Resumo da Notícia
A eliminação de um candidato com nanismo no concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais abriu um debate sobre inclusão e critérios físicos em seleções públicas. O caso ganhou repercussão nacional após o advogado Matheus Menezes Matos, de 25 anos, afirmar que participou do processo sem que sua condição fosse considerada na etapa física. A discussão envolve tanto regras do edital quanto os limites da adaptação para candidatos com deficiência.
Natural de Goiás, Matheus conseguiu avançar por praticamente todas as etapas do concurso. Ele foi aprovado nas provas objetiva, discursiva e oral, além de passar pelos exames biomédicos exigidos pela seleção organizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A reprovação aconteceu apenas no Teste de Aptidão Física (TAF), fase destinada a avaliar se o candidato possui condições físicas para exercer o cargo de delegado.
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Segundo advogado, o problema surgiu na prova deimpulsão horizontal, que exigia salto mínimo de 1,65 metro. Portador de nanismo, ele afirma que a marca é incompatível com sua condição física. Matheus diz que chegou a solicitar formalmente uma adaptação do teste e apresentou laudos médicos à banca, mas o pedido não teria sido considerado.
O edital de abertura do concurso previa a reserva de 10% das vagas para pessoas com deficiência e estabelecia regras específicas para esse grupo, como envio de documentação médica e possibilidade de condições especiais nas provas teóricas. O processo seletivoofereceu 54 vagas para delegado, sendo cinco destinadas a candidatos com deficiência.
No entanto, o edital específico que convocou os candidatos para os exames biofísicos trouxe uma regra diferente. Publicado em janeiro de 2026, o documento determinou que não haveria qualquer adaptação nos testes físicos, independentemente da condição apresentada pelo candidato. Com isso, todos os concorrentes realizaram as mesmas provas nas mesmas condições.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que Matheus foi considerado inapto apenas na etapa física. Segundo a corporação, os testes têm o objetivo de verificar se o candidato possui preparo físico compatível com as atividades do cargo e com o curso de formação. A FGV também declarou que apenas seguiu as regras previstas no edital publicado pela própria instituição policial.
O caso foi levado ao Ministério Público de Minas Gerais, mas a manifestação acabou arquivada. Ainda assim, o episódio continua gerando debate entre candidatos e especialistas em concursos públicos. A principal questão levantada é se a proibição absoluta de adaptações no teste físico pode ou não entrar em conflito com a legislação que garante direitos às pessoas com deficiência.
