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União Europeia suspende importações de carne brasileira

Medida entra em vigor em 3 de setembro e decorre da avaliação europeia de que o Brasil ainda não comprovou integralmente o cumprimento das regras sobre uso de antimicrobianos na produção animal.
UE suspende carne do Brasil e cobra regras mais rígidas sobre antibióticos
UE suspende carne do Brasil e cobra regras mais rígidas sobre antibióticos - Crédito: LIGHTFIELD STUDIOS / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • A União Europeia vai suspender, a partir de quinta-feira (3), as importações de carne brasileira.
  • A Comissão Europeia afirma que o Brasil ainda não apresentou garantias suficientes de cumprimento das regras do bloco sobre uso de antimicrobianos na criação animal.
  • A restrição também alcança outros produtos de origem animal sujeitos às mesmas exigências sanitárias.
  • Uma auditoria sobre aves e mel está em fase final, mas os resultados não devem ser imediatos.
  • Para a carne bovina, a União Europeia exige garantias que cubram todo o ciclo de vida dos animais.

A União Europeia vai suspender a partir de quinta-feira, 3 de setembro, as importações de carne brasileira. A confirmação foi dada nesta terça-feira (1º) pela Comissão Europeia e transforma em efeito prático uma decisão que vinha sendo discutida desde maio, quando o Brasil foi retirado da lista de países considerados plenamente compatíveis com as novas exigências sanitárias do bloco.

O ponto central da restrição é o uso de antimicrobianos na produção animal. As regras europeias proíbem o uso dessas substâncias para promover crescimento ou aumentar produtividade e exigem que países exportadores demonstrem que seus sistemas de controle conseguem garantir o cumprimento dessa exigência ao longo da cadeia produtiva.

Segundo a Comissão Europeia, as garantias apresentadas pelo Brasil até agora não foram suficientes para evitar a suspensão. A restrição atinge a carne e também outros produtos de origem animal submetidos às mesmas regras de certificação sanitária.

A decisão ganha peso adicional porque a União Europeia é um dos principais mercados de produtos agropecuários brasileiros. Em 2025, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina ao bloco europeu, o que amplia o impacto comercial da medida sobre frigoríficos e exportadores.

Problema está no controle de antimicrobianos

A nova exigência europeia não surgiu agora. O bloco passou a adotar regras mais rígidas para impedir que animais destinados à alimentação recebam antimicrobianos usados como promotores de crescimento ou substâncias consideradas críticas para a medicina humana.

O argumento sanitário está relacionado ao avanço da resistência antimicrobiana. O uso excessivo ou inadequado de antibióticos em animais pode favorecer o surgimento de bactérias resistentes, que podem chegar às pessoas por diferentes vias, inclusive alimentos e contato com o ambiente.

Para continuar exportando determinados produtos, os países precisam demonstrar que possuem sistemas capazes de rastrear e controlar essas práticas.

O Brasil adotou medidas ao longo dos últimos meses para tentar atender às exigências. Em julho, o Ministério da Agricultura ajustou mecanismos de controle ligados às exportações de carne e derivados com o objetivo de evitar a suspensão prevista para setembro.

Esses esforços, no entanto, não foram suficientes para convencer a União Europeia antes do prazo.

Carne bovina enfrenta exigência mais ampla

No caso da carne bovina, a avaliação europeia é especialmente rigorosa. A Comissão exige garantias de que as regras sobre antimicrobianos sejam cumpridas durante todo o ciclo de vida do animal, e não apenas na fase imediatamente anterior ao abate.

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Isso significa que os controles precisam alcançar diferentes etapas da criação, incluindo tratamentos veterinários realizados ao longo da vida do rebanho.

Para aves e mel, a situação pode evoluir de forma diferente. Uma auditoria sobre a produção brasileira está prevista para ser concluída no fim desta semana, embora os resultados não sejam divulgados imediatamente.

Mesmo com o encerramento da auditoria, ainda será necessário que as autoridades europeias analisem os dados antes de decidir se algum segmento poderá voltar à lista de exportadores autorizados.

A Comissão Europeia não apresentou prazo para uma eventual retirada da suspensão.

Medida não está ligada ao acordo Mercosul-União Europeia

A restrição sanitária ocorre em um momento de maior aproximação comercial entre Mercosul e União Europeia, mas as duas questões são independentes.

As autoridades europeias já haviam esclarecido que as regras sobre antimicrobianos são aplicadas a todos os países que exportam produtos de origem animal para o bloco, independentemente de acordos comerciais.

Essa distinção é importante porque o acordo entre Mercosul e União Europeia prevê ampliação gradual do comércio agrícola, inclusive com cotas para carnes, mel e outros produtos.

O próprio histórico de negociação mostra essa importância. As condições previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia para produtos agrícolas incluem cotas específicas para carne bovina, aves, suínos, mel e outros itens.

A suspensão sanitária, portanto, pode limitar na prática o aproveitamento dessas oportunidades enquanto o Brasil não recuperar a autorização para exportar.

Brasil vinha tentando evitar o bloqueio

O governo brasileiro já vinha negociando com as autoridades europeias para evitar que a suspensão entrasse em vigor.

Em junho, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo pretendia resolver a questão antes de setembro. Na ocasião, ele destacou a importância de ampliar as exportações de carne bovina e disse que o Brasil trabalhava para esclarecer as exigências europeias.

O tema aparecia justamente em um momento de crescimento das vendas externas do setor. No primeiro trimestre de 2026, por exemplo, as exportações de carne bovina do Nordeste cresceram 51%, acima da média nacional.

A suspensão para a União Europeia não significa paralisação das exportações brasileiras como um todo. O país continua vendendo carne para outros mercados importantes, entre eles China e Estados Unidos.

O impacto dependerá principalmente da capacidade dos frigoríficos de redirecionar volumes e da duração da restrição europeia.

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