crescimento regional51,38%
Crescimento nacional17%
Exportações nacionais estimadasmais de 4,28 milhões de toneladas
Participação na produção nacional34,6%
Alta do abate no Nordeste2,96%

O crescimento não foi uniforme dentro da região. O estudo destaca a expansão em estados que ganharam espaço nas vendas externas, em parte pela habilitação de plantas frigoríficas e por melhorias sanitárias.

EstadoCrescimento nas exportações
Pernambuco124%
Bahia65%
Ceará42%
Maranhão30%

O abate de bovinos no Nordeste também avançou. A alta foi de 2,96% frente a 2025, movimento associado à expansão de sistemas semi-intensivos e intensivos, ao maior uso de tecnologia no campo e à integração com regiões produtoras de grãos.

Esse conjunto ajuda a explicar por que a região conseguiu crescer mais que a média brasileira no período. A melhora sanitária e a estrutura de frigoríficos habilitados pesam diretamente na capacidade de acessar mercados compradores.

Ciclo da pecuária pressiona oferta

O estudo do Etene, assinado por Kamilla Ribas Soares, avalia que a cadeia da carne bovina no Brasil atravessa, desde 2025, uma fase de transição ligada à reversão do ciclo pecuário.

Cobertura relacionadaMedo de parar? Apenas um em cada três trabalhadores tira férias completas no Brasil

Na prática, esse movimento envolve retenção de fêmeas, redução gradual da oferta e valorização dos preços do boi gordo e da reposição. O cenário pode afetar custos, margens e capacidade de resposta do setor nos próximos meses.

Mesmo com o resultado positivo nas exportações, o ambiente externo segue instável. A análise cita conflitos geopolíticos, dificuldades logísticas e a adoção de tarifas e cotas por países importadores como fatores de risco para o comércio internacional.

Por isso, o estudo aponta a necessidade de diversificar mercados e agregar valor aos produtos, em vez de depender apenas do aumento de volume embarcado.

Brasil deve liderar produção mundial em 2026

As projeções do Etene indicam que o Brasil deverá liderar o ranking mundial de produção de carne bovina em 2026, com 20% da produção global.

A estimativa é de 12,4 milhões de toneladas no próximo ano. Ainda assim, o número representa uma retração de quase 2% em relação a 2025, reflexo da queda no abate de bovinos dentro do processo de reversão do ciclo pecuário.

O dado mostra uma contradição importante para o setor: o país pode seguir no topo da produção mundial, mas com oferta mais ajustada e custos pressionados.

O Banco do Nordeste também informou o volume de financiamento destinado à bovinocultura de corte em sua área de atuação. De 2020 a março de 2026, foram aplicados quase R$ 26 bilhões no segmento, com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

Em 2025, as operações somaram cerca de R$ 6 bilhões. Desse total, 61% foram destinados ao Semiárido.

O crédito aparece como uma das bases de sustentação da atividade, especialmente em um momento em que a pecuária combina aumento de exportações, modernização produtiva e pressão sobre a oferta.

Continua após a publicidade

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.