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Habitação e Imóveis

Crédito habitacional no RN bate recorde de R$ 17,6 bilhões mesmo com juros altos

Carteira destinada a pessoas físicas cresceu 16,9% em 12 meses; financiamentos com recursos da poupança também avançaram no primeiro semestre de 2026.

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Resumo da Notícia

  • O estoque de crédito habitacional para pessoas físicas no Rio Grande do Norte alcançou R$ 17,6 bilhões em julho de 2026, maior valor da série histórica do Banco Central.
  • Em um ano, a carteira aumentou 16,9%, saindo de R$ 15,06 bilhões e incorporando cerca de R$ 2,54 bilhões em operações.
  • Os financiamentos imobiliários com recursos da poupança movimentaram R$ 460 milhões no primeiro semestre, alta de 28,2% frente ao mesmo período de 2025.
  • Especialistas apontam que a diversificação das fontes de recursos, a demanda por moradia e os prazos longos ajudam a sustentar o mercado mesmo em um ambiente de juros elevados.

O crédito habitacional destinado a pessoas físicas alcançou R$ 17,6 bilhões no Rio Grande do Norte em julho de 2026, maior saldo registrado na série histórica do Banco Central. O volume representa crescimento de 16,9% em relação aos R$ 15,06 bilhões contabilizados no mesmo mês do ano passado.

Em valores absolutos, a carteira ganhou cerca de R$ 2,54 bilhões em 12 meses, mesmo em um ambiente de juros elevados, que torna as prestações e o custo total dos financiamentos mais pesados para as famílias. A inadimplência das operações habitacionais estava em 1,17% em julho.

O comportamento mostra que o custo maior do dinheiro não eliminou a procura por financiamento residencial. Parte dessa resistência está ligada à própria natureza da compra de um imóvel, normalmente associada a decisões de longo prazo, como aquisição da primeira moradia, mudança para uma unidade maior ou substituição do imóvel atual.

O recorde habitacional aparece em um momento de reação de outros segmentos da economia potiguar. Também em julho, o setor de serviços do Rio Grande do Norte cresceu 7,1% e teve o terceiro melhor desempenho do país.

Crédito imobiliário mantém demanda mesmo com juros elevados

Para Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste, o financiamento habitacional reage de maneira diferente de modalidades mais ligadas ao consumo imediato.

“O crédito imobiliário tem uma característica diferente de outras modalidades porque está diretamente ligado a uma necessidade de longo prazo das famílias. Mesmo em cenários de juros mais elevados, existe uma demanda que permanece, seja para aquisição da moradia, seja para substituição ou ampliação do imóvel”, explica.

A expansão da carteira também interessa diretamente ao mercado imobiliário porque permite transformar uma demanda que dificilmente seria atendida por pagamento à vista em contratos de longo prazo.

Carlos Feitosa, sócio da Eco Construtora, destaca esse papel do financiamento na capacidade de compra das famílias.

“O financiamento transforma a demanda reprimida em venda concreta ao diluir o valor do imóvel em parcelas compatíveis com a renda, permitindo que o cliente que hoje aluga possa se tornar proprietário. Em um mercado que ainda enfrenta um déficit habitacional elevado, o financiamento é uma ponte entre o desejo pelo imóvel próprio e a realidade financeira do brasileiro”, afirma Feitosa.

Financiamentos com recursos da poupança também avançam

A expansão não ficou restrita ao estoque total acompanhado pelo Banco Central. Dados da Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostram que os financiamentos imobiliários realizados com recursos da poupança movimentaram R$ 460 milhões no Rio Grande do Norte entre janeiro e junho de 2026.

O resultado representa crescimento de 28,2% em relação ao primeiro semestre de 2025. Pela variação informada, o volume naquele período do ano passado ficou próximo de R$ 359 milhões, o que significa aproximadamente R$ 101 milhões adicionais em operações dessa modalidade neste ano.

Os dois indicadores medem coisas diferentes. Os R$ 17,6 bilhões representam o saldo da carteira habitacional para pessoas físicas, enquanto os R$ 460 milhões correspondem às concessões realizadas com uma fonte específica de recursos ao longo do primeiro semestre.

Essa distinção é importante porque a poupança continua relevante, mas deixou de ser a única base capaz de sustentar a expansão do crédito imobiliário.

FGTS, LCIs e CRIs ganham espaço no financiamento

O mercado passou a combinar diferentes fontes de captação para manter recursos disponíveis para contratos que podem durar décadas.

Além da poupança, entram nessa estrutura os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

“Nos últimos anos, a estrutura de funding do crédito imobiliário passou por uma diversificação. Além da poupança, recursos do FGTS e instrumentos como LCIs e CRIs passaram a ter uma participação importante. Isso amplia as possibilidades de captação e permite que o mercado continue atendendo à demanda por financiamento”, afirma Figueiredo.

Na prática, essa diversificação reduz a dependência de uma única fonte e aumenta as alternativas disponíveis para as instituições financiarem operações de longo prazo.

O avanço também aparece na estratégia das cooperativas de crédito. No Sicredi, por exemplo, imóveis residenciais podem ter financiamento de até 90% do valor, com prazo de até 35 anos, conforme as condições da operação.

A instituição utiliza o Sistema de Amortização Constante (SAC), modelo no qual a parcela referente à amortização permanece constante e os juros diminuem à medida que o saldo devedor cai, fazendo com que as prestações tendam a ficar menores ao longo do contrato.

O Sicredi projeta multiplicar por mais de dez vezes sua carteira de crédito imobiliário até 2029, usando o segmento também como forma de ampliar o relacionamento de longo prazo com seus associados.

“O crédito imobiliário é uma operação de longo prazo e, por isso, tem potencial de gerar um relacionamento mais duradouro. O associado que contrata um financiamento pode utilizar outros produtos e serviços financeiros da instituição ao longo desse período”, explica Figueiredo.

A expansão depende, entretanto, de capacidade de captação compatível com o aumento das concessões. A estratégia da cooperativa prevê justamente ampliar simultaneamente a presença no financiamento imobiliário e as fontes utilizadas para sustentar novas operações.

Mercado imobiliário projeta continuidade dos investimentos no RN

Para as construtoras, o crescimento do crédito amplia a quantidade de compradores capazes de acessar lançamentos e imóveis já disponíveis no mercado.

Pedro Farias, gestor Comercial da MRV na Paraíba, afirma que a empresa pretende manter a estratégia de investimentos no Rio Grande do Norte.

“Seguimos confiantes no potencial do estado e vamos continuar investindo com novos empreendimentos que acompanhem o crescimento da cidade e as demandas das famílias. É um movimento de inclusão e transformação urbana. Com políticas públicas eficientes, crédito acessível e empresas comprometidas com esse propósito, estamos ajudando a construir histórias e movimentando toda uma cadeia de geração de renda”, afirma.

O aumento de R$ 2,54 bilhões no saldo habitacional em apenas um ano indica que os financiamentos continuam exercendo papel central na dinâmica imobiliária potiguar. Para quem contrata, porém, operações de 20, 30 ou 35 anos exigem olhar não apenas para o valor inicial da prestação, mas para o compromisso financeiro assumido ao longo de todo o prazo.

O crédito imobiliário também pode ser utilizado por compradores interessados em formação patrimonial, e não apenas por famílias em busca da casa própria.

“Para quem busca diversificar o patrimônio, o imóvel residencial pode ser uma alternativa de investimento. O financiamento permite preservar parte da liquidez financeira e, ao mesmo tempo, estruturar a aquisição de um bem que pode fazer parte do planejamento patrimonial e sucessório”, afirma Figueiredo.

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Rafael Nicácio
Sobre o autor

Rafael Nicácio

Proprietário, redator e editor

Co-fundador e redator do Portal N10, sou responsável pela administração e produção de conteúdo do site, consolidando mais de uma década de experiência em comunicação digital. Minha trajetória inclui passagens por assessorias de comunicação…

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