Tesouro Reserva permite investir a partir de R$ 1 com rendimento ligado à Selic

O produto foi criado para formação de reserva financeira e busca concorrer com poupança, CDBs e caixinhas digitais, oferecendo simplicidade, previsibilidade e possibilidade de resgate a qualquer momento.
Tesouro Reserva estreia com aplicação a partir de R$ 1 e rendimento ligado à Selic
Tesouro Reserva estreia com aplicação a partir de R$ 1 e rendimento ligado à Selic - Crédito: Looker_Studio / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • O Tesouro Direto lança o Tesouro Reserva, um novo título de renda fixa com investimento inicial de apenas R$ 1.
  • O rendimento do Tesouro Reserva é atrelado à taxa Selic, atualmente em 14,50% ao ano, oferecendo segurança e previsibilidade.
  • O produto foi criado pelo Ministério da Fazenda como alternativa à poupança, CDBs e caixinhas digitais, com foco em simplicidade.
  • Diferente do Tesouro Selic, o Tesouro Reserva busca evitar a volatilidade da marcação a mercado, permitindo resgate a qualquer momento.
  • O investimento mínimo de R$ 1 visa democratizar o acesso a títulos públicos, aproximando-o da experiência de fintechs.
  • Inicialmente, o Tesouro Reserva está disponível para clientes do Banco do Brasil, com expansão para outras instituições prevista.
  • Especialistas avaliam que o título compete com outros produtos de renda fixa, mas seu diferencial é a segurança e liquidez oferecidas pelo governo.

O Tesouro Reserva, novo título do Tesouro Direto, passa a ser lançado oficialmente nesta segunda-feira (11) como uma opção para quem busca uma aplicação simples, com baixo valor de entrada e rendimento atrelado à Selic, atualmente em 14,50% ao ano. O produto permite investir a partir de R$ 1, tem vencimento de três anos e poderá ser resgatado a qualquer momento.

Criado pelo Ministério da Fazenda para formação de reserva financeira, o título chega como alternativa à poupança, aos CDBs e às caixinhas digitais dos bancos. A proposta é oferecer uma experiência mais direta para o investidor, com foco em simplicidade, segurança e previsibilidade.

Alguns clientes do Banco do Brasil já tiveram acesso ao produto em fase de testes. A liberação integral para correntistas começou na última quinta-feira (7), e o lançamento ao público geral será marcado pelo tradicional toque da campainha na B3, a bolsa de valores brasileira.

Como funciona o Tesouro Reserva?

O Tesouro Reserva é um título público de renda fixa dentro do Tesouro Direto. Na prática, o investidor empresta dinheiro ao governo federal e recebe remuneração ligada à taxa básica de juros.

A principal diferença em relação ao Tesouro Selic está na simplificação. O novo produto tem aplicação mínima menor, permite resgate a qualquer momento e não traz a mesma complexidade da marcação a mercado, mecanismo que atualiza diariamente o preço dos títulos e pode afetar o valor recebido em caso de resgate antecipado.

No Tesouro Reserva, a proposta é que o valor aplicado não sofra oscilações no momento da compra ou do resgate, dando mais previsibilidade ao investidor.

Quanto é preciso para investir?

O investimento mínimo será de R$ 1, valor considerado baixo para o padrão do mercado financeiro. A avaliação de especialistas é que essa condição facilita o acesso de investidores iniciantes e aproxima o produto de soluções já populares em aplicativos bancários.

O sistema permitirá investir e resgatar dinheiro a qualquer hora do dia, todos os dias da semana, inclusive com possibilidade de transferência via PIX.

Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs [bancos e plataformas digitais]”, avalia Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

Qual é a rentabilidade do Tesouro Reserva?

O rendimento será atrelado à Selic, hoje em 14,50% ao ano. Ainda não foi detalhado, porém, se a rentabilidade será equivalente a 100% da taxa.

Por ser emitido pelo governo federal, o título é considerado de baixo risco. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o produto mira quem “quer rentabilidade, mas também quer segurança”.

A ausência da volatilidade diária típica da marcação a mercado é um dos pontos centrais do novo título. Isso significa que o investidor terá mais clareza sobre o valor aplicado e sobre o resgate, sem a oscilação diária comum em outros papéis.

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Onde investir no Tesouro Reserva?

Neste primeiro momento, o Tesouro Reserva está disponível para clientes do Banco do Brasil, que desenvolveu o produto em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional.

De acordo com o Ministério da Fazenda, a chegada do título a outras instituições financeiras dependerá da adesão e da implementação de cada banco.

Para investir pelo Banco do Brasil, o cliente deve acessar a área do Tesouro Direto no aplicativo de investimentos, selecionar o Tesouro Reserva, informar o valor da aplicação e confirmar a operação. Nos demais bancos, a dinâmica deverá ser semelhante quando o título for disponibilizado.

Tesouro Reserva concorre com CDBs e caixinhas digitais?

O novo título entra em um espaço já ocupado por produtos simples de renda fixa, como CDBs, LCIs, LCAs, caixinhas digitais e a poupança. O diferencial está na combinação entre aplicação mínima baixa, resgate a qualquer momento, rendimento ligado à Selic e emissão pelo governo federal.

O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”, diz Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos.

Ele também chama atenção para um ponto ainda indefinido: o custo de negociação.

Em relação aos custos, a B3 ainda não divulgou qual será a taxa. Atualmente, os títulos do Tesouro Direto têm taxa próxima de 0,20% ao ano, cobrada em duas parcelas semestrais. No caso do Tesouro Reserva, isso ainda não está claro”, acrescenta Mendes.

Marcos Praça, da ZERO Markets, vê o produto como uma alternativa competitiva para reserva de emergência, principalmente por reunir segurança, rapidez no saque e previsibilidade.

Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador”, conclui.

Entenda os produtos que concorrem com o Tesouro Reserva

Os CDBs são investimentos de renda fixa em que o cliente empresta dinheiro ao banco em troca de juros.

As LCIs, Letras de Crédito Imobiliário, são títulos de renda fixa usados pelos bancos para financiar o setor imobiliário e geralmente são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.

As LCAs, Letras de Crédito do Agronegócio, funcionam de forma semelhante às LCIs, mas os recursos são direcionados ao financiamento do agronegócio.

As caixinhas digitais são ferramentas em que o banco organiza e aplica automaticamente o dinheiro do cliente em investimentos de renda fixa voltados a objetivos específicos.

Selic está em 14,50% ao ano

O novo título chega em um cenário de Selic elevada. A taxa básica de juros está em 14,50% ao ano, segundo o dado destacado no gráfico com fonte do Banco Central do Brasil (BCB).

Esse patamar ajuda a explicar o interesse por produtos atrelados à Selic, especialmente entre investidores conservadores que buscam rendimento com menor risco e maior facilidade de resgate.

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