Produção industrial do RN cai 4,5% em julho e 12,4% no ano
Produção potiguar caiu 4,5% frente a julho de 2025; derivados de petróleo e biocombustíveis acumulam retração de 23,8%, enquanto vestuário avança 43,1%.
Resumo da Notícia
- A produção industrial do Rio Grande do Norte acumula queda de 12,4% entre janeiro e julho de 2026, maior retração entre os estados acompanhados pelo IBGE.
- Em julho, na comparação com o mesmo mês de 2025, a indústria potiguar caiu 4,5%, terceiro pior resultado estadual, à frente apenas do Pará (-8,9%) e Maranhão (-6,3%).
- A fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis recua 23,8% no ano e apresenta resultados negativos há sete meses consecutivos.
- A fabricação de produtos alimentícios acumula perda de 6,9%, enquanto as indústrias extrativas recuam 2%.
- O principal movimento na direção contrária vem da confecção de artigos do vestuário e acessórios, com crescimento de 22,3% em julho e 43,1% no acumulado de 2026.
A produção industrial do Rio Grande do Norte acumulou queda de 12,4% entre janeiro e julho de 2026, a maior retração entre os estados pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somente em julho, o volume produzido ficou 4,5% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025, com perdas concentradas principalmente na fabricação de derivados de petróleo e biocombustíveis e na indústria de alimentos.
Os números foram divulgados nesta quinta-feira (10) na Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional (PIM-PF Regional), do IBGE. O levantamento acompanha 17 estados e também apresenta resultados agregados para a Região Nordeste.
No confronto entre julho de 2026 e julho de 2025, a retração potiguar de 4,5% foi a terceira mais intensa entre os estados pesquisados. O Pará caiu 8,9% e o Maranhão, 6,3%.
A indústria brasileira, no mesmo tipo de comparação, apresentou queda de 0,5%.
Derivados de petróleo acumulam queda de 23,8%
O segmento que mais pressiona a indústria potiguar em 2026 é o de fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis.
Em julho, a produção dessa atividade ficou 11,7% abaixo de julho de 2025. Foi o sétimo resultado negativo consecutivo do setor neste ano.
No acumulado de janeiro a julho, a retração chega a 23,8%.
A atividade inclui produtos derivados do refino de petróleo e produção de biocombustíveis e possui peso relevante na estrutura industrial do Rio Grande do Norte. Esse mesmo ramo esteve no centro do movimento oposto observado poucos anos atrás: em 2024, quando a produção industrial potiguar acumulava expansão de 13,7% e liderava o crescimento nacional, o avanço dos derivados de petróleo e biocombustíveis estava entre os principais componentes daquele resultado.
A trajetória mudou posteriormente. Em julho de 2025, a indústria geral do RN havia registrado queda de 19,1% frente ao mesmo mês de 2024, também pressionada pela produção de óleo diesel e gasolina automotiva. No acumulado dos sete primeiros meses daquele ano, a perda chegava a 18,5%.
Agora, a comparação anual de julho permanece negativa, mas em intensidade menor: -4,5% em 2026, contra -19,1% registrado um ano antes.
Alimentos recuam 6,9% entre janeiro e julho
A fabricação de produtos alimentícios também terminou julho em queda.
O volume produzido ficou 3,9% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, a retração chega a 6,9%.
O segmento reúne diferentes atividades da indústria de transformação ligadas ao processamento e fabricação de alimentos.
As indústrias extrativas apresentaram comportamento diferente no resultado mensal. Em julho, a produção cresceu 1,4% frente a julho de 2025.
O avanço isolado, porém, ainda não foi suficiente para colocar o resultado acumulado do ano no campo positivo. Entre janeiro e julho, as atividades extrativas do RN registram queda de 2%.
Vestuário cresce 43,1% no ano
A principal exceção dentro da indústria potiguar é a confecção de artigos do vestuário e acessórios.
O setor cresceu 22,3% em julho, comparado ao mesmo mês do ano passado.
No acumulado de janeiro a julho, a expansão chega a 43,1%, fazendo do vestuário a única atividade industrial pesquisada no estado com crescimento no período.
O resultado se mantém elevado também quando a análise é ampliada para os últimos 12 meses. Nessa comparação, a confecção de vestuário registra crescimento de 57,1%.
As indústrias extrativas também apresentam resultado positivo no período de 12 meses, com alta de 3%.
Já a indústria geral do Rio Grande do Norte acumula retração de 8,1% nos 12 meses encerrados em julho.
| Atividade industrial no RN | Julho/2025 | Janeiro a julho |
|---|---|---|
| Indústria geral | -4,5% | -12,4% |
| Indústrias extrativas | +1,4% | -2,0% |
| Produtos alimentícios | -3,9% | -6,9% |
| Coque, derivados do petróleo e biocombustíveis | -11,7% | -23,8% |
| Vestuário e acessórios | +22,3% | +43,1% |
RN melhora ritmo em relação ao início do ano, mas permanece negativo
A série de 2026 mostra que a retração industrial foi mais intensa nos primeiros meses do ano.
No primeiro trimestre, a produção do Rio Grande do Norte acumulava queda de 19,2% frente ao mesmo período de 2025. Até abril, o índice estava negativo em 17,9%, e entre janeiro e maio a retração era de 15,5%.
Com os resultados posteriores, o acumulado chegou a julho em -12,4%.
O próprio IBGE identifica essa mudança quando compara períodos distintos do ano. No primeiro quadrimestre, a indústria potiguar havia recuado 17,9%; considerando apenas maio, junho e julho, a retração foi de 5,1%, sempre na comparação com os mesmos períodos de 2025.
Ainda assim, entre janeiro e julho nenhum outro estado pesquisado acumulou uma redução industrial maior que a do Rio Grande do Norte.
Cenário potiguar contrasta com resultado nacional acumulado
No Brasil, a indústria apresentou variação positiva de 0,2% entre junho e julho, na série com ajuste sazonal.
Essa comparação mensal não é divulgada para o Rio Grande do Norte na série regional dessazonalizada. O estado aparece nas comparações contra o mesmo período do ano anterior, no acumulado do ano e nos últimos 12 meses.
Frente a julho de 2025, a indústria nacional recuou 0,5%. Onze dos 18 recortes geográficos da PIM Regional — 17 estados e a Região Nordeste — apresentaram queda.
Espírito Santo, com 12,8%, e Rio Grande do Sul, com 7%, tiveram os maiores avanços na comparação anual. No outro extremo, o RN integrou o grupo de estados com queda e ficou atrás apenas de Pará e Maranhão em intensidade de retração naquele mês.
O desempenho nacional também varia significativamente entre setores. No país, a fabricação de veículos automotores avançou 7,6% frente a julho de 2025, enquanto produtos químicos caíram 6,9%.
De liderança nacional em 2024 à retração de 2026
A sequência mais recente representa uma mudança expressiva em relação ao desempenho observado no estado em 2024.
Entre janeiro e agosto daquele ano, o RN chegou a acumular 13,7% de crescimento industrial, maior taxa do país naquele momento. O avanço era quatro vezes superior à média brasileira de 3%.
A expansão estava fortemente associada à fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que acumulava crescimento de 33,6%.
Em julho de 2025, esse mesmo segmento já aparecia entre os responsáveis pela queda de 19,1% registrada pela indústria potiguar na comparação anual. A retração prosseguiu em 2026 e alcançou os atuais 23,8% negativos no acumulado de janeiro a julho.
A próxima atualização regional da PIM-PF está prevista no calendário do IBGE para 8 de outubro, quando serão divulgados os resultados referentes a agosto de 2026.


