Resumo da Notícia
O Digimais passou a enfrentar risco de liquidação extrajudicial depois de entrar no centro de uma investigação da Polícia Federal sobre supostas irregularidades na gestão da instituição. A apuração foi baseada em informações compartilhadas pelo Banco Central, que já vinha acompanhando movimentações consideradas suspeitas no banco.
O caso envolve indícios de manobras contábeis, reavaliação de ativos e descumprimento de medidas corretivas determinadas pela autoridade monetária. Segundo as investigações, os problemas encontrados pelo Banco Central ajudaram a embasar a operação conduzida pela PF.
A suspeita principal é que a diretoria do Digimais tenha usado operações financeiras para mascarar a deterioração de carteiras de crédito e melhorar artificialmente os balanços da instituição.
De acordo com a Polícia Federal, a atuação da diretoria do Digimais teria seguido um modelo semelhante ao investigado no Banco Master. O ponto central seria a superavaliação de ativos por meio da emissão de títulos com rentabilidades acima dos padrões praticados no mercado.
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Na leitura dos investigadores, esse tipo de estrutura pode inflar a aparência patrimonial do banco e reduzir, nos demonstrativos, o impacto de perdas ou da piora de carteiras de crédito.
A investigação ainda trata os fatos como suspeitas. Até o momento, as informações apontam para apuração em andamento, com base em dados obtidos pelo Banco Central e analisados pela Polícia Federal.
Banco Central já havia identificado irregularidades
O Banco Central informou ter constatado irregularidades nas reavaliações patrimoniais feitas pelo Digimais em 2023. Na ocasião, a autoridade monetária determinou a reversão de rendas para que os valores das cotas voltassem ao custo original de aquisição, estimado em R$ 71 milhões.
Mesmo após essa determinação, o patrimônio registrado depois de sucessivas transferências de fundos chegou a R$ 741 milhões em poucos meses, segundo a PF.
Outro ponto da investigação é que o Digimais teria pedido para parcelar, ao longo de cinco anos, o impacto contábil das correções determinadas pelo Banco Central.
Contrato com controladora também é investigado
As investigações também citam um contrato de compra e venda a prazo de cotas de fundos firmado entre o Digimais e sua controladora, a B.A. Empreendimentos e Participações.
O valor total da operação foi de R$ 741 milhões. Segundo a apuração, o acordo teria sido feito sem entrada efetiva de recursos no caixa do banco e com pagamento previsto apenas para 2032.
Esse ponto é relevante porque, em instituições financeiras, a solidez patrimonial depende de recursos efetivos, qualidade dos ativos e transparência contábil. Quando há suspeita de aumento patrimonial sem entrada real de dinheiro, o risco regulatório cresce.
Se o Banco Central entender que a situação compromete a continuidade ou a regularidade da instituição, a liquidação extrajudicial pode entrar no horizonte. Esse tipo de medida é adotado fora do processo judicial comum e serve para encerrar atividades, preservar ativos e organizar o pagamento de credores dentro das regras do sistema financeiro.
Com informações da CNN.
