Resumo da Notícia
Milhares de brasileiros mantêm quantias financeiras abandonadas em instituições financeiras sem saber. O Banco Central do Brasil divulgou o balanço atualizado do Sistema de Valores a Receber (SVR), revelando que ainda existem R$ 6,241 bilhões esquecidos em bancos, administradoras de consórcios, cooperativas de crédito e outras entidades do Sistema Financeiro Nacional.
O montante total está distribuído entre 24.080.039 de pessoas físicas, que somam R$ 4,437 bilhões, e 2,274.851 de empresas, que possuem R$ 1,804 bilhão acumulados. O esquecimento dessas quantias ocorre por motivos diversos, como o encerramento de contas bancárias com saldo remanescente, rendimentos de poupança não sacados, tarifas cobradas indevidamente e restituídas, ou cotas pendentes de grupos de consórcio finalizados.
Os dados compilados pela autoridade monetária mostram que a maior parte dos valores esquecidos é composta por pequenas quantias, mas existem somas expressivas à espera de resgate.
A divisão dos beneficiários por faixa de saldo revela que:
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- Até R$ 10,00: 67,56% dos beneficiários (19,25 milhões de contas);
- Entre R$ 10,01 e R$ 100,00: 19,49% dos beneficiários (5,55 milhões de contas);
- Entre R$ 100,01 e R$ 1.000,00: 10,49% dos beneficiários (2,98 milhões de contas);
- Acima de R$ 1.000,01: 2,46% dos beneficiários (mais de 700 mil pessoas e empresas).
Desde a criação da ferramenta em 2022, o Banco Central do Brasil já intermediou a devolução de R$ 15,47 bilhões aos seus legítimos donos.
Na tabela a seguir, veja o detalhamento consolidado da origem dos recursos esquecidos por tipo de instituição:
| Tipo de Instituição Financeira | Valor Total Retido (R$) | Número de Beneficiários |
| Bancos | R$ 2,905 bilhões | 8,68 milhões |
| Administradoras de Consórcio | R$ 2,252 bilhões | 2,86 milhões |
| Cooperativas de Crédito | R$ 586,73 milhões | 2,62 milhões |
| Instituições de Pagamento | R$ 311,47 milhões | 1,25 milhão |
| Financeiras e Outros | R$ 185,99 milhões | 75,29 mil |
Transferência para o Tesouro e novas regras de segurança
No balanço anterior divulgado em março, o volume acumulado em contas superava os R$ 10,6 bilhões. A redução no saldo acumulado decorre do resgate contínuo pelos cidadãos e do redirecionamento de parcelas de recursos não reclamados para recomposição de fundos públicos, autorizados por legislação do governo federal.
Para garantir a proteção dos dados pessoais dos cidadãos, o Banco Central do Brasil implementou requisitos rigorosos de segurança para o acesso ao sistema de resgate. As consultas e os pedidos de transferência exigem a autenticação pelo portal Gov.br, sendo obrigatório que o usuário possua conta de nível prata ou ouro, além do recurso de verificação em duas etapas ativado.
O órgão também alerta sobre a aplicação de golpes. O único endereço oficial habilitado no país para consulta e solicitação de devolução é o Sistema de Valores a Receber. O Banco Central ressalta que não envia links por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagem, não realiza chamadas telefônicas para confirmar dados e nunca cobra qualquer tipo de taxa para liberar saldos.
Como consultar e resgatar o dinheiro esquecido
A consulta inicial é simples, gratuita e pode ser feita por qualquer pessoa sem a necessidade de efetuar login imediato.
Passo a passo para realizar a consulta e o resgate:
- Acesso ao portal oficial: Entre na página do Sistema de Valores a Receber.
- Consulta simplificada: Insira o CPF e a data de nascimento (para pessoa física) ou o CNPJ e a data de abertura (para pessoa jurídica).
- Login seguro: Se houver valores a receber, clique no botão de acesso ao sistema e faça a autenticação utilizando a sua conta do portal Gov.br (nível prata ou ouro).
- Solicitação via Pix: Caso a instituição financeira tenha aderido ao termo de devolução direta do BC, selecione uma chave Pix cadastrada em seu nome para receber o dinheiro.
- Contato direto: Se a instituição não oferecer transferência automática via Pix, o próprio sistema exibirá os canais de atendimento oficiais da empresa para que você combine a forma de pagamento.
Para valores pertencentes a pessoas falecidas, o procedimento exige que o solicitante seja herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal. Após a consulta no sistema usando os dados do falecido, é necessário aceitar o termo de responsabilidade e apresentar a documentação comprobatória (como certidão de óbito e inventário) diretamente à instituição guardiã do valor.
Para simplificar o processo, o Banco Central disponibiliza a funcionalidade de solicitação automática de resgate para pessoas físicas que possuam chave Pix associada ao CPF. Ao ativar essa opção na página inicial do SVR, o usuário autoriza o sistema a transferir valores futuros ou remanescentes de forma automática para sua conta bancária, sem a necessidade de realizar novos acessos manuais.
