Resumo da Notícia
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram um gel nanoestruturado patenteado para prevenir a sensibilidade após o clareamento dentário profissional em consultório.
A inovação, criada no Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas (PPGCO/UFRN), combina um fármaco a um agente remineralizador e atua diretamente sobre o dente durante o procedimento, com a proposta de reduzir a inflamação e bloquear estímulos associados à dor.
O diferencial da tecnologia está no mecanismo de ação duplo. De um lado, o gel tem efeito farmacológico, voltado à modulação da resposta inflamatória e da sensação dolorosa. De outro, promove a obliteração mecânica dos poros superficiais do dente, estruturas microscópicas que, quando expostas, favorecem a transmissão de estímulos dolorosos.
Na prática, a combinação busca interromper a cadeia de eventos que leva à dor e à sensibilidade depois do clareamento. O produto é aplicado de forma localizada, diretamente sobre a superfície dental, no próprio consultório odontológico, junto ao procedimento clareador. Não se trata de uma medicação administrada por via oral, mas de uma estratégia de uso direto no dente, no momento em que o risco de sensibilidade é maior.
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Ao ser depositado sobre a superfície dental, o gel permeia o tecido dentário e chega à polpa, região interna do dente relacionada ao processo inflamatório e corresponsável pela geração da dor e da sensibilidade.
Por que a inovação mira o clareamento em consultório

O clareamento dentário realizado em consultório costuma ser procurado por oferecer resultados mais rápidos e por não exigir que o paciente utilize dispositivos diariamente em casa. Apesar dessas vantagens, esse tipo de procedimento pode causar sensibilidade em grau maior quando comparado às modalidades caseira, mista ou a produtos disponíveis no mercado.
É nesse ponto que o gel desenvolvido na UFRN entra como estratégia preventiva. A proposta é agir simultaneamente ao clareamento profissional, antes que o desconforto se instale de forma percebida pelo paciente.
“A importância clínica da inovação é significativa. A sensibilidade pós-clareamento não apenas compromete o conforto do paciente, mas pode levar ao abandono do tratamento. Ao mitigar esse efeito adverso, o produto tem potencial para ampliar a adesão e tornar a experiência estética mais segura”, afirma a pesquisadora Kaiza Santos.
Qual é a patente desenvolvida pelos pesquisadores
A patente recebeu o título de “Composição de dessensibilizante nanoestruturado contendo dexametasona, codeína e/ou fosfato de cálcio para modulação da sensibilidade e inflamação em dentes humanos após clareamento dentário”.
A tecnologia é resultado da tese de doutorado da egressa Kaiza Santos, responsável por conduzir as etapas laboratoriais necessárias à execução do trabalho. No campo acadêmico, o produto representa a consolidação de uma trajetória formativa e reforça o papel da universidade na geração de inovação aplicada à saúde.
A concepção inicial da ideia partiu do professor Boniek Borges, que coordenou o projeto, liderou a captação de recursos por meio do edital Universal do CNPq e orientou a pesquisa de doutorado. Já o professor Arnóbio Silva estruturou a formulação química do gel para que a combinação dos componentes atingisse o objetivo terapêutico, além de supervisionar todas as etapas do desenvolvimento. Os demais autores participaram das diferentes fases do projeto.
A inovação se destaca por aproximar pesquisa básica, desenvolvimento tecnológico e aplicação clínica. Ao enfrentar um dos principais efeitos adversos do clareamento profissional, o produto pode tornar o procedimento mais confortável e favorecer a adesão de pacientes que evitam ou abandonam o tratamento por causa da dor.
“O gel patenteado simboliza a convergência entre pesquisa básica, inovação tecnológica e aplicação clínica. Ao reduzir o principal efeito adverso do clareamento dentário profissional, a invenção aponta para um cenário em que esse procedimento possa ser realizado com maior conforto. Foi fruto de um trabalho interdisciplinar em equipe, cujo retorno será para nossa instituição, a indústria e a comunidade”, conclui o professor Boniek Borges.
