Lula diz que Desenrola 2.0 vai “tirar a corda do pescoço” de endividados

A nova rodada do programa prevê uma mobilização nacional de 90 dias para renegociação de dívidas de famílias, estudantes, micro e pequenas empresas e agricultores familiares.
Lula associa endividamento à agiotagem e defende renegociação pelo Desenrola
Lula associa endividamento à agiotagem e defende renegociação pelo Desenrola - Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Resumo da Notícia

  • O governo federal lançou o Desenrola 2.0 para renegociação de dívidas de famílias, estudantes, microempresas e agricultores.
  • O programa visa retirar o nome de brasileiros dos órgãos de proteção ao crédito, como o Serasa.
  • Lula criticou a negativação por dívidas de baixo valor, como R$ 100 e R$ 200, classificando-as como um entrave ao consumo.
  • O presidente alertou para os riscos da agiotagem e do endividamento por necessidade, citando os impactos da pandemia.
  • Uma das regras centrais é o bloqueio do CPF em casas de apostas (bets) por 12 meses para quem aderir à renegociação.
  • O objetivo é permitir que o consumidor retome o poder de compra e ajude a impulsionar a economia nacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (4) que a nova rodada do Desenrola Brasil, chamada de Desenrola 2.0, tem como objetivo permitir que brasileiros endividados voltem a “respirar normal”, limpem o nome e recuperem acesso ao consumo e ao crédito formal. A declaração foi dada durante a assinatura da medida provisória que cria o programa de renegociação de dívidas.

A nova versão prevê uma mobilização nacional de 90 dias para renegociação e terá frentes voltadas a famílias, estudantes, micro e pequenas empresas e agricultores familiares. Uma das principais linhas é o Desenrola Famílias, direcionado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

Estamos tentando encontrar uma fórmula de tirar a corda do pescoço dessa gente, para ela voltar a respirar normal, para poder voltar a sonhar, ter o seu nome limpo na praça”, afirmou Lula.

Dívidas pequenas não deveriam tirar o cidadão do crédito, diz Lula

Durante o anúncio, Lula criticou a negativação de consumidores por débitos de baixo valor. O presidente citou dívidas de R$ 100, R$ 150 e R$ 200 como exemplos de pendências que, em sua avaliação, não deveriam excluir brasileiros do sistema de crédito.

Não é correto um cidadão brasileiro ou cidadã estar com o nome sujo no Serasa por causa de uma dívida de R$ 100, de R$ 150, de R$ 200. Não tem lógica isso”, disse.

Para o presidente, a negativação empurra parte da população para fora do mercado formal. Ele afirmou que, ao ter o CPF restrito, o consumidor passa a enfrentar dificuldades para comprar, abrir conta ou obter crédito em condições regulares.

Aí, o mercado transforma esse cidadão num clandestino, porque ele não pode mais comprar nada, não pode mais ter conta em banco”, declarou.

Presidente associa endividamento ao risco da agiotagem

Lula também relacionou o endividamento à busca por crédito informal. Segundo ele, quando perde acesso ao sistema financeiro, o cidadão pode acabar recorrendo à agiotagem, com juros ainda mais altos e maior risco de sufocamento financeiro.

Ele vira um freguês da bandidagem, da agiotagem. E quando cai na agiotagem, aí sim é que vai estar sufocado por resto da vida”, afirmou.

O presidente disse ainda que parte do endividamento atual continua ligada aos efeitos da pandemia de covid-19. Ele mencionou pequenos comerciantes, donos de bares e restaurantes como exemplos de pessoas que se endividaram por necessidade e ainda não conseguiram reorganizar a vida financeira.

Atualização da coberturaQuem fez saque-aniversário poderá usar FGTS no Desenrola 2.0? Entenda a regra

A covid fez com que a sociedade se endividasse por necessidade mesmo. E tem muita gente que desde aquele tempo ainda está enrolada. Pequeno comerciante, dono de bar, dono de restaurante”, disse.

Desenrola 2.0 terá restrição para apostas online

Um dos pontos enfatizados por Lula foi a restrição ao uso de recursos em casas de apostas. O programa prevê bloqueio do CPF em bets por 12 meses para famílias que aderirem à renegociação.

O presidente defendeu a medida como forma de evitar que o cidadão renegocie dívidas e retorne rapidamente ao endividamento.

Vamos fazer tudo isso, vai ter um fundo garantidor, agora vocês não podem continuar jogando em bet. Vocês não podem”, afirmou.

Lula também pediu que a imprensa acompanhe a execução do programa e ajude a identificar falhas no processo. Segundo ele, os bancos poderão aderir em ritmos diferentes.

Alguns bancos já começam a funcionar amanhã, outros bancos vão começar semana que vem. O importante é que a gente acompanhe, que vocês possam avisar, denunciar, publicar matéria, para que a gente vá aperfeiçoando”, disse.

Lula defende consumo com responsabilidade

Apesar de defender a retomada do acesso ao crédito, Lula afirmou que o endividamento precisa ser tratado com responsabilidade. Ele lembrou a crise financeira internacional de 2008, quando disse ter pedido à população que não tivesse medo de consumir, mas sempre observando a capacidade real de pagamento.

É maravilhoso que a gente queira comprar alguma coisa, mas é importante chamar atenção para que as pessoas façam suas dívidas e não percam de vista suas condições de pagamento”, afirmou.

Na avaliação do presidente, muitas famílias se endividam não necessariamente por grandes compras, mas pelo acúmulo de pequenos gastos que, no fim do mês, se transformam em uma conta difícil de pagar.

Atualização da coberturaDesenrola 2.0 terá desconto maior para dívidas mais antigas; veja regras

O cara gasta uma coisinha ali de R$ 40, gasta outra ali de R$ 50, gasta outra de R$ 100. No final, esse monte de pequenas dívidas vira uma dívida grande na hora de pagar”, disse.

Programa mira dívidas que travam consumo básico

Lula afirmou que o Desenrola 2.0 busca reduzir o peso de dívidas de cartão de crédito e cheque especial no orçamento das famílias. Segundo ele, a renegociação pode ajudar consumidores a retomar a compra de itens básicos, sem depender de crédito informal ou condições abusivas.

Ninguém está comprando dólar, ninguém está comprando carro de luxo. As pessoas estão comprando coisas simples, às vezes até para comer”, afirmou.

O presidente concluiu dizendo que a renegociação pode produzir efeitos para consumidores, pequenos empreendedores e para a economia.

Se isso acontecer, todo mundo vai poder comprar mais, o comércio vai vender, as empresas vão produzir, o povo vai ficar mais feliz”, disse.

Quais grupos serão atendidos pelo novo Desenrola?

A nova rodada do programa foi apresentada como um pacote de renegociação com quatro frentes principais. A ideia é alcançar diferentes perfis de endividados, incluindo famílias, estudantes, micro e pequenas empresas e agricultores familiares.

Frente do programaPúblico citado
Desenrola FamíliasPessoas com renda de até cinco salários mínimos
EstudantesDívidas relacionadas a financiamento estudantil
Micro e pequenas empresasNegócios endividados
Agricultores familiaresProdutores rurais com pendências financeiras

A principal linha, conforme o anúncio, é voltada às famílias com renda de até cinco salários mínimos e dívidas em modalidades de crédito comuns no cotidiano, como cartão, cheque especial e crédito pessoal.

Continua após a publicidade

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.