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Caixa lucra R$ 3,9 bilhões no 2º trimestre e crédito imobiliário passa de R$ 1 trilhão

Resultado recorrente cresceu 5,9% em um ano, enquanto carteira total de crédito chegou a R$ 1,448 trilhão; inadimplência e provisões para perdas também avançaram.
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Foto: Pillar Pedreira/Agência Senado

Resumo da Notícia

  • A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 5,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
  • A carteira total de crédito chegou a R$ 1,448 trilhão, crescimento de 11,9% em 12 meses.
  • O crédito imobiliário ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 1 trilhão, com saldo de R$ 1,005 trilhão e avanço anual de 15%.
  • A inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,64%, ante 2,66% um ano antes, e as provisões para perdas de crédito praticamente dobraram.
  • Apesar da melhora trimestral, o lucro recorrente acumulado no primeiro semestre caiu 17,6%, para R$ 7,4 bilhões.

A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 5,9% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com os primeiros três meses deste ano, quando o resultado ficou em cerca de R$ 3,5 bilhões, o avanço foi de 12,4%.

Os números foram divulgados pelo banco na noite de quarta-feira (26) e apresentados ao mercado nesta quinta-feira (27). O balanço oficial da Caixa mostra uma expansão relevante das operações de crédito, especialmente no financiamento habitacional, ao mesmo tempo em que evidencia aumento da inadimplência e das provisões destinadas a cobrir possíveis perdas.

No acumulado de janeiro a junho, contudo, o comportamento foi diferente do registrado isoladamente no segundo trimestre. O lucro líquido recorrente somou R$ 7,4 bilhões no primeiro semestre, queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Crédito imobiliário passa de R$ 1 trilhão

O principal destaque do balanço está no financiamento habitacional.

A carteira imobiliária da Caixa alcançou R$ 1,005 trilhão em junho, crescimento de 15% em 12 meses. Com isso, o banco mantém cerca de 67,9% do mercado brasileiro de crédito habitacional.

No primeiro semestre, as contratações de financiamento imobiliário totalizaram R$ 137,6 bilhões, avanço de 29,3% em relação ao mesmo período de 2025.

O crescimento ocorre depois de a instituição ampliar sua capacidade de concessão de financiamentos e atualizar as condições de algumas modalidades. A Caixa já havia informado que teria mais espaço para ampliar o crédito habitacional em 2026, embora os juros imobiliários continuassem elevados.

A expansão também acompanha as mudanças recentes no Minha Casa, Minha Vida, que ampliaram os limites de renda e de valor dos imóveis financiáveis. As novas regras do programa já estão sendo aplicadas pela Caixa, incluindo condições para famílias de renda mais alta.

Carteira total chega a R$ 1,448 trilhão

Somadas todas as modalidades, a carteira de crédito da Caixa encerrou junho em R$ 1,448 trilhão, avanço de 11,9% em 12 meses.

O banco originou R$ 365,6 bilhões em novas operações no primeiro semestre, crescimento de 16,3% na mesma comparação.

Entre outras áreas, o saldo do crédito consignado chegou a R$ 115,7 bilhões, aumento anual de 7,4%. No agronegócio, a carteira alcançou R$ 62,3 bilhões, alta de 3%.

Já os financiamentos para infraestrutura e saneamento somaram R$ 110,5 bilhões, crescimento de 1,2%.

Os ativos próprios da Caixa fecharam junho em R$ 2,389 trilhões, enquanto os ativos totais administrados pelo conglomerado chegaram a R$ 4,119 trilhões.

Inadimplência sobe para 3,64%

O crescimento das operações veio acompanhado de deterioração em parte da carteira.

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O índice de inadimplência para contratos com atraso superior a 90 dias ficou em 3,64% em junho, contra 2,66% no mesmo mês de 2025.

A maior taxa aparece no agronegócio. A inadimplência do segmento chegou a 20,74%, ante 7,02% um ano antes.

Nas demais áreas, os índices ficaram em:

SegmentoInadimplência
Agronegócio20,74%
Pessoas jurídicas14,05%
Pessoas físicas6,29%
Crédito imobiliário1,45%
Infraestrutura0,03%

O dado habitacional chama atenção pela diferença em relação a outras carteiras. Apesar de representar a maior parcela dos empréstimos do banco, o crédito imobiliário apresenta inadimplência muito inferior à observada nos segmentos comercial e rural.

Provisões para perdas quase dobram

Com o aumento do risco de crédito, a Caixa elevou as despesas destinadas a cobrir eventuais perdas.

As provisões chegaram a R$ 6,97 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 97,6% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e de 6,9% na comparação com o primeiro trimestre deste ano.

Esse movimento ajuda a explicar por que a rentabilidade não acompanhou integralmente a expansão do lucro e da carteira.

O retorno sobre o patrimônio líquido recorrente (ROE) ficou em 9,2% ao fim de junho, uma redução de aproximadamente 2,7 pontos percentuais em 12 meses.

A Caixa afirma que a elevada participação de financiamentos habitacionais e de operações que contam com garantias ajuda a limitar as perdas esperadas, mesmo em um ambiente de maior inadimplência em outros segmentos.

Poupança cresce e sustenta financiamento habitacional

A captação também avançou.

A Caixa terminou junho com R$ 2,052 trilhões em captações totais, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os depósitos em poupança atingiram R$ 405,6 bilhões, crescimento de 3,9%. O banco concentra 39,7% do mercado brasileiro nessa modalidade.

A disponibilidade desses recursos é especialmente relevante para o financiamento imobiliário, já que a poupança continua sendo uma das principais fontes de recursos para o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo.

O cenário ajuda a explicar a expansão recente das linhas habitacionais e a capacidade da Caixa de continuar operando como principal financiadora de imóveis do país.

Para quem pretende comprar uma casa ou apartamento, as regras variam conforme a modalidade, a renda e o valor do imóvel. No caso do Minha Casa, Minha Vida, as faixas foram ampliadas e atualmente alcançam famílias com renda mensal de até R$ 13 mil.

Resultado mistura crescimento e maior risco de crédito

O balanço do segundo trimestre apresenta dois movimentos simultâneos.

De um lado, a Caixa ampliou sua carteira, superou R$ 1 trilhão no financiamento imobiliário e registrou crescimento do lucro recorrente no trimestre. De outro, houve avanço da inadimplência, aumento expressivo das provisões e queda do retorno sobre o patrimônio.

A margem financeira somou R$ 37,9 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 16% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

A leitura dos próximos trimestres dependerá principalmente da evolução dos atrasos, especialmente no agronegócio e no crédito empresarial, e da capacidade do banco de manter a expansão dos financiamentos sem pressionar ainda mais o custo das provisões.

Principais números da Caixa no 2º trimestre

IndicadorResultado
Lucro líquido recorrente no 2T26R$ 3,9 bilhões
Variação anual do lucro trimestral+5,9%
Lucro recorrente no 1º semestreR$ 7,4 bilhões
Variação do lucro no semestre-17,6%
Carteira total de créditoR$ 1,448 trilhão
Crédito imobiliárioR$ 1,005 trilhão
Contratações imobiliárias no 1º semestreR$ 137,6 bilhões
Participação no crédito imobiliário67,9%
Inadimplência total3,64%
Provisões para perdas no 2T26R$ 6,97 bilhões
ROE recorrente9,2%
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