Resumo da Notícia
A projeção do mercado financeiro para a inflação de 2026 voltou a piorar e agora está acima do teto da meta. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a mediana das estimativas para o IPCA subiu de 4,36% para 4,71%, na quinta alta semanal consecutiva. Ao mesmo tempo, o relatório manteve as previsões para crescimento do PIB e taxa Selic, enquanto a expectativa para o dólar recuou levemente no fim do período.
O movimento de alta não ocorreu de forma isolada. O relatório com data de 10 de abril mostra que a expectativa para o IPCA de 2026 estava em 4,10% há quatro semanas, passou para 4,36% na semana passada e agora alcançou 4,71%. O dado reforça uma deterioração contínua do cenário inflacionário e amplia a distância entre a estimativa do mercado e o centro da meta perseguida pela política monetária.
A piora também apareceu nas projeções dos anos seguintes. Para 2027, a estimativa avançou de 3,85% para 3,91%, no terceiro aumento seguido. Já para 2028, a previsão foi mantida em 3,60%. Em 2029, não houve alteração: a mediana permaneceu em 3,50% pela 32ª semana consecutiva.
Esse quadro indica que a pressão inflacionária não está sendo lida como um fenômeno inteiramente passageiro. Ainda que a deterioração seja mais intensa no horizonte mais próximo, o mercado também revisou para cima parte do cenário seguinte, o que ajuda a manter o tema da inflação no centro das atenções.
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O que está pressionando a inflação neste momento
A piora das expectativas ocorre em um ambiente de pressão sobre os preços. O movimento vem na esteira da aceleração recente da inflação e da alta do petróleo no mercado internacional. Segundo a leitura de analistas, o cenário está ligado ao encarecimento dos combustíveis e dos alimentos, em um contexto também influenciado pelas tensões geopolíticas envolvendo o Irã.
Esse ponto é relevante porque ajuda a explicar por que o mercado elevou suas apostas para o IPCA mesmo sem mexer, por ora, nas projeções de crescimento econômico. A leitura predominante é a de uma inflação pressionada por custos e por choques que afetam itens sensíveis ao bolso da população, especialmente combustíveis e alimentação.
Quais foram as mudanças nas projeções de curto prazo
Além da inflação acumulada para 2026, o Focus também mostrou alta nas estimativas de curto prazo. Para abril, a mediana passou de 0,48% para 0,50%. Em maio, houve nova elevação, de 0,31% para 0,32%. Para junho, a projeção foi mantida em 0,28%.
No sentido contrário, a inflação suavizada em 12 meses recuou de 4,09% para 4,05%. Ainda assim, o dado não foi suficiente para alterar a percepção predominante de que o ambiente inflacionário segue pressionado.
PIB, juros e dólar ficaram praticamente estáveis
No restante do quadro macroeconômico, o mercado manteve em 1,85% a expectativa de crescimento do PIB em 2026, repetindo o mesmo número da semana anterior. Para 2027, a projeção ficou em 1,80%. Já para 2028 e 2029, a previsão continuou em 2%.
Na política monetária, a projeção para a Selic de 2026 foi mantida em 12,50% pela terceira semana consecutiva. Para os anos seguintes, também não houve mudança: 10,50% em 2027, 10% em 2028 e 9,75% em 2029.
No câmbio, o relatório trouxe um alívio leve. A expectativa para o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,40 para R$ 5,37. Para 2027, a projeção recuou para R$ 5,40. Em 2028, passou para R$ 5,46. Já em 2029, permaneceu estável em R$ 5,50.
Outros indicadores de preços também pioraram
O Focus também registrou deterioração em outros índices acompanhados pelo mercado. A projeção para o IGP-M em 2026 subiu para 3,86%, no sexto avanço seguido. No caso dos preços administrados, a expectativa passou para 4,87% neste ano.
Esses dados reforçam a leitura de que a inflação segue como principal ponto de pressão no cenário macroeconômico, mesmo com estabilidade nas apostas para juros e atividade. O retrato mais recente do mercado, portanto, é o de uma economia com crescimento esperado estável, juros ainda elevados por um período prolongado e preços sob vigilância mais intensa.
