Superlua ou não? Astrônomos explicam por que a Lua deste sábado (3) não entra na conta

A diferença entre lua cheia comum e superlua está na coincidência entre a fase cheia e o perigeu, quando a Lua está mais próxima da Terra.
Superlua ou não? Astrônomos explicam por que a Lua deste sábado (3) não entra na conta
Superlua © Paulo Pinto/Agência Brasil

Resumo da Notícia

O primeiro fim de semana do ano chama a atenção de quem costuma olhar para o céu. A Lua cheia deste sábado (3) aparece grande, brilhante e facilmente visível, o que naturalmente desperta a pergunta que se repete todos os anos: afinal, trata-se da primeira superlua do ano? A resposta, segundo especialistas brasileiros, é não — apesar de o debate gerar confusão até entre instituições internacionais.

De acordo com o Observatório Nacional, a Lua deste sábado não atende aos critérios utilizados no Brasil para ser classificada como superlua. O motivo está na distância entre a Terra e o satélite natural no momento da fase cheia. Para que o fenômeno receba essa denominação, a Lua precisa estar a menos de 360 mil quilômetros do nosso planeta. Desta vez, ela estará a cerca de 362 mil quilômetros, valor suficiente para afastar o rótulo de superlua do ponto de vista técnico adotado por astrônomos brasileiros.

A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, chama atenção para um ponto central dessa discussão: o próprio termo “superlua” não nasceu dentro da astronomia científica.

A superlua também não é um evento reconhecido pela União Astronômica Internacional, então cada um tem um critério um pouco diferente para defini-la, explica. Essa ausência de padronização ajuda a entender por que o mesmo evento pode receber classificações distintas ao redor do mundo.

Esse é o caso, por exemplo, da Lua do Lobo, nome tradicionalmente usado no hemisfério norte para designar a primeira Lua cheia do ano. O perfil oficial da NASA costuma enquadrar essa lua como a primeira superlua do ano, adotando critérios próprios. Josina, no entanto, destaca que essa nomenclatura tem caráter cultural e não científico, além de não ser usual no hemisfério sul. Por isso, pelos critérios adotados no Brasil, a Lua deste fim de semana não é uma superlua.

O que diferencia uma superlua de uma lua cheia comum

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Agência Brasil

Quando ocorre uma superlua, o efeito visual realmente chama atenção. A Lua aparece aparentemente maior e mais reluzente, pois está próxima do perigeu, o ponto de sua órbita em que fica mais próxima da Terra. Nesses casos, o satélite pode parecer até 14% maior e cerca de 30% mais brilhante do que quando está no apogeu, situação conhecida popularmente como microlua.

No entanto, é importante separar percepção visual de definição astronômica. Toda lua cheia ocorre quando a Lua está em oposição ao Sol, mas esse estado exato dura apenas um instante. A olho nu, porém, o disco lunar pode parecer completamente cheio por até três noites consecutivas, o que contribui para a sensação de que o fenômeno é mais duradouro do que realmente é.

Já a superlua depende da coincidência entre a fase cheia e a proximidade do perigeu. Se a lua cheia ocorre próximo ao perigeu, ela é chamada de superlua. O quão próximo depende da órbita que a Lua segue naquele momento, mas em termos gerais irá equivaler a uma distância menor do que 360.000 km da Terra, explica Helio J. Rocha-Pinto, diretor do Observatório do Valongo, da UFRJ. Como essa condição não se repete em todas as luas cheias, nem toda lua cheia é uma superlua.

Por que há tanta confusão sobre o termo “superlua”

A confusão não é recente. A expressão “superlua” foi criada em 1979 pelo astrólogo Richard Nolle, e não por um astrônomo. Com o tempo, o termo se popularizou, passou a ser usado por sites especializados e acabou ganhando espaço no noticiário. Ainda assim, não se trata de um conceito oficial da astronomia, o que explica a variedade de critérios adotados.

Na prática, a Lua cheia deste sábado será, sim, bonita e imponente no céu, mas não atende aos parâmetros técnicos usados no Brasil para ser classificada como superlua. O fenômeno continua interessante do ponto de vista observacional, mas sem o caráter extraordinário que o nome sugere.

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