Cana, banana e melão concentram 56% da produção agrícola do RN
Valor das lavouras potiguares cresceu 8,65% em um ano; cana-de-açúcar, banana e melão responderam por mais da metade do resultado estadual.
Resumo da Notícia
- A produção agrícola do Rio Grande do Norte alcançou R$ 3,92 bilhões em 2025, aumento nominal de 8,65% sobre 2024.
- Cana-de-açúcar, banana e melão concentraram 56,49% do valor gerado pelas lavouras no estado.
- Baraúna liderou entre os municípios, com R$ 415 milhões, à frente de Alto do Rodrigues e Touros.
- A produção de melão caiu para 362,3 mil toneladas, com retrações acentuadas em Mossoró e Apodi.
O valor da produção agrícola do Rio Grande do Norte chegou a R$ 3,92 bilhões em 2025, segundo a Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou 8,65% acima dos R$ 3,61 bilhões registrados no ano anterior.
A pesquisa anual do IBGE mede área plantada e colhida, quantidade produzida, rendimento e valor das lavouras em nível municipal. Os dados permitem enxergar não apenas o tamanho da agricultura potiguar, mas também como a composição desse valor mudou de um ano para outro. A metodologia e as tabelas da Pesquisa da Produção Agrícola Municipal estão disponíveis no IBGE.
Cana, banana e melão concentram mais da metade do valor agrícola
A cana-de-açúcar terminou 2025 com a maior participação no valor da produção agrícola potiguar, respondendo por 19,36% do total. A banana apareceu logo depois, com 18,62%, enquanto o melão ficou com 18,51%.
Somadas, as três culturas concentraram 56,49% de todo o valor agrícola do Rio Grande do Norte. Aplicado ao total estadual de R$ 3,92 bilhões, esse percentual corresponde a aproximadamente R$ 2,21 bilhões.
| Cultura | Participação no valor agrícola |
|---|---|
| Cana-de-açúcar | 19,36% |
| Banana | 18,62% |
| Melão | 18,51% |
| Total | 56,49% |
A composição representa uma mudança em relação a 2024. Naquele ano, o melão havia encerrado o período como produto agrícola de maior valor no estado, com R$ 858 milhões. Em 2025, passou a ocupar a terceira posição em participação, praticamente empatado com banana e cana.
Essa diferença é importante porque valor da produção não é sinônimo de quantidade colhida. O indicador considera também o preço médio recebido pelos produtores, de modo que alta ou queda no volume físico não necessariamente se traduz na mesma proporção no valor financeiro.
Baraúna, Alto do Rodrigues e Touros concentram um quarto do valor
Entre os municípios, Baraúna registrou o maior valor de produção agrícola do RN em 2025, com R$ 415 milhões. Alto do Rodrigues veio em seguida, com R$ 354 milhões, e Touros alcançou R$ 235 milhões.
Somados, os três municípios movimentaram R$ 1,004 bilhão em lavouras. O montante representa aproximadamente 25,6% de todo o valor agrícola potiguar no ano, cálculo do Portal N10 feito a partir dos números divulgados pelo IBGE.
| Município | Valor da produção |
|---|---|
| Baraúna | R$ 415 milhões |
| Alto do Rodrigues | R$ 354 milhões |
| Touros | R$ 235 milhões |
| Total | R$ 1,004 bilhão |
Baraúna tem forte presença da fruticultura, principalmente nas cadeias de melão, mamão e banana. Alto do Rodrigues integra o polo irrigado do Vale do Açu, enquanto Touros possui produção agrícola diversificada no Litoral Norte e Mato Grande.
Produção de melão cai para 362,3 mil toneladas
O desempenho do melão chama atenção porque o RN permanece fortemente associado à cultura, mas produziu menos fruta em 2025. A quantidade caiu de 505,2 mil toneladas em 2024 para 362,3 mil toneladas, redução de 28,27%.
A retração ocorreu em 11 dos 21 municípios potiguares nos quais o IBGE registrou produção de melão.
Em Mossoró, a área destinada à cultura passou de 8,3 mil para 4,2 mil hectares. A quantidade colhida caiu de 218,3 mil para 109,2 mil toneladas, praticamente a metade do volume do ano anterior. Mesmo com a redução, o município permaneceu como o maior produtor de melão do Brasil.
O movimento também foi forte em Apodi. A área caiu de 2 mil para 700 hectares, enquanto a produção passou de 61,5 mil para 21,7 mil toneladas.
A queda observada na PAM não elimina o peso econômico da cultura. Em julho de 2026, já na safra seguinte, o cultivo de melão abriu 1.020 postos formais de trabalho no Rio Grande do Norte e respondeu por grande parte do saldo positivo da agropecuária naquele mês.
Essa combinação ajuda a dimensionar a importância da atividade para o Oeste potiguar: mesmo em um ano de redução do volume agrícola, a cadeia continua tendo efeito direto sobre emprego, produção e exportações.
RN continua entre os maiores produtores de castanha de caju
Outra cultura de peso é a castanha de caju. O Rio Grande do Norte produziu 19,6 mil toneladas em 2025 e ficou na segunda posição nacional, atrás do Ceará. O valor da produção potiguar ultrapassou R$ 105 milhões.
Serra do Mel respondeu por 8,5 mil toneladas e R$ 53,2 milhões. Sozinho, o município produziu pouco mais de 43% de toda a castanha contabilizada no RN no período e ficou na terceira posição entre os municípios brasileiros.
O desempenho ocorreu apesar de uma retração estadual de 35,76% na quantidade produzida em relação a 2024. O valor da cultura também diminuiu, com queda de 28,01%.
A cajucultura possui peso econômico particular em Serra do Mel. Em 2025, um acordo entre o município e o Sebrae-RN destinou R$ 1,3 milhão ao fortalecimento da produção de caju, com assistência técnica prevista para 400 produtores.
No cenário nacional, o RN também apareceu em quarto lugar nas produções de fava, mamão e melancia, em quinto no maracujá e em sexto na batata-doce e na manga.
PAM passa a mostrar novas culturas cultivadas no RN
A edição de 2025 ampliou a cesta de produtos pesquisados pelo IBGE. Foram acrescentadas 14 culturas à PAM, entre elas milho verde, abóbora, alface, pimentão, morango, chuchu, repolho, cenoura, inhame, gergelim, canola, acerola, cupuaçu e graviola.
No Rio Grande do Norte, o milho verde movimentou mais de R$ 35 milhões. A cultura foi identificada em 76 municípios, e Santo Antônio apresentou a maior produção do estado, com 3,1 mil toneladas.
A abóbora, outro produto incorporado à pesquisa, movimentou mais de R$ 30,8 milhões. Baraúna também apareceu na liderança estadual dessa cultura, com produção de 9 mil toneladas.
A inclusão desses produtos exige cuidado nas comparações históricas. Parte do valor identificado em 2025 corresponde a culturas que já existiam no campo, mas que não eram individualizadas pela PAM da mesma forma nas edições anteriores.
Por isso, os R$ 3,92 bilhões devem ser lidos como valor nominal da produção agrícola registrada pelo levantamento, e não como uma alta equivalente do volume físico produzido. A própria queda do melão, ao mesmo tempo em que o valor total das lavouras avançou 8,65%, mostra como preços, culturas e quantidades podem seguir trajetórias diferentes dentro do mesmo ano.


