Petrobras reduz preço do querosene de aviação em 14,2%

Mesmo com a queda anunciada para junho, o querosene de aviação ainda acumula alta de 54,5% em 2026 e está R$ 1,98 por litro mais caro na comparação com dezembro do ano passado.
Querosene de aviação
Querosene de aviação (QAV - Crédito: Volodymyr Shevchuk / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • A Petrobras reduziu o preço do querosene de aviação (QAV) em 14,2% para distribuidoras a partir de junho.
  • A queda representa R$ 0,93 por litro e reflete a menor pressão nas cotações internacionais do petróleo.
  • O QAV ainda acumula alta de 54,5% em 2026, apesar do reajuste negativo anunciado para este mês.
  • O governo federal prorrogou até 31 de julho a isenção de impostos sobre o querosene de aviação e biodiesel.
  • O combustível representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, impactando o preço das passagens.
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A Petrobras vai reduzir em 14,2% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras a partir de junho. A queda corresponde a R$ 0,93 por litro em relação ao mês anterior e foi informada pela estatal em comunicado divulgado nesta segunda-feira (1º).

A redução ocorre depois de altas sucessivas registradas desde março e, segundo a Petrobras, reflete a atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais provocada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Nos últimos meses, a intensificação do conflito na região elevou os preços do petróleo, diante do temor de interrupções na oferta da commodity.

Como o querosene de aviação acompanha as oscilações do petróleo, a alta internacional pressionou os custos das companhias aéreas e contribuiu para o encarecimento do combustível no país. Mesmo com a redução anunciada para junho, o QAV ainda acumula alta de 54,5% em 2026.

Como a queda do QAV pode afetar as companhias aéreas?

A redução no preço do querosene de aviação pode aliviar parte da pressão sobre os custos das companhias aéreas. O combustível é um dos principais componentes das despesas do setor e costuma ter impacto direto sobre os preços cobrados dos passageiros.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível passou a representar cerca de 45% dos custos operacionais das empresas após os reajustes registrados nos últimos meses.

Na prática, a queda anunciada pela Petrobras pode ajudar a conter novos reajustes nas passagens, embora o repasse ao consumidor dependa de outros fatores do setor aéreo, como demanda, custos operacionais, câmbio, planejamento das empresas e concorrência entre rotas.

Os ajustes do QAV vendidos pela Petrobras ocorrem todo começo de mês, conforme previsto em contratos.

Apesar da queda de 14,2% em junho, o querosene de aviação segue em patamar elevado. Em comparação com dezembro do ano passado, o preço médio do combustível está R$ 1,98 por litro mais caro.

Cobertura relacionadaDiesel da Petrobras cai para R$ 3,30 após nova subvenção do governo

Esse cenário mostra que a redução atual não elimina a pressão acumulada sobre o setor aéreo ao longo de 2026. A alta do petróleo, motivada pelas tensões no Oriente Médio, atingiu diretamente os custos de combustíveis em diversos países e reduziu as margens das companhias.

Embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, seus preços seguem as cotações internacionais do petróleo. Por isso, mesmo a produção nacional não isola completamente o mercado brasileiro dos efeitos da escalada da commodity.

Governo prorrogou isenção de impostos sobre QAV e biodiesel

Na semana passada, o governo federal prorrogou até 31 de julho a isenção de impostos sobre a venda e a importação de querosene de aviação e biodiesel. O benefício expiraria em 31 de maio.

A medida faz parte do pacote anunciado em abril para reduzir os impactos da alta do petróleo sobre os combustíveis no país. A isenção reduz custos para companhias aéreas e produtores de combustíveis e pode ajudar a limitar o repasse de preços aos consumidores.

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o conjunto de medidas tem custo estimado em R$ 30,5 bilhões. O governo afirma, porém, que não haverá impacto nas contas públicas, porque os gastos serão compensados por outras receitas, como a arrecadação sobre o diesel e os royalties pagos pelas empresas pela exploração de petróleo.

O que prevê o pacote para conter a alta dos combustíveis?

O pacote anunciado pelo governo inclui subsídios e medidas de desoneração para reduzir a pressão sobre combustíveis considerados estratégicos para consumidores, empresas e setores produtivos.

Entre as ações previstas estão:

  • subvenção ao diesel, importado e nacional;
  • isenção de impostos federais sobre o biodiesel;
  • subvenção ao gás de cozinha (GLP);
  • subvenção ao querosene de aviação;
  • linhas de crédito para o setor aéreo.

Como parte dessas ações, o Ministério da Fazenda definiu no sábado (31) uma subvenção de R$ 351,50 por metro cúbico de diesel, equivalente a R$ 0,35 por litro. O benefício será pago a produtores e importadores do combustível por dois meses, com possibilidade de prorrogação.

Pressão internacional ainda influencia preços no Brasil

A decisão da Petrobras ocorre em um momento de menor pressão nas cotações internacionais em relação ao período recente, mas o mercado de combustíveis segue sensível ao comportamento do petróleo.

Nos últimos meses, a guerra e as tensões no Oriente Médio aumentaram o temor de interrupções na oferta da commodity, o que elevou os preços e pressionou custos em diferentes países. No caso do setor aéreo, o efeito é direto porque o querosene de aviação acompanha a variação do petróleo.

Por isso, a redução anunciada para junho representa um alívio imediato, mas não apaga o aumento acumulado no ano nem elimina a dependência do setor aéreo em relação ao cenário internacional.

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