Déficit de 64% na Polícia Civil faz Justiça exigir novas nomeações no RN

Mesmo após a nomeação recente de 178 policiais civis, ainda há 185 aprovados da terceira turma do curso de formação aguardando convocação, entre eles 18 delegados, 75 agentes e 92 escrivães, todos já aprovados na última etapa do certame.
Dos 5.150 cargos previstos em lei, cerca de 3,3 mil estão vagos na Polícia Civil do RN
Dos 5.150 cargos previstos em lei, cerca de 3,3 mil estão vagos na Polícia Civil do RN - Foto: Raiane Miranda

Resumo da Notícia

  • Justiça do RN exige novas nomeações na Polícia Civil devido ao déficit de 64% no efetivo.
  • Decisão judicial obriga o estado a nomear aprovados e realizar novo concurso até 2027.
  • Atualmente, a Polícia Civil do RN opera com apenas 35,65% do quadro preenchido.
  • Governo do RN afirma que analisa a decisão e cita limites fiscais.
  • Aprovados e sindicato pressionam por novas convocações para recompor o efetivo.
  • Estado já nomeou parte dos aprovados, mas ainda restam 185 à espera de nomeação.
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A Polícia Civil do Rio Grande do Norte opera com um déficit de 64,35% em relação ao efetivo previsto em lei e ainda mantém 185 aprovados no concurso regido pelo Edital nº 01/2020-PCRN à espera de nomeação, mesmo após decisão judicial que obriga o Estado a adotar medidas para recompor o quadro.

A sentença da 6ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal, proferida em ação civil pública movida pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e datada de 25 de março, determina não apenas a nomeação dos aprovados em todas as fases do certame, mas também a convocação de novas turmas do curso de formação e a realização de um novo concurso até o fim de 2027.

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O tamanho da defasagem ajuda a explicar o peso da decisão. A sentença registra que, dos 5.150 cargos previstos em lei, cerca de 3,3 mil estão vagos. Isso deixa a PCRN com apenas 35,65% do quadro preenchido, abaixo da média das corporações do Nordeste, apontada na decisão em 56,3%.

Déficit atinge agentes, escrivães e delegados

A falta de pessoal não aparece de forma genérica. O quadro detalhado mostra que 66,83% das vagas de agente de polícia civil, 65,13% das de escrivão e 34,29% das de delegado estão desocupadas.

Quando o edital foi lançado, a corporação tinha 1.352 servidores ativos diante de 3.798 cargos vagos. O concurso aprovou 2.036 candidatos, mas, segundo os dados do processo, apenas 593 servidores haviam sido nomeados nas duas primeiras turmas de formação. Mesmo com esse avanço parcial, a recomposição ficou longe do necessário.

A própria sentença deixa claro que o problema não se esgota na convocação já feita. O juiz Francisco Seráphico da Nóbrega tornou obrigatória a nomeação dos candidatos aprovados nas cinco fases do concurso, reforçando a cobrança por reposição efetiva do quadro.

Estado já nomeou parte dos aprovados, mas remanescentes seguem fora

Após a determinação judicial, o Governo do Estado nomeou na última quinta-feira (2) um grupo de 178 policiais civis aprovados no concurso. Segundo o próprio governo, essas nomeações substituem profissionais aposentados, mortos ou exonerados.

Mesmo assim, a conta continua aberta. Ainda restam 185 aprovados que concluíram o curso de formação, última fase do concurso, em fevereiro deste ano, sem nomeação. Esse grupo é formado por 18 delegados, 75 agentes e 92 escrivães.

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Durante a tramitação da ação, já havia sido concedida tutela de urgência determinando a nomeação de 155 candidatos aprovados em todas as etapas. Depois, o Estado informou ter cumprido a medida apenas de forma parcial, com a nomeação de 153 candidatos.

A decisão judicial atual amplia a cobrança. Além das nomeações pendentes, o Estado também deverá convocar novas turmas do Curso de Formação Profissional e realizar novo concurso público até o final de 2027, em quantitativo suficiente para que o efetivo ativo da Polícia Civil alcance pelo menos 50% dos cargos previstos na Lei Complementar Estadual nº 270/2004.

Governo diz que analisa decisão e cita limites fiscais

Em nota, o Governo do Rio Grande do Norte afirmou que recebeu a decisão judicial referente ao concurso da PCRN e que irá analisá-la com responsabilidade e respeito às instituições. O Estado tem 30 dias para se manifestar nos autos.

Segundo o governo, a Procuradoria-Geral do Estado, em conjunto com as áreas técnicas, avalia a melhor forma de cumprimento e resposta à determinação judicial. A gestão também sustenta que a defasagem histórica decorre de um longo período anterior sem realização de concursos públicos e sem reposição adequada de pessoal, o que impactou diretamente a capacidade operacional da instituição. Desde 2019, o Governo tem trabalhado para reverter esse cenário, dentro dos limites legais, fiscais e orçamentários.

Sobre novas nomeações, o Executivo afirma que o tema segue em análise e integra o planejamento da gestão, considerando a responsabilidade fiscal e a necessidade de garantir a sustentabilidade das contas públicas. Eventuais decisões serão tomadas com base em critérios técnicos e legais.

Aprovados e sindicato pressionam por novas convocações

A cobrança dos remanescentes e do sindicato parte de um argumento simples: mesmo com mais convocações, a Polícia Civil continuará longe do efetivo considerado ideal.

Rafaella Drummond, representante da Comissão dos Formados da Terceira Turma da Polícia Civil e aprovada para o cargo de agente, lembrou que a judicialização já havia sido necessária antes. Muitas pessoas vieram do interior para Natal ou de outros estados para se dedicar a esse curso. São pessoas que pediram demissão dos seus empregos anteriores, acreditando no compromisso e na responsabilidade do Governo de que iria nomeá-las, afirmou.

Ela também relatou a frustração após a formatura: O dia da formatura, em 9 de fevereiro, foi muito frustrante. A gente esperava que a governadora fosse anunciar as nossas nomeações, mas, em vez disso, ela anunciou que faria um estudo.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Norte (Sinpol-RN), Nilton Arruda, afirmou que o número de vagas do concurso já era insuficiente desde o início. Houve uma nomeação parcial [dos candidatos formados], mas ainda faltam 185 candidatos a serem nomeados. Também temos cerca de 50 candidatos no cadastro de reserva, que ainda faltam fazer o curso de formação, o que seria a quarta turma, disse.

Ele vai além e sustenta que, mesmo com a convocação dos aprovados e dos nomes do cadastro de reserva, a PCRN ainda ficaria com cerca de 41% de profissionais em relação ao previsto. Não entendo qual é a má vontade do Governo do Estado em nomear todos os policiais civis que estão aguardando nomeação e posse, declarou.

Rafaella Drummond também argumenta que o ambiente é favorável às nomeações. Segundo ela, além do déficit expressivo e da sentença judicial, a lei orçamentária do Estado já previu a meta de recompor o efetivo da Polícia Civil em até 50%. Ainda assim, faz a cobrança direta: Não temos nenhuma sinalização positiva do Governo do Estado no sentido de que vai nomear esses candidatos remanescentes.

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