Resumo da Notícia
O governo de Tarcísio de Freitas deu um novo passo na tentativa de reorganizar a segurança pública paulista ao enviar à Assembleia Legislativa de São Paulo um pacote de projetos que mexe diretamente no bolso e na carreira dos policiais. As propostas tratam de reajuste salarial e de uma reformulação estrutural da Polícia Civil de São Paulo, tema que há anos gera debates e cobranças internas.
Os textos preveem aumento linear de 10% nos salários a partir de abril de 2026, alcançando policiais civis e militares, ativos e inativos. A estimativa do próprio governo aponta impacto de R$ 1,02 bilhão no primeiro ano, podendo ultrapassar R$ 1,75 bilhão nos dois seguintes, sem comprometer as contas públicas, segundo a gestão estadual.
Apesar do reajuste, especialistas e representantes da categoria consideram o índice insuficiente para reposicionar São Paulo entre os estados com melhor remuneração. Na avaliação de entidades, o ganho não recompõe perdas acumuladas ao longo dos anos, mantendo a segurança pública paulista distante do topo do ranking nacional.
Paralelamente ao aumento, o governo propõe uma nova lei orgânica para reorganizar a carreira na Polícia Civil de São Paulo. A ideia é criar regras mais claras para progressão, promoção e ocupação de cargos de chefia, estabelecendo critérios objetivos como tempo de serviço, desempenho, cursos de formação e histórico disciplinar.
O novo modelo prevê quatro classes hierárquicas e promoções periódicas, previstas para julho e dezembro. Pela proposta, o policial poderá alcançar a classe especial em cerca de 18 anos — um avanço em relação ao cenário atual, em que a progressão pode ultrapassar três décadas. Também haverá limite de até 12 anos em funções de direção.
A reformulação surge após mais de dois anos de pressão de entidades, que criticam a falta de transparência no processo. Representantes afirmam que versões do projeto não foram amplamente apresentadas à categoria, o que gerou insatisfação e mobilizações, incluindo uma carta aberta com centenas de assinaturas cobrando valorização profissional.
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O envio das propostas ocorre em meio às restrições do calendário eleitoral, que limita a concessão de benefícios a servidores nos meses que antecedem as eleições. Por isso, há pressa na tramitação na Assembleia Legislativa de São Paulo, onde os projetos ainda passarão por comissões antes de eventual votação em plenário.
Ao mesmo tempo, a reestruturação impacta diretamente futuros concursos da Polícia Civil de São Paulo. A tendência é de redução e unificação de cargos, exigindo nível superior para ingresso, o que pode mudar o perfil das seleções. Mesmo com nomeações recentes, o déficit de efetivo segue como desafio, e novos editais ainda são aguardados para os próximos anos.