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Brasileiros têm mais de R$ 1.000 esquecidos em bancos; veja como sacar

A devolução via sistema exige uma conta do portal Gov.br nos níveis prata ou ouro, acompanhada do cadastro de uma chave Pix.
Valores a Receber do Banco Central
Valores a Receber pelo Banco Central - Crédito: sidneydealmeida / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • O Banco Central do Brasil informou que ainda existem R$ 6,241 bilhões esquecidos em instituições financeiras.
  • O montante está distribuído entre mais de 24 milhões de pessoas físicas e 2,2 milhões de empresas.
  • Para consultar e solicitar o resgate, é obrigatório o uso da conta Gov.br nos níveis prata ou ouro.
  • O Banco Central alerta que o único canal oficial é o site do Sistema de Valores a Receber e que não envia links ou solicita taxas para liberação de valores.
  • A funcionalidade de solicitação automática via Pix está disponível para pessoas físicas que possuem chave Pix vinculada ao CPF.

Milhares de brasileiros mantêm quantias financeiras abandonadas em instituições financeiras sem saber. O Banco Central do Brasil divulgou o balanço atualizado do Sistema de Valores a Receber (SVR), revelando que ainda existem R$ 6,241 bilhões esquecidos em bancos, administradoras de consórcios, cooperativas de crédito e outras entidades do Sistema Financeiro Nacional.

O montante total está distribuído entre 24.080.039 de pessoas físicas, que somam R$ 4,437 bilhões, e 2,274.851 de empresas, que possuem R$ 1,804 bilhão acumulados. O esquecimento dessas quantias ocorre por motivos diversos, como o encerramento de contas bancárias com saldo remanescente, rendimentos de poupança não sacados, tarifas cobradas indevidamente e restituídas, ou cotas pendentes de grupos de consórcio finalizados.

Os dados compilados pela autoridade monetária mostram que a maior parte dos valores esquecidos é composta por pequenas quantias, mas existem somas expressivas à espera de resgate.

A divisão dos beneficiários por faixa de saldo revela que:

  • Até R$ 10,00: 67,56% dos beneficiários (19,25 milhões de contas);
  • Entre R$ 10,01 e R$ 100,00: 19,49% dos beneficiários (5,55 milhões de contas);
  • Entre R$ 100,01 e R$ 1.000,00: 10,49% dos beneficiários (2,98 milhões de contas);
  • Acima de R$ 1.000,01: 2,46% dos beneficiários (mais de 700 mil pessoas e empresas).

Desde a criação da ferramenta em 2022, o Banco Central do Brasil já intermediou a devolução de R$ 15,47 bilhões aos seus legítimos donos.

Na tabela a seguir, veja o detalhamento consolidado da origem dos recursos esquecidos por tipo de instituição:

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Tipo de Instituição FinanceiraValor Total Retido (R$)Número de Beneficiários
BancosR$ 2,905 bilhões8,68 milhões
Administradoras de ConsórcioR$ 2,252 bilhões2,86 milhões
Cooperativas de CréditoR$ 586,73 milhões2,62 milhões
Instituições de PagamentoR$ 311,47 milhões1,25 milhão
Financeiras e OutrosR$ 185,99 milhões75,29 mil

Transferência para o Tesouro e novas regras de segurança

No balanço anterior divulgado em março, o volume acumulado em contas superava os R$ 10,6 bilhões. A redução no saldo acumulado decorre do resgate contínuo pelos cidadãos e do redirecionamento de parcelas de recursos não reclamados para recomposição de fundos públicos, autorizados por legislação do governo federal.

Para garantir a proteção dos dados pessoais dos cidadãos, o Banco Central do Brasil implementou requisitos rigorosos de segurança para o acesso ao sistema de resgate. As consultas e os pedidos de transferência exigem a autenticação pelo portal Gov.br, sendo obrigatório que o usuário possua conta de nível prata ou ouro, além do recurso de verificação em duas etapas ativado.

O órgão também alerta sobre a aplicação de golpes. O único endereço oficial habilitado no país para consulta e solicitação de devolução é o Sistema de Valores a Receber. O Banco Central ressalta que não envia links por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagem, não realiza chamadas telefônicas para confirmar dados e nunca cobra qualquer tipo de taxa para liberar saldos.

Como consultar e resgatar o dinheiro esquecido

A consulta inicial é simples, gratuita e pode ser feita por qualquer pessoa sem a necessidade de efetuar login imediato.

Passo a passo para realizar a consulta e o resgate:

  1. Acesso ao portal oficial: Entre na página do Sistema de Valores a Receber.
  2. Consulta simplificada: Insira o CPF e a data de nascimento (para pessoa física) ou o CNPJ e a data de abertura (para pessoa jurídica).
  3. Login seguro: Se houver valores a receber, clique no botão de acesso ao sistema e faça a autenticação utilizando a sua conta do portal Gov.br (nível prata ou ouro).
  4. Solicitação via Pix: Caso a instituição financeira tenha aderido ao termo de devolução direta do BC, selecione uma chave Pix cadastrada em seu nome para receber o dinheiro.
  5. Contato direto: Se a instituição não oferecer transferência automática via Pix, o próprio sistema exibirá os canais de atendimento oficiais da empresa para que você combine a forma de pagamento.

Para valores pertencentes a pessoas falecidas, o procedimento exige que o solicitante seja herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal. Após a consulta no sistema usando os dados do falecido, é necessário aceitar o termo de responsabilidade e apresentar a documentação comprobatória (como certidão de óbito e inventário) diretamente à instituição guardiã do valor.

Para simplificar o processo, o Banco Central disponibiliza a funcionalidade de solicitação automática de resgate para pessoas físicas que possuam chave Pix associada ao CPF. Ao ativar essa opção na página inicial do SVR, o usuário autoriza o sistema a transferir valores futuros ou remanescentes de forma automática para sua conta bancária, sem a necessidade de realizar novos acessos manuais.

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