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Pix muda regra e amplia prazo para contestar devoluções suspeitas de fraude

Banco Central aumenta de 30 para 80 dias o período para questionar uma devolução feita pelo MED quando houver suspeita de uso fraudulento do próprio mecanismo.
Pix ganha proteção maior contra uso fraudulento do sistema de devolução
Pix ganha proteção maior contra uso fraudulento do sistema de devolução - Crédito: Portal N10

Resumo da Notícia

  • Uma nova regra de segurança do Pix entra em vigor nesta terça-feira (1º). O prazo para contestar uma transação de devolução suspeita de fraude pelo MED passa de 30 para 80 dias.
  • A mudança pode beneficiar especialmente comerciantes e prestadores de serviços atingidos por pedidos fraudulentos de devolução.
  • O prazo de até 80 dias para uma vítima comunicar fraude em uma transferência Pix já existia e não é a novidade desta terça.
  • O MED continua restrito a casos de fraude, golpe, coerção e determinadas falhas operacionais; não funciona como cancelamento comum de compras.

Uma mudança nas regras do Pix entra em vigor nesta terça-feira (1º) e amplia a proteção de quem teve dinheiro retirado da conta por meio de uma devolução considerada suspeita. O Banco Central aumentou de 30 para 80 dias o prazo para contestar uma transação de devolução realizada dentro do Mecanismo Especial de Devolução, o MED, quando houver indícios de fraude.

A alteração pode ter efeito principalmente sobre comerciantes, prestadores de serviços e empresas que recebem pelo Pix. O MED foi criado para ajudar vítimas a recuperar recursos enviados em golpes, mas o próprio mecanismo também pode ser alvo de tentativa de fraude quando alguém realiza uma operação legítima e posteriormente tenta obter de volta o dinheiro alegando falsamente ter sido vítima.

É nesse segundo cenário que está a principal mudança de 1º de setembro. Se uma devolução realizada pelo mecanismo for considerada suspeita, passa a existir uma janela maior para questioná-la dentro do sistema estabelecido pelo Banco Central.

A atualização faz parte de alterações no Manual Operacional do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), que integra o Regulamento do Pix. As regras constam da Instrução Normativa BCB nº 766.

O que realmente mudou no Pix

A distinção entre os prazos é importante porque as duas situações podem ser facilmente confundidas.

Quem faz um Pix e depois descobre que foi vítima de fraude já podia pedir a abertura do MED em até 80 dias após a transação. Esse prazo não foi criado agora.

A novidade é a ampliação do período disponível para contestar a própria devolução, quando houver suspeita de que o mecanismo tenha sido usado indevidamente contra quem recebeu originalmente o pagamento.

Imagine, por exemplo, um comerciante que recebe R$ 1 mil via Pix pela venda legítima de uma mercadoria. Depois da entrega, o comprador tenta caracterizar a operação como fraudulenta e aciona o procedimento de devolução.

Caso os recursos sejam retirados da conta do vendedor dentro do MED e existam elementos indicando que a contestação original foi fraudulenta, o recebedor passa a contar com prazo maior para questionar essa devolução.

A análise continua sendo realizada pelas instituições financeiras envolvidas. A simples abertura de uma contestação não significa que o dinheiro será automaticamente devolvido novamente.

MED não funciona como estorno de cartão

O Mecanismo Especial de Devolução foi criado especificamente para situações de fraude envolvendo o Pix e não deve ser confundido com o sistema de chargeback usado nos cartões de crédito.

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O próprio Banco Central estabelece que o MED pode ser utilizado diante de fundada suspeita de fraude e em determinadas falhas operacionais das instituições participantes.

Ele não serve para resolver uma discussão comum entre cliente e vendedor. Também não deve ser acionado simplesmente porque o consumidor se arrependeu de uma compra ou enviou dinheiro por engano para outra pessoa.

O mecanismo ganhou uma ferramenta importante em outubro de 2025, quando passou a existir nos aplicativos bancários uma forma digital de iniciar a contestação. Na época, explicamos como funciona o botão de contestação do Pix e em quais situações ele pode ser usado.

A ampliação que entra em vigor agora adiciona uma proteção para o outro lado da operação: quem recebeu legitimamente um pagamento também precisa ter meios de reagir quando o instrumento destinado a combater golpes é utilizado de maneira fraudulenta.

Recuperação do dinheiro não é garantida

Mesmo quando o MED é acionado corretamente, a recuperação do valor não acontece de forma automática.

Depois da comunicação da fraude, as instituições financeiras analisam o caso e podem bloquear recursos encontrados nas contas envolvidas. Se não houver saldo suficiente, a devolução pode ocorrer apenas parcialmente.

Por essa razão, o Banco Central recomenda que uma vítima de golpe comunique a instituição financeira o mais rapidamente possível, embora exista o prazo regulamentar de até 80 dias para determinadas contestações.

Quanto mais rapidamente o banco recebe a informação, maior tende a ser a possibilidade de localizar recursos antes que o dinheiro seja movimentado para outras contas.

O MED também vem sendo aprimorado justamente para enfrentar essa estratégia dos criminosos. Golpistas normalmente tentam retirar ou pulverizar rapidamente os valores recebidos, transferindo-os por diferentes contas para dificultar o bloqueio.

Mudanças de segurança continuam

A ampliação do prazo desta terça-feira integra uma sequência de atualizações que o Banco Central vem fazendo no sistema.

O MED passou por uma reformulação que permite acompanhar recursos por diferentes contas quando o dinheiro resultante de uma fraude é movimentado após chegar ao primeiro destinatário. Isso amplia a capacidade das instituições de identificar o caminho percorrido pelos valores.

Há também ajustes operacionais previstos para outubro, relacionados ao compartilhamento das informações entre os participantes do Pix durante esse rastreamento.

Essas mudanças não significam que o usuário terá garantia de ressarcimento após qualquer golpe. A existência de saldo, a análise das instituições e as circunstâncias de cada operação continuam determinando se haverá recuperação integral, parcial ou nenhuma devolução.

Para comerciantes e prestadores que recebem pagamentos regularmente pelo Pix, guardar notas fiscais, comprovantes de entrega, pedidos, conversas comerciais e documentos relacionados à prestação do serviço pode ser importante caso uma operação legítima seja posteriormente questionada.

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