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Para manter 'bank' no nome, Nubank anuncia compra do Banco Porto Real

A operação visa incorporar a licença bancária oficial à instituição para cumprir a determinação do Banco Central do Brasil.
Nubank ultrapassa Itaú e se torna o 3º maior banco do Brasil em número de clientes
Reprodução/Nubank

Resumo da Notícia

  • O Nubank anunciou a aquisição do Banco Porto Real de Investimentos para incorporar uma licença bancária plena.
  • A medida visa atender a uma norma do Banco Central que restringe o uso do termo 'bank' a instituições com licença formal a partir de novembro de 2026.
  • A empresa reforçou que a operação não altera produtos, serviços ou a rotina dos 115 milhões de clientes no Brasil.
  • O Banco Porto Real, fundado em 1992, atuava no crédito corporativo e pertencia à família Tarquinio Monteiro da Costa.
  • A conclusão do negócio ainda depende da aprovação do Banco Central e do CADE.

Para cumprir as novas exigências regulatórias do sistema financeiro nacional, o Nubank anunciou nesta segunda-feira (20) o acordo de aquisição do Banco Porto Real de Investimentos. A transação foi desenhada para incorporar uma licença bancária plena ao conglomerado da empresa, permitindo que a fintech continue utilizando a palavra “bank” em seu nome comercial e institucional sem a necessidade de promover alterações de marca.

A movimentação antecipa a entrada em vigor de uma norma do Banco Central do Brasil, que determina que, a partir do mês de novembro de 2026, apenas instituições financeiras que possuam autorização e licença bancária formal poderão manter o termo “bank” registrado em suas denominações de mercado. O valor financeiro envolvido na negociação não foi divulgado pelas partes.

A aquisição foi estruturada de forma estritamente institucional para adequação jurídica junto aos órgãos reguladores do país. O Nubank garantiu que a operação não provocará qualquer tipo de mudança operacional na rotina dos usuários.

Para os 115 milhões de clientes do Nubank no Brasil, nada muda: o aplicativo, os produtos, os serviços, a marca e o nome da instituição permanecem os mesmos“, informou a empresa em nota oficial.

A inclusão da licença de banco de investimentos ao conglomerado prudencial da fintech também não exigirá aportes adicionais de capital ou garantias de liquidez além das exigências já mantidas pela companhia. O movimento complementa passos recentes de aproximação do ecossistema tradicional, como a filiação formal do Nubank à Febraban (Federação Brasileira de Bancos) realizada em março deste ano.

Indicador AnalisadoNubank (Conglomerado Global)Banco Porto Real de Investimentos
Ano de Fundação20131992
Sede PrincipalSão Paulo (SP)Porto Real (RJ)
Base de Clientes135 milhões (global) / 115 milhões (Brasil)Clientes de atacado (grandes empresas)
Lucro Líquido (1º tri/2026)US$ 871,4 milhões (aprox. R$ 4,56 bilhões)R$ 352 mil
Foco de AtuaçãoServiços financeiros digitais e varejoEmpréstimos de capital de giro e atacado

Raio-X do Banco Porto Real e balanço do Nubank

Fundado em 1992 no município de Porto Real, no interior do estado do Rio de Janeiro, o Banco Porto Real de Investimentos construiu sua atuação focada na concessão de crédito corporativo para clientes de atacado. A carteira do banco concentrava-se principalmente em operações de capital de giro, com linhas de crédito de curto prazo destinadas à recomposição de caixa de empresas de grande porte.

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Segundo relatórios financeiros referentes ao primeiro trimestre de 2026 disponibilizados pelo Banco Central do Brasil, o Banco Porto Real registrava R$ 32,1 milhões em ativos totais e R$ 727 mil em passivos, totalizando um patrimônio líquido de R$ 31,4 milhões. A carteira de crédito somava R$ 9,78 milhões, com receita trimestral vinda de aplicações financeiras (R$ 706 mil) e juros de operações creditícias (R$ 682 mil).

A instituição pertencia à família Tarquinio Monteiro da Costa, historicamente conhecida pelo setor industrial como proprietária da antiga Companhia Fluminense de Refrigerantes — engarrafadora da Coca-Cola no Brasil vendida ao grupo mexicano Femsa em 2013 por US$ 448 milhões. Além da trajetória no mercado bancário e de bebidas, o grupo familiar mantém negócios voltados ao setor imobiliário.

Pelo lado do comprador, o Nubank registrou um lucro líquido de US$ 871,4 milhões (equivalente a R$ 4,56 bilhões no câmbio do período) no primeiro trimestre de 2026. O resultado representou um crescimento de 41% em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior, consolidando a marca entre as maiores instituições financeiras em volume de clientes do país, contando com mais de 9,5 mil funcionários e expansão internacional em países da América Latina.

A conclusão do negócio e a transferência definitiva do controle acionário do Banco Porto Real de Investimentos para a holding do Nubank continuam sujeitas à análise técnica e aprovação formal por parte dos órgãos reguladores, especificamente o Banco Central do Brasil e o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O processo de transição será concluído após o aval das autoridades financeiras, permitindo a plena integração da licença bancária até o prazo limite estipulado para novembro de 2026.

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