Resumo da Notícia
A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 5,9% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com os primeiros três meses deste ano, quando o resultado ficou em cerca de R$ 3,5 bilhões, o avanço foi de 12,4%.
Os números foram divulgados pelo banco na noite de quarta-feira (26) e apresentados ao mercado nesta quinta-feira (27). O balanço oficial da Caixa mostra uma expansão relevante das operações de crédito, especialmente no financiamento habitacional, ao mesmo tempo em que evidencia aumento da inadimplência e das provisões destinadas a cobrir possíveis perdas.
No acumulado de janeiro a junho, contudo, o comportamento foi diferente do registrado isoladamente no segundo trimestre. O lucro líquido recorrente somou R$ 7,4 bilhões no primeiro semestre, queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
Crédito imobiliário passa de R$ 1 trilhão
O principal destaque do balanço está no financiamento habitacional.
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A carteira imobiliária da Caixa alcançou R$ 1,005 trilhão em junho, crescimento de 15% em 12 meses. Com isso, o banco mantém cerca de 67,9% do mercado brasileiro de crédito habitacional.
No primeiro semestre, as contratações de financiamento imobiliário totalizaram R$ 137,6 bilhões, avanço de 29,3% em relação ao mesmo período de 2025.
O crescimento ocorre depois de a instituição ampliar sua capacidade de concessão de financiamentos e atualizar as condições de algumas modalidades. A Caixa já havia informado que teria mais espaço para ampliar o crédito habitacional em 2026, embora os juros imobiliários continuassem elevados.
A expansão também acompanha as mudanças recentes no Minha Casa, Minha Vida, que ampliaram os limites de renda e de valor dos imóveis financiáveis. As novas regras do programa já estão sendo aplicadas pela Caixa, incluindo condições para famílias de renda mais alta.
Carteira total chega a R$ 1,448 trilhão
Somadas todas as modalidades, a carteira de crédito da Caixa encerrou junho em R$ 1,448 trilhão, avanço de 11,9% em 12 meses.
O banco originou R$ 365,6 bilhões em novas operações no primeiro semestre, crescimento de 16,3% na mesma comparação.
Entre outras áreas, o saldo do crédito consignado chegou a R$ 115,7 bilhões, aumento anual de 7,4%. No agronegócio, a carteira alcançou R$ 62,3 bilhões, alta de 3%.
Já os financiamentos para infraestrutura e saneamento somaram R$ 110,5 bilhões, crescimento de 1,2%.
Os ativos próprios da Caixa fecharam junho em R$ 2,389 trilhões, enquanto os ativos totais administrados pelo conglomerado chegaram a R$ 4,119 trilhões.
Inadimplência sobe para 3,64%
O crescimento das operações veio acompanhado de deterioração em parte da carteira.
O índice de inadimplência para contratos com atraso superior a 90 dias ficou em 3,64% em junho, contra 2,66% no mesmo mês de 2025.
A maior taxa aparece no agronegócio. A inadimplência do segmento chegou a 20,74%, ante 7,02% um ano antes.
Nas demais áreas, os índices ficaram em:
| Segmento | Inadimplência |
|---|---|
| Agronegócio | 20,74% |
| Pessoas jurídicas | 14,05% |
| Pessoas físicas | 6,29% |
| Crédito imobiliário | 1,45% |
| Infraestrutura | 0,03% |
O dado habitacional chama atenção pela diferença em relação a outras carteiras. Apesar de representar a maior parcela dos empréstimos do banco, o crédito imobiliário apresenta inadimplência muito inferior à observada nos segmentos comercial e rural.
Provisões para perdas quase dobram
Com o aumento do risco de crédito, a Caixa elevou as despesas destinadas a cobrir eventuais perdas.
As provisões chegaram a R$ 6,97 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 97,6% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e de 6,9% na comparação com o primeiro trimestre deste ano.
Esse movimento ajuda a explicar por que a rentabilidade não acompanhou integralmente a expansão do lucro e da carteira.
O retorno sobre o patrimônio líquido recorrente (ROE) ficou em 9,2% ao fim de junho, uma redução de aproximadamente 2,7 pontos percentuais em 12 meses.
A Caixa afirma que a elevada participação de financiamentos habitacionais e de operações que contam com garantias ajuda a limitar as perdas esperadas, mesmo em um ambiente de maior inadimplência em outros segmentos.
Poupança cresce e sustenta financiamento habitacional
A captação também avançou.
A Caixa terminou junho com R$ 2,052 trilhões em captações totais, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os depósitos em poupança atingiram R$ 405,6 bilhões, crescimento de 3,9%. O banco concentra 39,7% do mercado brasileiro nessa modalidade.
A disponibilidade desses recursos é especialmente relevante para o financiamento imobiliário, já que a poupança continua sendo uma das principais fontes de recursos para o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo.
O cenário ajuda a explicar a expansão recente das linhas habitacionais e a capacidade da Caixa de continuar operando como principal financiadora de imóveis do país.
Para quem pretende comprar uma casa ou apartamento, as regras variam conforme a modalidade, a renda e o valor do imóvel. No caso do Minha Casa, Minha Vida, as faixas foram ampliadas e atualmente alcançam famílias com renda mensal de até R$ 13 mil.
Resultado mistura crescimento e maior risco de crédito
O balanço do segundo trimestre apresenta dois movimentos simultâneos.
De um lado, a Caixa ampliou sua carteira, superou R$ 1 trilhão no financiamento imobiliário e registrou crescimento do lucro recorrente no trimestre. De outro, houve avanço da inadimplência, aumento expressivo das provisões e queda do retorno sobre o patrimônio.
A margem financeira somou R$ 37,9 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 16% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
A leitura dos próximos trimestres dependerá principalmente da evolução dos atrasos, especialmente no agronegócio e no crédito empresarial, e da capacidade do banco de manter a expansão dos financiamentos sem pressionar ainda mais o custo das provisões.
Principais números da Caixa no 2º trimestre
| Indicador | Resultado |
| Lucro líquido recorrente no 2T26 | R$ 3,9 bilhões |
| Variação anual do lucro trimestral | +5,9% |
| Lucro recorrente no 1º semestre | R$ 7,4 bilhões |
| Variação do lucro no semestre | -17,6% |
| Carteira total de crédito | R$ 1,448 trilhão |
| Crédito imobiliário | R$ 1,005 trilhão |
| Contratações imobiliárias no 1º semestre | R$ 137,6 bilhões |
| Participação no crédito imobiliário | 67,9% |
| Inadimplência total | 3,64% |
| Provisões para perdas no 2T26 | R$ 6,97 bilhões |
| ROE recorrente | 9,2% |
